segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

QUEM MATOU CAIM? - Pesquisas


Luiz Carlos Nogueira

nogueirablog@gmail.com


Inicialmente seguem as informações bíblicas a respeito de quem eram, JAKIN, BOAZ e TUBALCAIM.


JAKIN Palavra hebraica derivada de Jah, abreviatura de Jeová (sal. 68:4), e de achim (estabelecer) que significa: estabilidade, firmeza ou força. Que se traduz - “minha força está em Deus”. Jakin foi o quinto filho de “Salomão”. A inicial de seu nome figurou na segunda coluna do Tempo de Salomão, onde se erguia do lado direito, ao Sul, no pórtico ou à entrada (1 Reis 7;21), cujo uso, se conserva até hoje nos Templos Maçônicos, ao lado da outra coluna denominada Boaz (na fôrça), do lado esquerdo da entrada, ao Norte. As duas colunas juntas, segundo Joaquim Gervásio de Figueiredo, significam “Deus se estabelecerá em fôrça” ou “como uma fortaleza”.


BOOZ ou BOAZ. Foi o décimo filho de Caim, esposo de Ruth e o bisavô de Davi (Ruth 1:13-22). Esse nome foi dado à primeira coluna do Templo de Salomão, à esquerda do pórtico (1 Reis 7:21 e II Crôn. 3:17), ao Norte.

JACHIN (pronuncia-se Jáquim) juntamente com BOAZ são duas colunas de cobre, e que ficavam à frente do Templo de Salomão, o primeiro Templo em Jerusalém. Outras versões da Bíblia referem e elas como de "latão" (decoração) ou bronze.[carece de fontes?] O Período se refere à idade do Bronze. [carece de fontes?]


BOAZ, na esquerda, e Jachin, na direita. Os pilares tinham uma dimensão de quase 6 pés (1.8 m) de espessura e 27 pés (8,2 m) de altura. Os 2,4 m de altura da decoração do capitel suportavam a decoração de lírios de bronze. Foi originalmente descrito a partir da Bíblia, como côvado, que regista que os pilares tinham dezoito côvados (alto) e cerca de doze côvados ao redor, e oco, com 4 dedos de espessura. (Jeremias 52:21-22). Redes de "checkerwork" cobria a tigela de cada capitel, decoradas com linhas de duzentas romãs, coberto com sete cadeias de cada um dos capitéis, e cobertas com lírios. (1 Reis 7:13-22, 41-42).

TUBAL CAIM, FORJADOR DE INSTRUMENTOS METALICOS DE CORTE: Um símbolo do despertar do intelecto com seus poderes incisivos de análise e discriminação.


FERRO COBRE e o BRONZE: Simbolismo da mentalidade, o plano mental; comparáveis aquilo o que é firme e duradouro. Cobre significa bondade natural; ferro, a verdade natural.


Gênesis IV, 22. Zillah também teve um filho, Tubal-Caim, fabricante de todo instrumento cortante de cobre e de ferro; e a irmã de Tubal-Caim foi Naamah.


INSTRUMENTOS CORTANTES DE COBRE E FERRO: - Simbolismo dos poderes incisivos intelectuais de análise e discriminação.


Incisivo = penetrante, direto e decisivo. Sinônimo = contundente.


METAIS: -Símbolos de qualidades superiores e inferiores; tais como:


Ouro: sabedoria; Prata: intelecto superior; Ferro: intelecto inferior; Bronze ou latão: o intelecto.


A verdade figurativa dos metais; ouro e prata representam aqueles que são mais preciosos e espirituais; Bronze e ferro representam aqueles de uma classe inferior ligada com o mundo material.


FORJADORES, FERREIROS, OU TRABALHADORES NO METAL: Simbolismo de qualidades intelectuais disciplinadas pelo Espírito, e dirigidas e energizadas pela percepção espiritual. (Fogo) e (Ar).


3 Gênesis IV


1. Conheceu Adão a Eva, sua mulher; ela concebeu e, tendo dado à luz a Caim, disse: consegui do Senhor um varão.


2. Tornou a dar à luz a um filho-a seu irmão Abel. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.


3. Ao cabo de dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor.


4. Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura. Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta,


5. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Pelo que se irou Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante.


6. Então o Senhor perguntou a Caim: Por que te iraste? E por que está descaído o teu semblante?


7. Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? E se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar.


8. Falou Caim com o seu irmão Abel. E, estando eles no campo, Caim se levantou contra o seu irmão Abel, e o matou.


9. Perguntou, pois, o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Respondeu ele: Não sei; sou eu o guarda do meu irmão?


10. E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a mim desde a terra.


11. Agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue de teu irmão.


12. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra.


13. Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha punição do que a que eu possa suportar.


14. Eis que hoje me lanças da face da terra; também da tua presença ficarei escondido; serei fugitivo e vagabundo na terra; e qualquer que me encontrar matar-me-á.


15. O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá à vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontre.


16. Então saiu Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.


17. Conheceu Caim a sua mulher, a qual concebeu, e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade, e lhe deu o nome do filho, Enoque.


18. A Enoque nasceu Irade, e Irade gerou a Meujael, e Meujael gerou a Metusael, e Metusael gerou a Lameque.


19. Lameque tomou para si duas mulheres: o nome duma era Ada, e o nome da outra Zila.


20. E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado.


21. O nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.


22. A Zila também nasceu um filho, Tubal-Caim, fabricante de todo instrumento cortante de cobre e de ferro; e a irmã de Tubal-Caim foi Naamá.


23. Disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zila ouviram a minha voz; escutai, mulheres de Lameque, as minhas palavras; pois matei um homem por me ferir, e um mancebo por me pisar.


24. Se Caim há de ser vingado sete vezes, com certeza Lameque o será setenta e sete vezes.


25. Tornou Adão a conhecer sua mulher, e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me deu outro filho em lugar de Abel; porquanto Caim o matou.


26. A Sete também nasceu um filho, a quem pôs o nome de Enos. Foi nesse tempo, que os homens começaram a invocar o nome do Senhor.


NOTA 2


O texto bíblico, nos versículos 22 e 23, não fazem referencia ao fato ou ligação de Tubal-Caim ou de Lameque com a morte de Caim, há um "salto" e perde-se a historia da vida de Lameque e de Tubal-Caim. Esta estória é relatada no livro de Jasher, o qual foi expurgado da bíblia por conter vários relatos que não interessavam a classe mandante na época e motivos outro. Segue-se à tradução mais correta que pude fazer do texto original.


4 Isaias 54


Eis que eu criei o ferreiro, que assopra o fogo de brasas, e que produz a ferramenta para a sua obra; também criei o assolador, para destruir.


Não prosperará nenhuma arma forjada contra ti; e toda língua que se levantar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor, e a sua justificação que de mim procede, diz o Senhor.


NOTA 3


Na Bíblia, o ferreiro e forjador são tratados como uma profissão criada e instruída por Deus, podendo ser até considerada dádiva divina aos seres humanos.


5 Livro de Jasher II


[ver NOTA 4]


1. E estava no trigésimo centésimo ano da vida de Adão na terra, quando soube que Eva a sua esposa, ela concebera novamente e deu a luz a um filho na sua semelhança e na sua imagem, assim, ela chamou-o pelo nome de Seth, dizendo, Porque Deus me deu outra semente no lugar de Abel, que foi morto por Caim.


2. E Seth viveu cento e cinco anos, e ele teve um filho; e Seth chamou o nome do seu filho Enosh, dizendo, Porque naquele tempo os filhos dos homens começaram a multiplicar-se, e afligir as sua almas e corações transgredindo e se rebelando contra Deus.


3. E estava pelos dias de Enosh que os filhos dos homens continuaram se rebelando e transgredir contra Deus, aumentar a raiva do Deus contra os filhos dos homens.


4. E os filhos dos homens foram e serviram outros deuses, e eles esqueceram do Deus que os tinha criado na terra: e por esses dias os filhos dos homens fizeram imagens de metal e ferro, madeira e pedra, e eles se abaixaram e curvaram e os serviram.


5. E todo homem fez o seu deus e eles se curvaram diante deles, e os filhos dos homens abandonaram o Deus em todos os dias de Enosh e as suas crianças; e foi ateada a raiva do Deus por causa dos seus trabalhos e abominações que fizeram na terra.


6. E o Deus fez as águas do rio Gihon os subjugar, e ele destruiu e os consumiu, e ele destruiu a terceira parte da terra, e assim, todavia, os filhos dos homens não desviavam dos seus maléficos modos, e as suas mãos ainda estendidas ao demônio às vistas de Deus.


7. E por esses dias lá estavam semeando, mas não estavam colhendo na terra; e não havia nenhuma comida para os filhos dos homens e a escassez era muito grande por esses dias.


8. E a semente que eles semearam por esses dias no chão se tornou espinhos, cardos e roseiras bravas; como nos dias de Adão era esta resposta relativa a terra, da maldição de Deus, pois ele amaldiçoou a terra, por causa do pecado que Adão pecou antes do Deus.


9. E era quando os homens continuaram se rebelando e transgredindo contra Deus, e corrompendo os seus modos, a terra também ficou corrupta.


10. E Enosh viveu noventa anos e ele teve Caiman;


11. E Caiman cresceu e ele tinha quarenta anos, e ele ficou sábio e teve conhecimento e habilidade em toda a sabedoria, e ele reinou em cima de todos os filhos dos homens, e ele conduziu os filhos dos homens a sabedoria e conhecimento; para Caiman era um homem muito sábio e compreensão tida em toda a sabedoria, e com a sabedoria dele ele regeu sobre os espíritos e demônios;


12. E Caiman soube pela sabedoria dele que Deus destruiria os filhos dos homens para ter pecado em terra, e que o Deus irá aos dias posteriores trazer para eles as águas da inundação.


13. E nesses dias que Caiman escreveu em tabletes de pedra, o que ira acontecer futuramente, e ele os pôs nos seus tesouros.


14. E Caiman reinou sobre a terra inteira, e ele transformou alguns dos filhos dos homens ao serviço de Deus.


15. E quando Caiman tinha setenta anos, ele teve três filhos e duas filhas.



16. E estes são os nomes das crianças de Caiman; o nome do primeiro nascido Mahlallel, o segundo Enan, e o terceiro Mered, e as suas irmãs eram Adah e Zillah; estas são as cinco crianças que nasceram de Caiman.


17. E Lamech, o filho de Methusael, foi aparentado a Caiman através do matrimônio, e ele levou as suas duas filhas como suas esposas, e Adah concebeu e da a luz a um filho a Lamech, e ele foi chamado pelo nome de Jabal.


18. E ela concebeu novamente e da a luz a um filho, e chamou o de Jubal; e Zillah, a sua irmã, era estéril por esses dias não teve nenhuma descendência.


19. Por esses dias em que os filhos dos homens começaram a infringir contra Deus, e transgredir as ordens que ele tinha comandado a Adão, ser frutífero e multiplicar na terra.


20. E alguns dos filhos dos homens fizeram as suas esposas beberem uma bebida que as faria estéril, para que eles pudessem reter as suas figuras e por meio do qual permaneceriam com sua bela aparência sem a desmaecer.


21. E quando os filhos dos homens fizeram algumas das suas esposas beberem, Zillah bebeu com eles.


22. E as mulheres grávidas se apareceram abomináveis como viúvas à vista dos seus maridos, e os seus maridos ainda viveram, no estéril deserto onde somente eles sobreviviam.


23. E no fim dos seus dias e anos, quando Zillah ficou velha, Deus abriu o seu útero.


24. E ela concebeu e deu a luz a um filho, e ela chamou-o pelo nome de Tubal-Caim, dizendo, Depois que fora eu murchada eu o obtive do Deus Todo-poderoso.


25. E ela concebeu novamente e deu a luz a uma filha, e ela chamou-a pelo nome de Naamah, porque ela disse, Depois que fora eu murchada eu obtive prazer e delícia.


26. E Lamech era velho e avançado em anos, e os seus olhos eram escuros de forma que ele não pudesse ver, e Tubal-Caim, o seu filho, o estava conduzindo e era um dia que Lamech entrou no campo e Tubal-Caim o seu filho estava com ele, e quando eles estavam entrando no campo, Caim o filho de Adão caminhou para eles; como Lamech era muito velho e não podia ver muito, e Tubal-Caim o seu filho era muito jovem.


27. E Tubal-Caim pediu ao o seu pai que puxasse o seu arco, e com as setas ele golpeou Caim que ainda estava distante e ele o matou, porque ele apareceu ser a eles um animal.


28. E as setas entraram no corpo de Caim embora ele estava distante deles, e ele caiu ao chão e morreu.


29. E o Deus equiparou o mal de Caim de acordo com a sua maldade o que ele tinha feito ao seu irmão Abel, conforme Deus havia dito.


30. E foram ao passo onde Caim tinha morrido, Lamech e Tubal foram ver o animal que eles tinham abatido, e eles viram, Caim o seu avô que estava morto sobre o chão.


31. E Lamech ficou muito afligido ao ter feito isto, e unindo as suas mãos ele golpeou o seu filho e o matou.


32. E as esposas de Lamech ouviram o que Lamech tinha feito, e elas tentaram matá-lo.


33. E as esposas de Lamech o odiaram daquele dia, porque ele matou Caim e Tubal-Caim, e as esposas de Lamech distanciaram-se dele, e não o animaram por esses dias.


34. E Lamech veio às sus esposas, e ele as forçou a escutá-lo sobre este assunto.


35. E ele disse a suas esposas Adah e Zillah, Ouçam minha voz Ó esposas de Lamech, prestem atenção em minhas palavras, pois agora vocês imaginam e dizem que eu matei um homem com minhas setas, e uma criança com meu cajado por eles não terem feito nenhuma violência, mas seguramente sabem que eu sou velho e de cabelos brancos, e que meus olhos são pesados pela idade, e eu fiz esta coisa inconscientemente.


36. E as esposas de Lamech o escutaram sobre este assunto, e elas voltaram para ele com o conselho do seu pai Adão, mas elas não deram mais nenhuma criança a ele naqueles tempos, sabendo que a raiva de Deus estava aumentando por esses dias contra os filhos dos homens, os destruirá com as águas da inundação pelas suas más ações.


37. E Mahlallel o filho de Caiman viveu sessenta cinco anos e ele teve Jared; e Jared viveu sessenta e dois anos e ele teve Enoch.


NOTA 4

[Translated to Portuguese by Codignoli, Fabio, from "Book of Jasher Referred to in Joshua and Second Samuel". Faithfully translated (1840) from the Original Hebrew into English. A Reprint of Photo Lithographic Reprint of Exact Edition Published by J.H. Parry & Co, Salt Lake City: 1887].


NOTA 5


O Livro de Adão (II. 13) diz que Lamech estava armado com um arco e setas grandes, e uma funda e pedras. Uma seta perfurou um lado de Caim, e uma pedra da funda de Lamech batida entre seus olhos. Lamech golpeou o jovem sobre que o conduzia acidentalmente, mas depois ele esmagou a cabeça dele com uma pedra. Há muitas versões da história em árabe, etiopino, e hebreu, mas todos eles concordam em detalhes essenciais. De acordo com o Livro da Abelha (XVIII), a bigorna, martelo, pinças, esquadro e o compasso foram inventados por Tubal-Caim e Jubal que também construíram instrumentos musicais, harpas e flautas; diziam os povos que demônios viviam nas flautas e faziam soá-las.


ASSIM APÓS MOSTRADAS AS PESQUISAS INICIAIS, VAMOS CONHECER UMA OUTRA HISTÓRIA, QUE CABERÁ AO LEITOR DECIDIR COM QUAL DELAS FICA:


Segundo Martinez de Pasqually, em sua obra “Tratado da Reintegração dos Seres”, edição autêntica conforme o manuscrito de Louis-Claude de Saint-Martin, organizada e apresentada por Robert Amadou, 2ª Edição da Ordem Rosa Cruz (AMORC), Curitiba, PR, 2008, CAIM teria sido assassinado pelo seu filho Booz ou Boaz, conforme se extrai dos textos que seguem:


75 — Punição de Caim.


Isso é tudo o que tenho a vos dizer sobre o número nonário, posto que quero vos fazer conhecer também os outros modelos consideráveis que Caim fez neste universo. Ensinar-vos-ei que Caim fez o modelo da eleição dos profetas que o Criador haveria (p.134)


de enviar, com o tempo, entre a posteridade de Adão. Foi-vos ensinado que, depois que Caim destruiu o indivíduo de seu irmão Abel, ele se retirou para sua morada costumeira, onde, pondo-se a refletir sobre seu crime, sobreveio-lhe uma voz espiritual divina que lhe perguntou o que era feito de seu irmão. Caim respondeu bruscamente: 'Acaso fizeste-me guardião de meu irmão?". Depois dessa resposta, o espírito exerceu sobre ele uma atração tão considerável, seja sobre sua forma corporal, seja sobre seu ser menor, que ele foi imediatamente vencido e, nesta situação, ele se lamentou ao Criador, dizendo: "Senhor, aqueles que me encontrarem matar-me-ão". A essa consideração, o Eterno, pai de misericórdia, vendo a consternação de Caim e querendo preserva-lo da reprovação e da vingança que sua posteridade pudesse praticar contra ele, fez com que ele fosse marcado com um selo preservativo e o espírito que o marcou disse: "Por ordem do Eterno, todo aquele que atacar Caim mortalmente será sete vezes punido com a morte". Caim se retirou, em seguida, com suas irmãs, ao lugar para onde ele fora relegado por ordem do Eterno. Nesse lugar, ele teve uma posteridade de dez machos e onze fêmeas. Ele construiu, nesse mesmo lugar, uma cidade a que deu o nome de Enoque. Ele imaginou, para cooperar em sua empreitada, explorar as entranhas da terra e preparou as matérias que retirou dali, a fim de lhes dar as formas adequadas aos usos que ele queria fazer delas. Ele fez essa operação junto com o seu primogênito, a quem chamara de Enoque. O seu segredo, seja para a descoberta das minas, seja para a fonte dos metais, deixou-o para o segundo filho, chamado Tubal-Caim. Foi disso que chegou até nós que Tubal foi o primeiro a descobrir a fonte dos metais.


76 Caim assassinado por seu filho Booz.


Caim era um grande caçador e, do mesmo modo, educou seus filhos machos para a caça, sobretudo seu décimo filho, a quem ele dedicara toda sua afeição. Ele não deu a esse filho (p.135)

nenhum outro talento além da caça; seus outros filhos eram mais inclinados aos trabalhos de imaginação e às obras manuais. Caim deu a esse décimo filho o nome de Boaz, ou Booz, que quer dizer filho do assassinato. Foi esse último filho que deu morte ao seu pai Caim, o que aconteceu da seguinte maneira. Tendo Caim decidido ir à caça de animais selvagens, acompanhado de dois filhos de Enoque, seus netos, não avisou seu filho Booz da caçada que planejara fazer no dia seguinte. Booz, por sua vez, planejou, com dois de seus sobrinhos, filhos de Tubal-Caim, ir à caça no mesmo dia que seu pai, mas, igualmente, sem preveni-lo de seu plano. Booz, não tendo filhos, depositara toda sua amizade nesses dois sobrinhos. Assim, partiram juntos para a caçada, mas Booz, sem o saber, tomou o mesmo caminho que seu pai Caim e, estando ambos num bosque que eles estavam acostumados a bater, Booz percebeu a sombra de uma figura através desse bosque chamado Onam, que quer dizer dor. Booz, então, desferiu uma flechada que foi transpassar o coração de seu pai, tendo-o tomado por um animal selvagem. Imaginai a surpresa e o estremecimento de Booz, quando ele foi até o lugar aonde havia atirado sua flecha e viu o seu pai morto por sua própria mão. A dor de Booz foi ainda maior, porque ele conhecia a punição e a ameaça que o Criador lançara contra todo aquele que atacasse a pessoa de Caim. Ele sabia que aquele que tivesse essa infelicidade seria golpeado sete vezes com pena mortal, isto é, seria punido sete vezes com a morte. (Mais adiante explicarei a punição de sete vezes com a morte). Booz chamou seus dois sobrinhos e lhes mostrou o cadáver. Assim que reconheceram a forma e a figura de Caim, lançaram um grande grito de surpresa e fizeram, ao mesmo tempo, um sinal de horror, o que aumentou ainda mais a desolação do infeliz Booz. Depois de lhes contar como ele fora a causa inocente da destruição da forma corporal de seu pai Caim, disse-lhes: "Meus amigos, (p.136)

sois testemunhas de meu crime, ainda que involuntário; transgredias ordens e a proibição do Criador, sou culpado diante do Eterno e diante dos homens. Sou o mais novo dos filhos de Caim, o último de toda sua posteridade, o mais culpado e o mais criminoso. Vingai na pessoa desse último nascido a morte de seu pai e o escândalo que venho de vos dar". O intelecto demoníaco, que conhecia a fraqueza dos homens na aflição, logo suscitou uma paixão exacerbada de vingança nos dois sobrinhos de Booz, por causa da morte de Caim. Eles armaram seus arcos com flechas para atirá-las em seu tio. Mas quando estavam prestes a lançá-las sobre ele, uma voz se fez ouvir e disse: "Quem matar aquele que matou Caim será punido setenta vezes sete vezes com a morte". (O que também explicarei mais adiante). A essa atemorizante voz espiritual divina, os dois sobrinhos de Booz caíram para trás, mas, voltando de seu desfalecimento, entregaram suas armas a Booz, dizendo: "O

Criador te perdoou, Booz, pela morte que deste ao teu pai Caim. Somos agora os mais culpados diante do Eterno, porque voluntariamente concebemos executar era ti o nosso pensamento vingativo". Booz respondeu aos seus sobrinhos: "Que a vontade do Criador se cumpra!". Após essa resignação de Booz, dirigiram-se todos juntos para a cidade de Enoque. A tristeza e o abatimento com que se apresentaram na cidade puseram a posteridade de Caim em suprema consternação. Essa dor foi ainda redobrada quando essa posteridade ficou sabendo que a destruição da forma de seu pai Caim fora feita pelo último filho deste mesmo pai. O infeliz Booz, vendo-se reduzido a uma inimizade geral de toda a primeira posteridade de Caim e dos descendentes desta mesma posteridade, foi forçado a se afastar desse bando de possuídos de intelecto demoníaco e foi ter seu recolhimento no deserto de Jezanias, que quer dizer escutar o Criador. Foi nesse lugar que Booz terminou

seus dias em melancolia e penitência. Eis (p.137)

como Caim foi o verdadeiro modelo de profecia quando disse, após o crime que cometeu em seu irmão Abel: "Aqueles que me encontrarem, Senhor, matar-me-ão". Não foi ele encontrado por seu filho num bosque? Não foi ele, efetivamente, morto por um homem, tal como dissera? O que forma realmente o modelo de profecia é que o encontro das duas pessoas, Caim e Booz, não foi

premeditado e tanto um como o outro estavam, sem saberem um do outro, no lugar em que Caim recebeu o golpe da morte.


77 — Erro dos homens do século sobre o parricídio precedente.


Quero vos fazer notar o quanto é ridícula e absurda a observação que os homens do século fizeram sobre o parricídio de Caim por seu filho Booz. Esse modelo, desconhecido da grande maioria dos homens de hoje, levou-os a crer e mesmo garantir que Adão não é o primeiro homem, porque, dizem eles, quando Caim matou seu irmão Abel disse ao Criador: "Senhor, que vai ser de mim? Aqueles que me encontrarem matar-me-ão". Se esses homens fossem instruídos sobre o modelo que essas palavras dirigidas ao Criador representam, veriam claramente que este era o modelo dos profetas por virem e das profecias, conforme vimos efetuar-se realmente entre os homens da terra e no próprio Caim. Mas, dirme-eis, como podia o Criador enviar profetas aos homens, para contê-los em suas ações contrárias às leis que ele lhes dera, já que dizeis que o Criador não toma nenhuma parte nas causas segundas que se operam entre os homens? Responderei que o Criador não pode ignorar o ser pensante demoníaco que opera continuamente fatos sedutores e perniciosos para o menor espiritual, assim como já havia acontecido na sedução de Adão e de sua posteridade. O Criador, em consequência, julgou necessário, para o bem do homem, eleger espiritualmente seres menores e dotá-los do espírito profético, não apenas para (p.138)

conter o homem nas leis, nos preceitos e nos mandamentos que ele lhe dera, mas também para o grande molestamento dos espíritos malignos e para a manifestação de sua grande glória divina. O pensamento do ser espiritual bom ou mau comete a ação boa ou má perante o Criador, e eis como o Eterno toma conhecimento das causas segundas.


78 — Recolhimento de Booz no deserto de Jezanias.


Vejamos agora qual é o modelo que faz o retiro de Booz no deserto de Jezanias. Sendo Booz o último filho da posteridade direta de Caim e completando, por sua posição, o número denário, não é duvidoso que ele fosse dotado de alguns dons espirituais divinos, para ser uma figura e um exemplo real da grande misericórdia que o Criador concede, em qualquer circunstância que seja, para o bem do ser menor espiritual e maior perverso, quando os espíritos invocam-no sinceramente. Deveis compreender isso claramente pela graça que o Criador concedeu a Booz, que era duplamente criminoso: primeiro, por ter assistido ao culto dos demônios preferencialmente ao do Criador, tendo tido um conhecimento perfeito de um e do outro, e por se ter deixado arrastar pelo exemplo e o falso hábito contraído entre a posteridade de Caim, seja por medo das penas temporais que essa posteridade o faria sofrer, seja por sua própria satisfação pessoal. Em segundo lugar, Booz foi criminoso por ter matado seu pai Caim e ter, com isto, desobedecido as proibições que o Criador fizera de antemão à posteridade de Caim, após o crime cometido sobre a pessoa de Abel. Não é que o Criador tenha, com isso, previsto a conduta futura das causas segundas que operariam entre essa posteridade (sabeis o que já vos disse a este respeito), mas era para fazer os príncipes dos demônios sentirem, por esta proibição, que ele conhecia sua conduta atroz e que queria prevenir os homens das abominações que esses demônios (p.139)

poderiam operar contra eles, como já haviam operado para a queda de Adão e para a de sua primeira posteridade. Os próprios homens não julgam sempre a conduta futura de seus semelhantes pela conduta passada, a despeito do falso provérbio que reina entre eles, de que um homem não pode responder por si nem por sua conduta futura? Não sabemos, aliás, que o Criador é mais forte e mais poderoso que os demônios e que seu mais forte furor demoníaco nada mais faz além de atrair para eles novas maldições, quando ele se eleva contra o Criador ou contra o justo menor, cujo edifício é inquebrantável quando construído sobre a mínima base espiritual divina? Não sabemos, enfim, que aquilo que o Senhor guarda está bem guardado? Era simplesmente sobre essa potência invencível e sobre a justiça imutável do Criador que estavam fundadas todas as proibições e todas as ameaças que ele fez à posteridade de Caim.


(Tratado da Reintegração dos seres-Martinez de Pasqually)


Ora texto bíblico de Gênesis deixa implícito que Caim poderia ter sido assassinado por seu descendente Lameque, quando fala sobre o castigo que este enfrentaria:


E disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zilá, ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai o mei duto: porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar. Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete. (Gênesis 4:23-24)


Lameque é um personagem bíblico do Antigo Testamento mencionado no livro de Gênesis como filho de Metusael e um dos descendentes de Caim da quinta geração deste, que teria cometido o segundo homicídio na história da humanidade e foi o primeiro homem a praticar a poligamia.


Caim, depois de ter matado a seu irmão Abel, tornou-se pai de Enoque e criou uma cidade em homenagem a seu filho onde supõe que teria passado a morar.


A Bíblia diz que Lameque teve duas esposas. O nome da primeira era Ada que teria sido mãe de Jabal e de Jubal. Já a segunda esposa chamava-se Zilá que foi mãe de Tubalcaim e de Naamá.


Segundo Gênesis 4:23-24, pode-se dizer que Lameque teria assassinado o próprio Caim e mais uma outra pessoa, o que estaria implícito no texto bíblico quando fala a respeito de seu castigo que seria setenta vezes maior do que o de seu ancestral. Isto porque o verso 24 diz que será vingado setenta vezes sete:


Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete.


Tal suposição baseia-se também no fato do texto bíblico não dar outra informação a respeito da morte de Caim. (uma das fontes:Wikipédia)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Por que somos Rosacruzes?

por RALPH M. LEWIS, FRC


Apergunta quanto ao porquê de sermos Rosacruzes poderia apresentar muitas respostas diferentes.

Poderia haver tantas respostas distintas quantos são os Membros da AMORC. Porém, por trás das diversas respostas há uma causa comum, e essa causa se expressa em outra questão: Por que estamos aqui? Toda pessoa reflexiva, de qualquer idade, alguma vez ponderou sobre esta questão. O ser humano tem pressuposto e sinceramente acreditado possuir um vínculo com o Infinito. Acredita haver energias intangíveis, uma inteligência psíquica que o liga à causa primeira de tudo. Além disso, o homem tem mostrado propensão a considerar a mente superior à matéria. Tem, em geral, contestado a noção de que a totalidade da mente humana seja um subproduto da matéria em movimento. O homem tornou-se capaz de empregar a mente para levar forças físicas da natureza a obedecer a sua vontade. A mente tornou-o causativo em seu mundo.


Consequentemente, pareceu coerente ao ser humano que uma inteligência correspondente, porém superior, se encontrasse além de toda a realidade. Parecia ilógico que o Cosmos fosse desprovido desse poder de que o próprio homem tanto se orgulhava. Por conseguinte, o ser humano concluiu que uma Inteligência Infinita, que tudo criara, também o impregnaria. O homem estabeleceu ideais para si mesmo. Conduz seu organismo no sentido desses ideais. Acredita, portanto, que a Inteligência Infinita, Transcendental ou Cósmica deva também ter um propósito final superior em relação ao homem.

Porém, é difícil para este conciliar as experiências humanas com a crença num propósito divino. Não há caminhos bem definidos que conduzam a ideais concretos de felicidade. O caminho da vida é entremeado de eventos variados. Alguns abrigam o bem; outros, o mal. A sorte humana varia quase diariamente, como um cata-vento na tempestade. Milhões de homens e mulheres se têm lamuriado como o antigo filósofo epicurista, Lucrécio. Lamentava este: "Por que trazem doenças, em sua passagem, as estações do ano? Por que a morte prematura em toda parte espreita? A criança recém-nascida enche o quarto de lamentos tristes. Bem o faz, que seu destino será andar pela vida através de numerosos infortúnios".


Por que

estamos aqui?

Será o homem, afinal, apenas um produto de forças mecânicas não-pensantes do universo? Deve ele andar pela vida aos tropeções, tentando agarrar as saias do destino? Se há uma missão para seres como o homem, qual será? Isto


“ O homem conhece a

certeza da morte, do fim

da existência física. Supõe,

espera e acredita haver

uma continuação da vida

após a morte. ?”


resultou na pergunta quase universal: Por que estamos aqui?. Ao buscar sua resposta, o homem busca a segurança. Necessita de uma certeza pessoal que lhe possibilite a paz de espírito.

Há homens que pensam que a vida, como a vivem, lhes foi predeterminada. Crêem necessário submeter-se às vicissitudes da vida. Para eles, a existência é como uma bola de bilhar, rolando e desencadeando eventos à sua passagem. Esperam que nalgum ponto do caminho caiam na caçapa certa de uma jubilosa vitória na vida; se não o conseguirem nesta existência consegui-lo-ão na vida após a morte.


Outros há que acreditam que a felicidade e a paz de espírito constituem responsabilidade exclusiva do próprio homem. Adotam o ponto de vista de que não há certeza cósmica, mas apenas possibilidade. Existem fatores tanto de miséria quanto de felicidade. Tais pessoas crêem que compete à mente humana determinar valores e relações corretas. Estão convencidas de que somos nós próprios, ao vivermos os mistérios da vida, que podemos responder à questão "Por que estamos aqui?".


Quem assim pensa são os Rosacruzes. Se não pensamos deste modo, não somos Rosacruzes no sentido tradicional.


Como Rosacruzes, portanto, devemos aprender a estabelecer um propósito sensato para nossa vida. Este propósito depende do nosso discernimento das relações que temos com o Cósmico. Consiste também na descoberta dos vínculos que temos com as forças da natureza, que também são Cósmicas.


Consiste, enfim, em aprendermos como estabelecer um relacionamento proveitoso com nossos irmãos humanos. Há dois caminhos rosacrucianismo para alcançá-lo. Primeiro, a eliminação dos valores negativos. Por negativos entendemos ideias, noções e crenças que inibem nossos poderes e funções naturais. A ação é o positivo. O negativo é a inércia correspondente. Nem toda ação, naturalmente, é boa, como também nem sempre o controle e o refre¬amento são errados. Porém, se algo há que devemos realizar cósmica, moral ou socialmente, e não o realizarmos, isto constituirá, então, uma atitude adversa, negativa.


Entre os grandes negativos que devemos combater encontram-se os temores associados à morte. E natural que o homem tema a morte. Esta significa o exato oposto da vida, a cessação de toda a atividade de que consiste a existência. Permanentemente, há em nossa subconsciência o inelutável impulso para ser, para viver. A mente consciente é sempre sensível a esse impulso, a essa inclinação. Por conseguinte, a morte geralmente parece um fim, uma porta que se fecha para qualquer que seja o sentido que tenhamos atribuído à vida.


O homem conhece a certeza da morte, do fim da existência física. Supõe, espera e acredita haver uma continuação da vida após a morte. A filosofia e a religião cultivam a disciplina da escatologia - que compreende a investigação ou o estudo dos fins últimos da existência humana. Tais sistemas procuram explicar a vida após a morte em termos de nossa experiência mortal e terrena. Atribuem à vida após a morte testes e provações a que se encontra sujeita a personalidade humana.


Estendem para o outro mundo valores morais como bem e mal. Admitem a existência de castigo, de punição, prescrita segundo o mal que o homem tenha cometido.


Haverá

recompensa?


Argumentam, por outro lado, que a conduta terrena adequada será recompensada após a morte com prazeres quase sensoriais de alegria e bem-aventurança. Todavia, não há acordo, nestes sistemas, quanto ao que deveria constituir o código espiritual terreno.


As religiões e as filosofias morais, nos seus escritos e sermões sagrados, se contradizem umas às outras.


Milhões de pessoas vivem temendo as conseqüências posteriores à morte. Perguntam a si mesmas se terão merecido a bem-aventurança que esta vida não proporcionou, ou se haverão de sofrer um tormento superior a qualquer experiência terrena. A vida inteira dessas pessoas é temerosa, uma confusa preparação para um futuro de incerteza. Por que deveríamos crer que o homem devesse andar desamparado, aos tropeções pela vida temporal? Por que ele teria de adivinhar o que uma deidade, um Ser Supremo desejasse ou tencionasse que ele fizesse? Por que dissociar da existência terrena as leis cósmicas e seus efeitos? Por que relacioná-los apenas a um remoto paraíso?


O ponto de

vista místico


O místico entende que a lei cósmica, o poder divino, se manifesta em qualquer nível da realidade total. Deus, o Cósmico, atua em todas as manifestações. Todas as coisas, animadas e inanimadas, são componentes da Consciência Universal. É aqui, nesta Terra, que nos decidimos por viver em harmonia ou em desarmonia com o Cósmico. Aqui é que a personalidade aprende. Não devemos pensar apenas no indivíduo, mas na humanidade, coletivamente. Um indivíduo pode parecer encontrar felicidade aqui, e outro, não. Um parece livrar-se da punição, enquanto outro, não. A espécie, porém, a humanidade como um fluxo contínuo, sofre sua compensação, seu carma, se não nesta geração ou nesta época, então numa outra.


Coletivamente, elevamos ou baixamos o nível de consciência da humanidade sobre a Terra. Pelo modo como vivemos, determinamos as recompensas ou punições que a humanidade viverá no futuro. O que estamos vivendo é o carma que por nós mesmos foi criado. Nós provocamos, de acordo com nosso bom ou mau emprego das leis cósmicas, nossas compensações aqui e agora. Com esta compreensão, nós, Rosacruzes, libertamo-nos do medo negativo, relativamente à morte, que sufoca a mente de muitos.


Para descobrirmos nosso propósito na vida, não somente é necessário que nos libertemos de conceitos negativos, porém, como Rosacruzes, que também assumamos determinados pontos de vista positivos, que nos

devem parecer tão evidentes que despertem nossos poderes e capacidades pessoais. Essas perspectivas positivas devem fortalecer-nos para todas as provações na vida. Devemos acreditar que existe uma força transcendental a que pode o homem recorrer. Não devemos pensar que o ser humano seja arrastado numa corrente de forças mecanicistas. Esse poder superior pode revitalizar o homem, emocional e fisicamente. Porém, o ser humano percebe esse poder superior como efeito, nunca diretamente como causa. A percepção desse poder superior cria imagens em sua consciência subjetiva. Essas imagens são interpretadas pelo homem de acordo com seu nível de consciência, com a profundidade do seu discernimento.


O homem se esmera em dar forma ou expressão a essa percepção cósmica. Para alguns, esse poder transcendental é antropomórfico, um ser com aparência humana e atributos humanos. Ou seja, esse ser ama, é

zeloso, terno e protetor como um pai. Para outros, esse poder transcendental apresenta--se como um juiz, sábio, severo e inexorável em seus mandamentos. De acordo com os que assim creem, esse divino juiz estabeleceu leis às quais toda a humanidade está sujeita

.

Porém, a humanidade pode, sob certas circunstâncias, a ele recorrer. Ainda para outras pessoas, esse poder superior é mente absoluta, apenas. Ou seja, concebem esse poder como uma consciência impessoal onipresente. Colocar-se em harmonia com essa consciência significa alcançar a mais profunda visão do Eu e da natureza, obtendo, com isto, domínio pessoal e paz duradoura.


Uma concepção

Pessoal


Para os Rosacruzes, um ponto é de suprema importância. Esse Deus, essa Mente Divina ou Cósmica, como queira o leitor, é sempre uma experiência pessoal transcendente e imanente, isto é, íntima. Tal experiência jamais pode ser tornada uma ideia comum, aceita sob todos os aspectos por todos os homens indistintamente. Ela constitui um sentimento no santuário da alma. Assume uma aparência característica de acordo com a mente finita do indivíduo. Por conseguinte, não é possível uma definição que estabeleça a mesma configuração da consciência cósmica em todos os homens. Por esta razão é que os Rosacruzes devem sempre se referir ao rosacrucianismo "Deus do meu coração". Com estes termos, os Rosacruzes querem dizer: Deus como experiência pessoal, como algo que cada qual pode entender.


Compreenda-se que o conceito pessoal de Deus de nenhum indivíduo é errado para si mesmo. Nem a imagem mental que alguém faça de Deus é correta para todos os outros homens. Ocorre-nos à lembrança as significativas palavras do etnógrafo Max Müller. Disse ele: "Jamais houve um falso Deus, nem houve jamais uma religião absolutamente falsa, a menos que consideremos uma criança um falso ser humano". Com uma perspectiva positiva como esta, os Rosacruzes não podem admitir a intolerância ou o preconceito religioso. Isto significa, portanto, a eliminação de um dos maiores conflitos da sociedade humana.


A verdade sempre foi procurada por razões psicológicas. O que se mostra verdadeiro granjeia confiança, pois apresenta uma natureza positiva que pode ser avaliada em relação a nós próprios. O que é verdadeiro apresenta uma qualidade distinta, que podemos aceitar ou rejeitar. Há dois conceitos genéricos com relação à natureza da verdade.


O primeiro é o de que verdade é qualquer coisa que, para nós, apresente qualidade real. Sendo a existência duvidosa, então não é verdade, segundo esta concepção. O outro ponto de vista afirma que a única verdade é aquilo que é prático e útil. Algo que não tenha aplicação em nossa vida, em nossa inteligência é, por conseguinte, considerado não verdadeiro.


Estas duas teorias nos afirmam, de fato, que nada é verdadeiro, a menos que tenha a confirmação dos nossos sentidos receptores, e que também seja para nós compreensível. Portanto, se podemos perceber algo e compreendê-lo, isto será potencialmente útil para nós. Consequentemente, os Rosacruzes entendem que nenhuma verdade se encontra fora da consciência humana. Nada é verdadeiro senão quando a mente humana o compreende como tal.


A verdade, portanto, está relacionada com o discernimento humano. Não pode haver verdades absolutas fora da experiência humana. Se não forem aceitáveis para o homem, não serão, para ele, verdadeiras. A verdade, portanto, é um valor estabelecido pelo homem a partir da percepção e das conclusões da sua razão. Não o que possa ser uma coisa, mas o que o homem possa entender que ela seja - isto é verdade.


A realidade não é estática; a totalidade do ser encontra-se em permanente mudança. A inteligência humana e o discernimento interior estão, da mesma forma, em mudança. O homem percebe esta realidade de forma variável: hoje, de um modo; amanhã, de uma perspectiva diferente. As verdades de hoje não são as mesmas de ontem, nem podem ser as mesmas de amanhã. Se fossem absolutas as verdades, então a mente humana estaria inibida, condicionada. Não poderia haver nenhum progresso, pois nada poderia ultrapassar a verdade estabelecida, a chamada verdade absoluta. Além disso, todas as verdades relativas que o discernimento humano admite teriam de ser rejeitadas. O homem não mais poderia confiar nos seus sentidos ou em sua razão.


Consequentemente, como Rosacruzes, encontramos na ciência, na filosofia e no misticismo, aquilo que no momento não pode ser refutado, e que, portanto, nos serve como verdade. Todavia, nós o rejeitamos sempre que a luz da mente humana revele uma verdade superior. Com este conceito de verdade, o Rosacruz jamais se torna dogmático ou limitado à tradição. Com o Rosacruz, a verdade se encontra sempre em processo de confirmação.


As poucas razões aqui expostas respondem à questão do porquê de haver Rosacruzes. Com estas razões são formulados ideais individuais que conduzem à felicidade pessoal. Nada é mais importante na vida do que a felicidade perfeita. Porém, ela tem de ser conquistada. Não pode ser descoberta, nem constitui um capricho do mero ato de viver.


Fonte: Revista “O Rosacruz”, nº 274, Primavera 2010 – Editada pela Ordem Rosacruz (AMORC) – Rua Nicarágua, 2620 – Bacacheri -82515-970 – Curitiba – PR – www.amorc.org.br

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

"Algumas pessoas, já potencialmente delinquentes, tornam-se advogados e se valem desse ministério público para o cometimento de crimes."

03/01/2011 12h55 - Jurídicas


Juiz Federal Odilon de Oliveira

FATO NOTÓRIO: Dr. Odilon, o senhor é conhecido nacionalmente por combater a criminalidade e o crime organizado, com condenações de criminosos de alto coturno. Conte sua trajetória de vida até chegar à magistratura federal e conquistar notoriedade nacional.
ODILON DE OLIVEIRA: Nasci em 26.02.1949, em Exu-PE. Meus pais foram pequenos lavradores durante toda a vida. Meu avô paterno era vaqueiro. Meus avós maternos eram lavradores. Aos quatro anos, em 1953, saímos de Pernambuco com destino a Mato Grosso, para participar da colonização daquele Estado. Meu pai formava uma família com doze irmãos. Alguns já se encontravam em São Paulo. Os demais, em torno de seis, vieram conosco de Pernambuco. O Governador do Estado, na época, João Ponce de Arruda, tinha interesse na imigração de nordestinos e, portanto, custeou todas as despesas com passagens. Todo mundo foi assentado em pequenos lotes rurais, na região onde hoje é o Município de Jaciara-MT. Havia uma companhia, de Presidente Prudente-SP, chamada CIPA, que era responsável, perante o governo estadual, pela colonização daquela região. Cada irmão adquiriu pequena área de terras, em torno de doze hectares. A viagem durou 15 dias. Até São Paulo, viajamos de pau-de-arara. De lá até Campo Grande, a viagem foi de trem. De Campo Grande a Jaciara, viajamos na carroceria de um caminhão. Não havia asfalto. Em Campo Grande, sem dinheiro, o grupo todo passou uma noite fria debaixo da marquise do Hotel Gaspar, que acabara de ser inaugurado. Eu e mais três irmãos fomos alfabetizados ali, na roça, em torno de uma mesa de madeira, após um dia inteiro trabalhando na roça. Aos 17 anos, deixei a roça e fui estudar numa escola do governo federal, situada em São Vicente, Município de Cuiabá-MT. Tratava-se de uma escola agrícola, edificada numa fazenda de 5.000 hectares. O aluno recebia de tudo: cama, mesa, uniforme e estudos. Em contrapartida, trabalhava nas várias atividades da escola: agricultura, pocilga, apiário, aviário, pecuária etc. Isto era uma espécie de salário (in natura), tanto que os ex-alunos podem contar o período de estudo como tempo de serviço, para fins de aposentadoria. Depois, saí da escola agrícola e fui trabalhar num hotel, fazendo serviços gerais (servindo a hóspedes, fazendo faxinas, cortando lenha etc). Estudava à noite. Meus pais, chefes de uma prole de oito irmãos, eram pobres. Não podiam pagar estudos para nenhum filho. Em 1968, vim servir ao Exército em Campo Grande-MS. Em 1970, já tendo deixado o Exército e voltado para Jaciara, lá fiz o curso normal. Em 1973, ingressei na Faculdade de Direito, em Campo Grande, formando-me em 1977. Para custear os estudos, dava aulas em Sidrolândia-MS, durante o dia. Pegava o ônibus às 05:00 horas e retorna à tardinha, indo direto para a faculdade. Em 1980, por concurso, tornei-me procurador autárquico federal. Em 1982, por concurso, tornei-me promotor de justiça. Em 1983, por concurso, tornei-me juiz de direito. Em 1987, assumi o cargo de juiz federal, exercendo minhas funções em Mato Grosso, Rondônia e Mato Grosso do Sul.

FATO NOTÓRIO: O senhor atuou de forma enérgica na região fronteiriça Brasil - Paraguai, e lá condenou criminosos tidos como “intocáveis”. Como foi esse período na fronteira?
ODILON DE OLIVEIRA: Fiquei durante uns treze meses na fronteira. Conheci muitas autoridades do Paraguai, relacionadas ao combate das drogas, dentre elas o então governador e hoje senador Robert Acevedo, profundamente empenhado na luta contra o tráfico. Como represália, é obrigado a andar escoltado e, ainda em 2010, sofreu um atentado. Foi um período de glória para a justiça federal. O relacionamento estabelecido com autoridades do Paraguai e também dos Estados Unidos (DEA) foi muito bom. Consegui extraditar entre 10 e 15 grandes traficantes brasileiros radicados naquele país. Condenei muitos intocáveis.

FATO NOTÓRIO: Neste período a imprensa nacional registrou que o senhor se tornou um ‘preso’ no quartel do Exército de Ponta Porã, pois era a única forma de estar em segurança. Aquela vida de reclusão que o senhor foi obrigado a enfrentar não coloca em xeque à justiça? Como o senhor se sentia enfrentando aquela situação?
ODILON DE OLIVEIRA: Achava muito bom, pois fazia o que gostava. Isto era o suficiente. Havia muito risco. O Exército e a polícia federal me davam segurança. O que colocaria em xeque a justiça seria a leniência do magistrado diante do crime organizado, mas isto nunca ocorreu. Todavia, muitos juízes criminais correm risco.

FATO NOTÓRIO: O fato de o Brasil ter fronteira seca com vários países contribui efetivamente para entrada de drogas e armas no país, gerando lucros altíssimos às organizações criminosas. Esses delitos, antecedem à lavagem de dinheiro. Como o senhor avalia essa situação?
ODILON DE OLIVEIRA: O Brasil tem uma fronteira seca de 16.000 km e mais 8.800 km pelo Oceano Atlântico. Faz divisa com os três maiores produtores mundiais de cocaína (Colômbia, Peru e Bolívia). A fronteira, pelo tamanho que é, dá passagem livremente ao bem e ao mal, por ela passando drogas, armas, contrabando e pirataria. Esses delitos geram uma economia paralela muito grande. Obviamente, os delinqüentes lavam esse dinheiro para colocá-lo no mercado legal. Campo Grande tem uma vara especializada em lavagem de dinheiro e crimes financeiros, da qual sou titular, com jurisdição sobre todo o Estado. Cada unidade da Federação possui uma vara dessas, todas fazendo parte de uma estratégia internacional de combate à lavagem de dinheiro proveniente de corrupção, tráfico de drogas e outros delitos de natureza econômica.

FATO NOTÓRIO: No último mês o Rio de Janeiro sofreu com ataques do crime organizado. Em resposta o governo estadual solicitou ajuda ao Governo Federal, o que foi prontamente atendido. Como o senhor avalia a união de forças (Governo Estadual e Governo Federal) no combate ao crime organizado?
ODILON DE OLIVEIRA: Pelo menos há dez anos, venho defendendo a participação das Forças Armadas no combate ao tráfico internacional de drogas. Logicamente, essas Forças teriam uma atuação mais ou menos compatível com sua formação. Atuariam na fronteira. No Rio de Janeiro, se não fosse o apoio das Forças Armadas, a polícia estadual não teria subido no morro do Alemão. O tráfico de drogas se tornou um crime transnacional. Existe um trinômio nesse cenário: países produtores, de trânsito e consumidores. A Colômbia, o Peru e a Bolívia são praticamente os únicos produtores de cocaína do mundo. O Brasil e alguns outros países são de trânsito e consumidores. A Europa e a América do Norte estão classificadas como consumidoras de cocaína. E de outras drogas também. O combate, portanto, depende de uma atuação integrada por todos os países envolvidos com o fenômeno. O Rio de Janeiro não terá sossego enquanto não houver corte de suprimento de drogas e de armas na linha de fronteira.

FATO NOTÓRIO: Os criminosos do Rio de Janeiro justificaram os atentados à criação das UPPs nas comunidades (unidade de policia pacificadora), que os obrigaram a se refugiar na Vila Cruzeiro. Em sua opinião a criação dessas unidades é válida para o combate do crime organizado?
ODILON DE OLIVEIRA: Sim, mas, sozinhas, não serão suficientes. Elas representam apenas uma pequena parte das políticas públicas com as quais o Estado do Rio de Janeiro, com o auxílio da União Federal, está em débito. A ausência do Poder Pública nos morros do Rio de Janeiro se prolongou durante muito tempo, criando uma situação cuja reversão será feita com muita dificuldade.

FATO NOTÓRIO: As ordens dos ataques no Rio de Janeiro teriam sido dadas por chefes do tráfico reclusos nos presídios federais de segurança máxima. Até que ponto esse presídios, tidos como de segurança máxima, são realmente seguros? E como isso acontece e, ainda, como essas falhas poderiam ser evitadas?
ODILON DE OLIVEIRA: Os presídios federais brasileiros são tão seguros quanto às prisões de segurança máxima dos Estados Unidos. Nenhum preso, por mais astucioso que seja, conseguirá fugir de uma penitenciária federal. O problema é que a legislação garante aos presos alguns direitos. Dentre esses direitos, quatro deles servem de canais de comunicação com o mundo exterior e, portanto, com a organização criminosa respectiva. São eles: a) visita íntima; b) visitas comuns; c) entrevista com advogados; d) remessa e recebimento de correspondências. Isto faz parte da ressocialização do preso. Para se evitar o contato com as organizações, devem ser adotadas as seguintes medidas: a) extinção de visita íntima; b) censura de correspondências; c) escuta ambiental de visitas comuns; d) escuta ambiental nos parlatórios, locais onde advogados conversam com seus clientes. Um ou outro advogado faz uso da profissão servindo à criminalidade, enquanto a grande maioria é honesta.

FATO NOTÓRIO: Escutas telefônicas dão indícios que advogados do traficante Marcinho VP, um dos chefes da facção criminosa comando vermelho (CV), transmitiram ordens para ataques terroristas contra policiais e veículos no Rio de Janeiro. Em razão dos indícios os advogados tiveram suas prisões decretadas pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Bangu, Alexandre Abrahão Dias Teixeira. Como o senhor avalia essa atuação de advogados que atuam como “pombo correio” dessas células criminosas?
ODILON DE OLIVEIRA: Isto ocorreu também em 2006, quando o PCC praticou mais de mil atentados, principalmente no Estado de São Paulo. Os advogados são essenciais à administração da justiça. Todavia, algumas pessoas, já potencialmente delinquentes, tornam-se advogados e se valem desse ministério público para o cometimento de crimes. Felizmente, são pouquíssimos, mas suas ações refletem sobre a categoria. Sou plenamente favorável à realização de escuta ambiental nos parlatórios. A comunicação do preso com o mundo exterior pode gerar duas conseqüências graves para sociedade: a) contatos e administração da organização criminosa; b) risco de seqüestros de autoridades ou de parentes para a troca por chefes de organizações. Este último é o maior perigo, porque é impossível o sujeito sair de uma penitenciária federal sem que seja por ordem judicial ou mediante esse tipo de atitude. O preso condenado a dezenas de anos de prisão não vê outra saída para ganhar liberdade. Como juiz criminal experiente e ex-corregedor da penitenciária federal de Campo Grande-MS, registro este alerta às autoridades. Se isto vier a acontecer, e já foram frustrados alguns planos, a situação ficará incontrolável.

FATO NOTÓRIO: O Senado Federal aprovou, após dois anos, o novo Código de Processo Penal. O senhor acha que o novo CPP tornará os procedimentos mais céleres? Em sua visão, o novo código é um avanço?
ODILON DE OLIVEIRA: Não haverá celeridade. Pelo contrário, algumas inovações atrasarão os processos envolvendo organizações criminosas. Um exemplo é o juiz das garantias, que atuará apenas durante as investigações policiais e ficará impedido para o processo. Quando se trata de crime organizado, normalmente são necessárias várias medidas para o impulso das investigações: monitoramente telefônico e telemático, quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo fiscal, prisão temporária, busca e apreensão, sequestro de bens etc. Nos casos simples, normalmente não há necessidades dessas medidas. A grande maioria das quase 3.000 comarcas brasileiras é de primeira entrância, possuindo apenas um juiz. Muitas delas são até de difícil acesso. Encerrado o inquérito, terá que comparecer um juiz de outra comarca, que deixará seus processos. Poderá se deslocar algumas ou várias vezes para audiências. Isto, além de gerar gastos para os cofres da União ou dos Estados, acarretará atraso no andamento desses grandes processos. No frigir dos ovos, a criminalidade organizada sairá ganhando. Haverá prescrição e, por fim, impunidade.

FATO NOTÓRIO: Até recentemente estava no presídio federal do estado de Mato Grosso do Sul aquele que é considerado o maior e mais perigoso traficante do Brasil, Luiz Fernando da Costa, cumprindo pena no regime disciplinar diferenciado. A imprensa nacional divulgou que o senhor teria indeferido alguns de seus pedidos, como o de cursar direito e receber mortadela de seus visitantes. Isso é verdade? Por quais motivos?
ODILON DE OLIVEIRA: É verdade. Penso que, em prisão federal, onde a permanência não é muito longa e a segurança deve ser extremamente rígida, não se deve permitir que o preso faça curso superior. A instrução fundamental deve haver. Receber alimentação especial, nem pensar. Numa prisão, todos devem ser tratados com absoluta igualdade. O preso de estabelecimento federal deve entrar nu e sair despido, desprovido de qualquer objeto pessoal. Cortei o envio e o recebimento de cartas, mas o Tribunal restabeleceu esse direito. Ordenei que esse preso só recebesse visitas no parlatório, onde um vidro à prova de balas separa o interno e suas visitas. O Tribunal mudou tudo.

FATO NOTÓRIO: A faixa de fronteira no Brasil é muita extensa. Na ótica do senhor qual o caminho mais adequado para evitar a entrada de drogas e armas no território nacional?
ODILON DE OLIVEIRA: São muitas as medidas. A primeira delas consiste numa efetiva cooperação entre o Brasil e os países produtores de drogas ou de passagem de entorpecentes e armas. É praticamente existente essa cooperação em relação à Bolívia e à Colômbia. A melhor integração é com o Paraguai, segundo maior produtor mundial de maconha e corredor de parte da cocaína que vem da Colômbia. O contingente da polícia federal deve ser aumentado na faixa de fronteira e os policiais devem receber um incentivo, ou seja, um adicional em seus salários. As Forças Armadas também devem atuar, realizando um trabalho compatível com a formação de seus integrantes.

FATO NOTÓRIO: O senhor vê um avanço no combate ao crime organizado no país, bem como na política de segurança pública?
ODILON DE OLIVEIRA: Não. O que vejo é um avanço da criminalidade, principalmente o narcotráfico. Em 2000, o Brasil tinha 170 milhões de habitantes e 233 mil presos, na proporção de 01 detento para um grupo de 730 habitantes. Em 2010, a população chegou com um aumento de 12%, mas a criminalidade cresceu, no mesmo período, 112%, de modo que a proporção passou de 01 preso para 388 pessoas. No tráfico, a situação foi pior. Em 2006, quando entrou em vigor a Lei 11.343/06, que descriminalizou o uso, a população era de 188 milhões de habitantes e chegou em 2010 com um crescimento de apenas 2%. Naquele ano, existiam 45 mil presos por tráfico, pulando, em 2010, para 105.500 presos, o que representa um aumento de 134%. Todavia, tem havido alguns avanços. Um deles é o projeto VANT (Veículo Aéreo não Tripulado), cuja finalidade será o monitoramento das fronteiras, acompanhando veículos, aeronaves e colhendo coordenadas geográficas. Em terra, são recebidas informações em tempo real, o que permitirá uma abordagem precisa.

FATO NOTÓRIO: No início de 2010 houve muitos comentários no Estado de Mato Grosso do Sul que o senhor seria candidato nas eleições. O senhor já pensou em disputar um mandato eletivo? Em caso de resposta afirmativa, qual cargo e quais metas o senhor buscaria cumpri-las?
ODILON DE OLIVEIRA: Fui convidado por alguns partidos para disputar qualquer cargo. Já pensei em me aposentar e entrar na vida política. Penso que meu perfil seria mais para o Senado. As metas seriam várias, destacando-se: a) endurecimento da legislação contra o crime organizado, melhorando, assim, a segurança pública; b) melhoria no sistema público de saúde, que é uma calamidade; c) educação para todos.

Fonte: Fato Notório-Jurídico – Clique aqui para conferir.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

CABRAS ARTEIRAS

Para quem não imagina o que esses bichinhos podem fazer, aqui estão umas fotos que recebi por e.mail - vejam:

Barragem de Cingino na Itália

Incrível e verídico!



Esta é a Barragem de Cingino na Itália, mas olhem mais de perto...









É mais conhecido como o Ibex Europeu ou Ibex Alpine (Ibex de Capra).Comem musgo, flores e sais minerais que se acumulam nas paredes da barragem.