terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A ALEGORIA DA CAVERNA (de PLATÃO) NOS DIAS ATUAIS



Por Luiz Carlos Nogueira

nogueirablog@gmail.com


Vamos inicialmente trazer ao leitor, a informação sobre “O Mito da Caverna”, também conhecido como “A Alegoria da Caverna” (alguns também chamam de Os Prisioneiros da Caverna ou de A parábola da caverna), que foi escrita pelo filósofo Platão e que pode ser lida no Livro VII da sua obra intitulada “A República”. Nessa alegoria Platão mostra como podemos nos libertar e sairmos da condição de escuridão (ignorância) que nos encontramos aprisionados, através da luz da verdade (conhecimento).


O que Platão expôs em “O Mito da Caverna”, trata-se de uma metáfora da condição humana perante o mundo, evidenciando a importância do conhecimento filosófico e da educação, porque são formas de superação da ignorância, que nos abre a possibilidade de sairmos do senso comum da visão de mundo, para a realidade da vida, de uma forma racional, sistematizada e organizada, que busca as respostas não pelo acaso.


Segundo essa metáfora, para Platão o processo para a obtenção da consciência abrange dois domínios, ou seja: o domínio das coisas sensíveis e o domínio das idéias, posto que, a realidade está no mundo das idéias, mas a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, no mundo das coisas sensíveis, no grau da apreensão de imagens que são mutáveis e, por isso, não podem ser objetos de conhecimento.


Em algumas palavras a alegoria consistia do seguinte: Havia um muro muito alto que separava o mundo externo de uma caverna, na qual havia uma fresta por onde passava luz vinda de fora. No interior da caverna haviam seres humanos que nasceram e cresceram ali.


Esses habitantes da caverna ficavam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder locomover-se, forçados a olhar somente para a parede do fundo da caverna, para onde eram projetadas sombras de outros homens que viviam do outro lado do muro e faziam fogueira durante a noite, além de produzirem ruídos e sons que também penetravam naquela “prisão”, de tal modo que os prisioneiros, associavam as imagens e os sons, julgando-os serem a realidade.



Assim, se imaginarmos que um dos prisioneiros conseguisse se libertar e, aos poucos fosse se movendo e acostumando seus olhos à luz; depois caminhasse na direção do muro, e não obstante as dificuldades e obstáculos encontrados, o escalasse, logo terminaria saindo completamente da caverna e descobrindo que não apenas as sombras e os sons eram produzidos por homens como eles, assim como também lhe descortinaria todo o mundo e a natureza.


Por conseguinte, segundo Platão, se ele decidisse voltar à caverna para explicar aos seus companheiros a situação de engano em que se encontram, correria graves riscos, por exemplo, como o de simplesmente ser ignorado, ou o pior, de ser agarrado e morto por eles, que o considerariam louco e mentiroso.


Tomando essa alegoria emprestada, Maurício de Souza adaptou-a numa versão moderna, utilizando-se dos seus desenhos em quadrinhos. O desenhista colocou nos quadrinhos uma situação quase idêntica, na qual três homens antigos se colocam a admirar as sombras das pessoas que passam na frente da caverna. Piteco é colocado como um filósofo que faz os homens saírem da caverna, para ver a luz e tudo que existe fora dela.


Ocorre, porém, que nos quadrinho do Maurício ele compara a metáfora de Platão com os dias atuais, em que as pessoas ficam presas às idéias pré-urdidas, achando que são as únicas realidades existentes, onde a TV funciona como o fundo da caverna; só que em vez de receber as imagens projetadas ela é que projeta nas mentes das pessoas, toda sorte de desinformações, banalidades, propagandas ideológicas subliminares, incitação ao consumo de bens supérfluos, ditando modas e costumes, músicas (se é que podemos chamar de músicas) com letras de baixarias, novelas com maus exemplos de comportamento social; enfim, de coisas que até diabo se incomoda ou tem nojo. Não existem muitos programas inteligentes que divertem e educam.


Como a adaptação e sátira da Alegoria da Caverna feita por Maurício de Souza é inteligente e magistral, merece ser vista. Para melhor visualizá-la o leitor poderá acessar este link: http://www.monica.com.br/comics/piteco/pag1.htm


Para conhecimento do leitor, segue o diálogo entre Sócrates e Glauco,
extraído de "A República" de Platão . 6° ed. Ed. Atena, 1956, p. 287-291):

SÓCRATES – Figura-te agora o estado da natureza humana, em relação à ciência e à ignorância, sob a forma alegórica que passo a fazer. Imagina os homens encerrados em morada subterrânea e cavernosa que dá entrada livre à luz em toda extensão. Aí, desde a infância, têm os homens o pescoço e as pernas presos de modo que permanecem imóveis e só vêem os objetos que lhes estão diante. Presos pelas cadeias, não podem voltar o rosto.


Atrás deles, a certa distância e altura, um fogo cuja luz os alumia; entre o fogo e os cativos imagina um caminho escarpado, ao longo do qual um pequeno muro parecido com os tabiques que os pelotiqueiros põem entre si e os espectadores para ocultar-lhes as molas dos bonecos maravilhosos que lhes exibem.


GLAUCO - Imagino tudo isso.


SÓCRATES - Supõe ainda homens que passam ao longo deste muro, com figuras e objetos que se elevam acima dele, figuras de homens e animais de toda a espécie, talhados em pedra ou madeira. Entre os que carregam tais objetos, uns se entretêm em conversa, outros guardam em silêncio.


GLAUCO - Similar quadro e não menos singulares cativos!


SÓCRATES - Pois são nossa imagem perfeita. Mas, dize-me: assim colocados, poderão ver de si mesmos e de seus companheiros algo mais que as sombras projetadas, à claridade do fogo, na parede que lhes fica fronteira?


GLAUCO - Não, uma vez que são forçados a ter imóveis a cabeça durante toda a vida.


SÓCRATES - E dos objetos que lhes ficam por detrás, poderão ver outra coisa que não as sombras?


GLAUCO - Não.


SÓCRATES - Ora, supondo-se que pudessem conversar, não te parece que, ao falar das sombras que vêem, lhes dariam os nomes que elas representam?


GLAUCO - Sem dúvida.


SÓRATES - E, se, no fundo da caverna, um eco lhes repetisse as palavras dos que passam, não julgariam certo que os sons fossem articulados pelas sombras dos objetos?


GLAUCO - Claro que sim.


SÓCRATES - Em suma, não creriam que houvesse nada de real e verdadeiro fora das figuras que desfilaram.


GLAUCO - Necessariamente.


SÓCRATES - Vejamos agora o que aconteceria, se se livrassem a um tempo das cadeias e

do erro em que laboravam. Imaginemos um destes cativos desatado, obrigado a levantar-se de repente, a volver a cabeça, a andar, a olhar firmemente para a luz. Não poderia fazer tudo isso sem grande pena; a luz, sobre ser-lhe dolorosa, o deslumbraria, impedindo-lhe de discernir os objetos cuja sombra antes via.


Que te parece agora que ele responderia a quem lhe dissesse que até então só havia visto fantasmas, porém que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, via com mais perfeição? Supõe agora que, apontando-lhe alguém as figuras que lhe desfilavam ante os olhos, o obrigasse a dizer o que eram. Não te parece que, na sua grande confusão, se persuadiria de que o que antes via era mais real e verdadeiro que os objetos ora contemplados?


GLAUCO - Sem dúvida nenhuma.


SÓCRATES - Obrigado a fitar o fogo, não desviaria os olhos doloridos para as sombras que poderia ver sem dor? Não as consideraria realmente mais visíveis que os objetos ora mostrados?


GLAUCO - Certamente.


SÓCRATES - Se o tirassem depois dali, fazendo-o subir pelo caminho áspero e escarpado, para só o liberar quando estivesse lá fora, à plena luz do sol, não é de crer que daria gritos lamentosos e brados de cólera? Chegando à luz do dia, olhos deslumbrados pelo esplendor ambiente, ser-lhe ia possível discernir os objetos que o comum dos homens tem por serem reais?


GLAUCO - A princípio nada veria.


SÓCRATES - Precisaria de algum tempo para se afazer à claridade da região superior. Primeiramente, só discerniria bem as sombras, depois, as imagens dos homens e outros seres refletidos nas águas; finalmente erguendo os olhos para a lua e as estrelas, contemplaria mais facilmente os astros da noite que o pleno resplendor do dia.


GLAUCO - Não há dúvida.


SÓCRATES - Mas, ao cabo de tudo, estaria, decerto, em estado de ver o próprio sol, primeiro refletido na água e nos outros objetos, depois visto em si mesmo e no seu próprio lugar, tal qual é.


GLAUCO - Fora de dúvida.


SÓCRATES - Refletindo depois sobre a natureza deste astro, compreenderia que é o que produz as estações e o ano, o que tudo governa no mundo visível e, de certo modo, a causa de tudo o que ele e seus companheiros viam na caverna.


GLAUCO - É claro que gradualmente chegaria a todas essas conclusões.


SÓCRATES - Recordando-se então de sua primeira morada, de seus companheiros de escravidão e da idéia que lá se tinha da sabedoria, não se daria os parabéns pela mudança sofrida, lamentando ao mesmo tempo a sorte dos que lá ficaram?


GLAUCO - Evidentemente.


SÓCRATES - Se na caverna houvesse elogios, honras e recompensas para quem melhor e mais prontamente distinguisse a sombra dos objetos, que se recordasse com mais precisão dos que precediam, seguiam ou marchavam juntos, sendo, por isso mesmo, o mais hábil em lhes predizer a aparição, cuidas que o homem de que falamos tivesse inveja dos que no cativeiro eram os mais poderosos e honrados? Não preferiria mil vezes, como o herói de Homero, levar a vida de um pobre lavrador e sofrer tudo no mundo a voltar às primeiras ilusões e viver a vida que antes vivia?


GLAUCO - Não há dúvida de que suportaria toda a espécie de sofrimentos de preferência a viver da maneira antiga.


SÓCRATES - Atenção ainda para este ponto. Supõe que nosso homem volte ainda para a caverna e vá assentar-se em seu primitivo lugar. Nesta passagem súbita da pura luz à obscuridade, não lhe ficariam os olhos como submersos em trevas?


GLAUCO - Certamente.


SÓCRATES - Se, enquanto tivesse a vista confusa -- porque bastante tempo se passaria antes que os olhos se afizessem de novo à obscuridade -- tivesse ele de dar opinião sobre as sombras e a este respeito entrasse em discussão com os companheiros ainda presos em cadeias, não é certo que os faria rir? Não lhe diriam que, por ter subido à região superior, cegara, que não valera a pena o esforço, e que assim, se alguém quisesse fazer com eles o mesmo e dar-lhes a liberdade, mereceria ser agarrado e morto?


GLAUCO - Por certo que o fariam.


SÓCRATES - Pois agora, meu caro GLAUCO, é só aplicar com toda a exatidão esta imagem da caverna a tudo o que antes havíamos dito. O antro subterrâneo é o mundo visível. O fogo que o ilumina é a luz do sol. O cativo que sobe à região superior e a contempla é a alma que se eleva ao mundo inteligível. Ou, antes, já que o queres saber, é este, pelo menos, o meu modo de pensar, que só Deus sabe se é verdadeiro. Quanto à mim, a coisa é como passo a dizer-te. Nos extremos limites do mundo inteligível está a idéia do bem, a qual só com muito esforço se pode conhecer, mas que, conhecida, se impõe à razão como causa universal de tudo o que é belo e bom, criadora da luz e do sol no mundo visível, autora da inteligência e da verdade no mundo invisível, e sobre a qual, por isso mesmo, cumpre ter os olhos fixos para agir com sabedoria nos negócios particulares e públicos.


Outra fonte com os quadrinhos do Maurício: http://oqueemeuenosso.blogspot.com/2009/11/piteco-e-o-mito-da-caverna.html

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

QUEM MATOU CAIM? - Pesquisas


Luiz Carlos Nogueira

nogueirablog@gmail.com


Inicialmente seguem as informações bíblicas a respeito de quem eram, JAKIN, BOAZ e TUBALCAIM.


JAKIN Palavra hebraica derivada de Jah, abreviatura de Jeová (sal. 68:4), e de achim (estabelecer) que significa: estabilidade, firmeza ou força. Que se traduz - “minha força está em Deus”. Jakin foi o quinto filho de “Salomão”. A inicial de seu nome figurou na segunda coluna do Tempo de Salomão, onde se erguia do lado direito, ao Sul, no pórtico ou à entrada (1 Reis 7;21), cujo uso, se conserva até hoje nos Templos Maçônicos, ao lado da outra coluna denominada Boaz (na fôrça), do lado esquerdo da entrada, ao Norte. As duas colunas juntas, segundo Joaquim Gervásio de Figueiredo, significam “Deus se estabelecerá em fôrça” ou “como uma fortaleza”.


BOOZ ou BOAZ. Foi o décimo filho de Caim, esposo de Ruth e o bisavô de Davi (Ruth 1:13-22). Esse nome foi dado à primeira coluna do Templo de Salomão, à esquerda do pórtico (1 Reis 7:21 e II Crôn. 3:17), ao Norte.

JACHIN (pronuncia-se Jáquim) juntamente com BOAZ são duas colunas de cobre, e que ficavam à frente do Templo de Salomão, o primeiro Templo em Jerusalém. Outras versões da Bíblia referem e elas como de "latão" (decoração) ou bronze.[carece de fontes?] O Período se refere à idade do Bronze. [carece de fontes?]


BOAZ, na esquerda, e Jachin, na direita. Os pilares tinham uma dimensão de quase 6 pés (1.8 m) de espessura e 27 pés (8,2 m) de altura. Os 2,4 m de altura da decoração do capitel suportavam a decoração de lírios de bronze. Foi originalmente descrito a partir da Bíblia, como côvado, que regista que os pilares tinham dezoito côvados (alto) e cerca de doze côvados ao redor, e oco, com 4 dedos de espessura. (Jeremias 52:21-22). Redes de "checkerwork" cobria a tigela de cada capitel, decoradas com linhas de duzentas romãs, coberto com sete cadeias de cada um dos capitéis, e cobertas com lírios. (1 Reis 7:13-22, 41-42).

TUBAL CAIM, FORJADOR DE INSTRUMENTOS METALICOS DE CORTE: Um símbolo do despertar do intelecto com seus poderes incisivos de análise e discriminação.


FERRO COBRE e o BRONZE: Simbolismo da mentalidade, o plano mental; comparáveis aquilo o que é firme e duradouro. Cobre significa bondade natural; ferro, a verdade natural.


Gênesis IV, 22. Zillah também teve um filho, Tubal-Caim, fabricante de todo instrumento cortante de cobre e de ferro; e a irmã de Tubal-Caim foi Naamah.


INSTRUMENTOS CORTANTES DE COBRE E FERRO: - Simbolismo dos poderes incisivos intelectuais de análise e discriminação.


Incisivo = penetrante, direto e decisivo. Sinônimo = contundente.


METAIS: -Símbolos de qualidades superiores e inferiores; tais como:


Ouro: sabedoria; Prata: intelecto superior; Ferro: intelecto inferior; Bronze ou latão: o intelecto.


A verdade figurativa dos metais; ouro e prata representam aqueles que são mais preciosos e espirituais; Bronze e ferro representam aqueles de uma classe inferior ligada com o mundo material.


FORJADORES, FERREIROS, OU TRABALHADORES NO METAL: Simbolismo de qualidades intelectuais disciplinadas pelo Espírito, e dirigidas e energizadas pela percepção espiritual. (Fogo) e (Ar).


3 Gênesis IV


1. Conheceu Adão a Eva, sua mulher; ela concebeu e, tendo dado à luz a Caim, disse: consegui do Senhor um varão.


2. Tornou a dar à luz a um filho-a seu irmão Abel. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.


3. Ao cabo de dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor.


4. Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura. Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta,


5. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Pelo que se irou Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante.


6. Então o Senhor perguntou a Caim: Por que te iraste? E por que está descaído o teu semblante?


7. Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? E se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar.


8. Falou Caim com o seu irmão Abel. E, estando eles no campo, Caim se levantou contra o seu irmão Abel, e o matou.


9. Perguntou, pois, o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Respondeu ele: Não sei; sou eu o guarda do meu irmão?


10. E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a mim desde a terra.


11. Agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue de teu irmão.


12. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra.


13. Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha punição do que a que eu possa suportar.


14. Eis que hoje me lanças da face da terra; também da tua presença ficarei escondido; serei fugitivo e vagabundo na terra; e qualquer que me encontrar matar-me-á.


15. O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá à vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontre.


16. Então saiu Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.


17. Conheceu Caim a sua mulher, a qual concebeu, e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade, e lhe deu o nome do filho, Enoque.


18. A Enoque nasceu Irade, e Irade gerou a Meujael, e Meujael gerou a Metusael, e Metusael gerou a Lameque.


19. Lameque tomou para si duas mulheres: o nome duma era Ada, e o nome da outra Zila.


20. E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado.


21. O nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.


22. A Zila também nasceu um filho, Tubal-Caim, fabricante de todo instrumento cortante de cobre e de ferro; e a irmã de Tubal-Caim foi Naamá.


23. Disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zila ouviram a minha voz; escutai, mulheres de Lameque, as minhas palavras; pois matei um homem por me ferir, e um mancebo por me pisar.


24. Se Caim há de ser vingado sete vezes, com certeza Lameque o será setenta e sete vezes.


25. Tornou Adão a conhecer sua mulher, e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me deu outro filho em lugar de Abel; porquanto Caim o matou.


26. A Sete também nasceu um filho, a quem pôs o nome de Enos. Foi nesse tempo, que os homens começaram a invocar o nome do Senhor.


NOTA 2


O texto bíblico, nos versículos 22 e 23, não fazem referencia ao fato ou ligação de Tubal-Caim ou de Lameque com a morte de Caim, há um "salto" e perde-se a historia da vida de Lameque e de Tubal-Caim. Esta estória é relatada no livro de Jasher, o qual foi expurgado da bíblia por conter vários relatos que não interessavam a classe mandante na época e motivos outro. Segue-se à tradução mais correta que pude fazer do texto original.


4 Isaias 54


Eis que eu criei o ferreiro, que assopra o fogo de brasas, e que produz a ferramenta para a sua obra; também criei o assolador, para destruir.


Não prosperará nenhuma arma forjada contra ti; e toda língua que se levantar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor, e a sua justificação que de mim procede, diz o Senhor.


NOTA 3


Na Bíblia, o ferreiro e forjador são tratados como uma profissão criada e instruída por Deus, podendo ser até considerada dádiva divina aos seres humanos.


5 Livro de Jasher II


[ver NOTA 4]


1. E estava no trigésimo centésimo ano da vida de Adão na terra, quando soube que Eva a sua esposa, ela concebera novamente e deu a luz a um filho na sua semelhança e na sua imagem, assim, ela chamou-o pelo nome de Seth, dizendo, Porque Deus me deu outra semente no lugar de Abel, que foi morto por Caim.


2. E Seth viveu cento e cinco anos, e ele teve um filho; e Seth chamou o nome do seu filho Enosh, dizendo, Porque naquele tempo os filhos dos homens começaram a multiplicar-se, e afligir as sua almas e corações transgredindo e se rebelando contra Deus.


3. E estava pelos dias de Enosh que os filhos dos homens continuaram se rebelando e transgredir contra Deus, aumentar a raiva do Deus contra os filhos dos homens.


4. E os filhos dos homens foram e serviram outros deuses, e eles esqueceram do Deus que os tinha criado na terra: e por esses dias os filhos dos homens fizeram imagens de metal e ferro, madeira e pedra, e eles se abaixaram e curvaram e os serviram.


5. E todo homem fez o seu deus e eles se curvaram diante deles, e os filhos dos homens abandonaram o Deus em todos os dias de Enosh e as suas crianças; e foi ateada a raiva do Deus por causa dos seus trabalhos e abominações que fizeram na terra.


6. E o Deus fez as águas do rio Gihon os subjugar, e ele destruiu e os consumiu, e ele destruiu a terceira parte da terra, e assim, todavia, os filhos dos homens não desviavam dos seus maléficos modos, e as suas mãos ainda estendidas ao demônio às vistas de Deus.


7. E por esses dias lá estavam semeando, mas não estavam colhendo na terra; e não havia nenhuma comida para os filhos dos homens e a escassez era muito grande por esses dias.


8. E a semente que eles semearam por esses dias no chão se tornou espinhos, cardos e roseiras bravas; como nos dias de Adão era esta resposta relativa a terra, da maldição de Deus, pois ele amaldiçoou a terra, por causa do pecado que Adão pecou antes do Deus.


9. E era quando os homens continuaram se rebelando e transgredindo contra Deus, e corrompendo os seus modos, a terra também ficou corrupta.


10. E Enosh viveu noventa anos e ele teve Caiman;


11. E Caiman cresceu e ele tinha quarenta anos, e ele ficou sábio e teve conhecimento e habilidade em toda a sabedoria, e ele reinou em cima de todos os filhos dos homens, e ele conduziu os filhos dos homens a sabedoria e conhecimento; para Caiman era um homem muito sábio e compreensão tida em toda a sabedoria, e com a sabedoria dele ele regeu sobre os espíritos e demônios;


12. E Caiman soube pela sabedoria dele que Deus destruiria os filhos dos homens para ter pecado em terra, e que o Deus irá aos dias posteriores trazer para eles as águas da inundação.


13. E nesses dias que Caiman escreveu em tabletes de pedra, o que ira acontecer futuramente, e ele os pôs nos seus tesouros.


14. E Caiman reinou sobre a terra inteira, e ele transformou alguns dos filhos dos homens ao serviço de Deus.


15. E quando Caiman tinha setenta anos, ele teve três filhos e duas filhas.



16. E estes são os nomes das crianças de Caiman; o nome do primeiro nascido Mahlallel, o segundo Enan, e o terceiro Mered, e as suas irmãs eram Adah e Zillah; estas são as cinco crianças que nasceram de Caiman.


17. E Lamech, o filho de Methusael, foi aparentado a Caiman através do matrimônio, e ele levou as suas duas filhas como suas esposas, e Adah concebeu e da a luz a um filho a Lamech, e ele foi chamado pelo nome de Jabal.


18. E ela concebeu novamente e da a luz a um filho, e chamou o de Jubal; e Zillah, a sua irmã, era estéril por esses dias não teve nenhuma descendência.


19. Por esses dias em que os filhos dos homens começaram a infringir contra Deus, e transgredir as ordens que ele tinha comandado a Adão, ser frutífero e multiplicar na terra.


20. E alguns dos filhos dos homens fizeram as suas esposas beberem uma bebida que as faria estéril, para que eles pudessem reter as suas figuras e por meio do qual permaneceriam com sua bela aparência sem a desmaecer.


21. E quando os filhos dos homens fizeram algumas das suas esposas beberem, Zillah bebeu com eles.


22. E as mulheres grávidas se apareceram abomináveis como viúvas à vista dos seus maridos, e os seus maridos ainda viveram, no estéril deserto onde somente eles sobreviviam.


23. E no fim dos seus dias e anos, quando Zillah ficou velha, Deus abriu o seu útero.


24. E ela concebeu e deu a luz a um filho, e ela chamou-o pelo nome de Tubal-Caim, dizendo, Depois que fora eu murchada eu o obtive do Deus Todo-poderoso.


25. E ela concebeu novamente e deu a luz a uma filha, e ela chamou-a pelo nome de Naamah, porque ela disse, Depois que fora eu murchada eu obtive prazer e delícia.


26. E Lamech era velho e avançado em anos, e os seus olhos eram escuros de forma que ele não pudesse ver, e Tubal-Caim, o seu filho, o estava conduzindo e era um dia que Lamech entrou no campo e Tubal-Caim o seu filho estava com ele, e quando eles estavam entrando no campo, Caim o filho de Adão caminhou para eles; como Lamech era muito velho e não podia ver muito, e Tubal-Caim o seu filho era muito jovem.


27. E Tubal-Caim pediu ao o seu pai que puxasse o seu arco, e com as setas ele golpeou Caim que ainda estava distante e ele o matou, porque ele apareceu ser a eles um animal.


28. E as setas entraram no corpo de Caim embora ele estava distante deles, e ele caiu ao chão e morreu.


29. E o Deus equiparou o mal de Caim de acordo com a sua maldade o que ele tinha feito ao seu irmão Abel, conforme Deus havia dito.


30. E foram ao passo onde Caim tinha morrido, Lamech e Tubal foram ver o animal que eles tinham abatido, e eles viram, Caim o seu avô que estava morto sobre o chão.


31. E Lamech ficou muito afligido ao ter feito isto, e unindo as suas mãos ele golpeou o seu filho e o matou.


32. E as esposas de Lamech ouviram o que Lamech tinha feito, e elas tentaram matá-lo.


33. E as esposas de Lamech o odiaram daquele dia, porque ele matou Caim e Tubal-Caim, e as esposas de Lamech distanciaram-se dele, e não o animaram por esses dias.


34. E Lamech veio às sus esposas, e ele as forçou a escutá-lo sobre este assunto.


35. E ele disse a suas esposas Adah e Zillah, Ouçam minha voz Ó esposas de Lamech, prestem atenção em minhas palavras, pois agora vocês imaginam e dizem que eu matei um homem com minhas setas, e uma criança com meu cajado por eles não terem feito nenhuma violência, mas seguramente sabem que eu sou velho e de cabelos brancos, e que meus olhos são pesados pela idade, e eu fiz esta coisa inconscientemente.


36. E as esposas de Lamech o escutaram sobre este assunto, e elas voltaram para ele com o conselho do seu pai Adão, mas elas não deram mais nenhuma criança a ele naqueles tempos, sabendo que a raiva de Deus estava aumentando por esses dias contra os filhos dos homens, os destruirá com as águas da inundação pelas suas más ações.


37. E Mahlallel o filho de Caiman viveu sessenta cinco anos e ele teve Jared; e Jared viveu sessenta e dois anos e ele teve Enoch.


NOTA 4

[Translated to Portuguese by Codignoli, Fabio, from "Book of Jasher Referred to in Joshua and Second Samuel". Faithfully translated (1840) from the Original Hebrew into English. A Reprint of Photo Lithographic Reprint of Exact Edition Published by J.H. Parry & Co, Salt Lake City: 1887].


NOTA 5


O Livro de Adão (II. 13) diz que Lamech estava armado com um arco e setas grandes, e uma funda e pedras. Uma seta perfurou um lado de Caim, e uma pedra da funda de Lamech batida entre seus olhos. Lamech golpeou o jovem sobre que o conduzia acidentalmente, mas depois ele esmagou a cabeça dele com uma pedra. Há muitas versões da história em árabe, etiopino, e hebreu, mas todos eles concordam em detalhes essenciais. De acordo com o Livro da Abelha (XVIII), a bigorna, martelo, pinças, esquadro e o compasso foram inventados por Tubal-Caim e Jubal que também construíram instrumentos musicais, harpas e flautas; diziam os povos que demônios viviam nas flautas e faziam soá-las.


ASSIM APÓS MOSTRADAS AS PESQUISAS INICIAIS, VAMOS CONHECER UMA OUTRA HISTÓRIA, QUE CABERÁ AO LEITOR DECIDIR COM QUAL DELAS FICA:


Segundo Martinez de Pasqually, em sua obra “Tratado da Reintegração dos Seres”, edição autêntica conforme o manuscrito de Louis-Claude de Saint-Martin, organizada e apresentada por Robert Amadou, 2ª Edição da Ordem Rosa Cruz (AMORC), Curitiba, PR, 2008, CAIM teria sido assassinado pelo seu filho Booz ou Boaz, conforme se extrai dos textos que seguem:


75 — Punição de Caim.


Isso é tudo o que tenho a vos dizer sobre o número nonário, posto que quero vos fazer conhecer também os outros modelos consideráveis que Caim fez neste universo. Ensinar-vos-ei que Caim fez o modelo da eleição dos profetas que o Criador haveria (p.134)


de enviar, com o tempo, entre a posteridade de Adão. Foi-vos ensinado que, depois que Caim destruiu o indivíduo de seu irmão Abel, ele se retirou para sua morada costumeira, onde, pondo-se a refletir sobre seu crime, sobreveio-lhe uma voz espiritual divina que lhe perguntou o que era feito de seu irmão. Caim respondeu bruscamente: 'Acaso fizeste-me guardião de meu irmão?". Depois dessa resposta, o espírito exerceu sobre ele uma atração tão considerável, seja sobre sua forma corporal, seja sobre seu ser menor, que ele foi imediatamente vencido e, nesta situação, ele se lamentou ao Criador, dizendo: "Senhor, aqueles que me encontrarem matar-me-ão". A essa consideração, o Eterno, pai de misericórdia, vendo a consternação de Caim e querendo preserva-lo da reprovação e da vingança que sua posteridade pudesse praticar contra ele, fez com que ele fosse marcado com um selo preservativo e o espírito que o marcou disse: "Por ordem do Eterno, todo aquele que atacar Caim mortalmente será sete vezes punido com a morte". Caim se retirou, em seguida, com suas irmãs, ao lugar para onde ele fora relegado por ordem do Eterno. Nesse lugar, ele teve uma posteridade de dez machos e onze fêmeas. Ele construiu, nesse mesmo lugar, uma cidade a que deu o nome de Enoque. Ele imaginou, para cooperar em sua empreitada, explorar as entranhas da terra e preparou as matérias que retirou dali, a fim de lhes dar as formas adequadas aos usos que ele queria fazer delas. Ele fez essa operação junto com o seu primogênito, a quem chamara de Enoque. O seu segredo, seja para a descoberta das minas, seja para a fonte dos metais, deixou-o para o segundo filho, chamado Tubal-Caim. Foi disso que chegou até nós que Tubal foi o primeiro a descobrir a fonte dos metais.


76 Caim assassinado por seu filho Booz.


Caim era um grande caçador e, do mesmo modo, educou seus filhos machos para a caça, sobretudo seu décimo filho, a quem ele dedicara toda sua afeição. Ele não deu a esse filho (p.135)

nenhum outro talento além da caça; seus outros filhos eram mais inclinados aos trabalhos de imaginação e às obras manuais. Caim deu a esse décimo filho o nome de Boaz, ou Booz, que quer dizer filho do assassinato. Foi esse último filho que deu morte ao seu pai Caim, o que aconteceu da seguinte maneira. Tendo Caim decidido ir à caça de animais selvagens, acompanhado de dois filhos de Enoque, seus netos, não avisou seu filho Booz da caçada que planejara fazer no dia seguinte. Booz, por sua vez, planejou, com dois de seus sobrinhos, filhos de Tubal-Caim, ir à caça no mesmo dia que seu pai, mas, igualmente, sem preveni-lo de seu plano. Booz, não tendo filhos, depositara toda sua amizade nesses dois sobrinhos. Assim, partiram juntos para a caçada, mas Booz, sem o saber, tomou o mesmo caminho que seu pai Caim e, estando ambos num bosque que eles estavam acostumados a bater, Booz percebeu a sombra de uma figura através desse bosque chamado Onam, que quer dizer dor. Booz, então, desferiu uma flechada que foi transpassar o coração de seu pai, tendo-o tomado por um animal selvagem. Imaginai a surpresa e o estremecimento de Booz, quando ele foi até o lugar aonde havia atirado sua flecha e viu o seu pai morto por sua própria mão. A dor de Booz foi ainda maior, porque ele conhecia a punição e a ameaça que o Criador lançara contra todo aquele que atacasse a pessoa de Caim. Ele sabia que aquele que tivesse essa infelicidade seria golpeado sete vezes com pena mortal, isto é, seria punido sete vezes com a morte. (Mais adiante explicarei a punição de sete vezes com a morte). Booz chamou seus dois sobrinhos e lhes mostrou o cadáver. Assim que reconheceram a forma e a figura de Caim, lançaram um grande grito de surpresa e fizeram, ao mesmo tempo, um sinal de horror, o que aumentou ainda mais a desolação do infeliz Booz. Depois de lhes contar como ele fora a causa inocente da destruição da forma corporal de seu pai Caim, disse-lhes: "Meus amigos, (p.136)

sois testemunhas de meu crime, ainda que involuntário; transgredias ordens e a proibição do Criador, sou culpado diante do Eterno e diante dos homens. Sou o mais novo dos filhos de Caim, o último de toda sua posteridade, o mais culpado e o mais criminoso. Vingai na pessoa desse último nascido a morte de seu pai e o escândalo que venho de vos dar". O intelecto demoníaco, que conhecia a fraqueza dos homens na aflição, logo suscitou uma paixão exacerbada de vingança nos dois sobrinhos de Booz, por causa da morte de Caim. Eles armaram seus arcos com flechas para atirá-las em seu tio. Mas quando estavam prestes a lançá-las sobre ele, uma voz se fez ouvir e disse: "Quem matar aquele que matou Caim será punido setenta vezes sete vezes com a morte". (O que também explicarei mais adiante). A essa atemorizante voz espiritual divina, os dois sobrinhos de Booz caíram para trás, mas, voltando de seu desfalecimento, entregaram suas armas a Booz, dizendo: "O

Criador te perdoou, Booz, pela morte que deste ao teu pai Caim. Somos agora os mais culpados diante do Eterno, porque voluntariamente concebemos executar era ti o nosso pensamento vingativo". Booz respondeu aos seus sobrinhos: "Que a vontade do Criador se cumpra!". Após essa resignação de Booz, dirigiram-se todos juntos para a cidade de Enoque. A tristeza e o abatimento com que se apresentaram na cidade puseram a posteridade de Caim em suprema consternação. Essa dor foi ainda redobrada quando essa posteridade ficou sabendo que a destruição da forma de seu pai Caim fora feita pelo último filho deste mesmo pai. O infeliz Booz, vendo-se reduzido a uma inimizade geral de toda a primeira posteridade de Caim e dos descendentes desta mesma posteridade, foi forçado a se afastar desse bando de possuídos de intelecto demoníaco e foi ter seu recolhimento no deserto de Jezanias, que quer dizer escutar o Criador. Foi nesse lugar que Booz terminou

seus dias em melancolia e penitência. Eis (p.137)

como Caim foi o verdadeiro modelo de profecia quando disse, após o crime que cometeu em seu irmão Abel: "Aqueles que me encontrarem, Senhor, matar-me-ão". Não foi ele encontrado por seu filho num bosque? Não foi ele, efetivamente, morto por um homem, tal como dissera? O que forma realmente o modelo de profecia é que o encontro das duas pessoas, Caim e Booz, não foi

premeditado e tanto um como o outro estavam, sem saberem um do outro, no lugar em que Caim recebeu o golpe da morte.


77 — Erro dos homens do século sobre o parricídio precedente.


Quero vos fazer notar o quanto é ridícula e absurda a observação que os homens do século fizeram sobre o parricídio de Caim por seu filho Booz. Esse modelo, desconhecido da grande maioria dos homens de hoje, levou-os a crer e mesmo garantir que Adão não é o primeiro homem, porque, dizem eles, quando Caim matou seu irmão Abel disse ao Criador: "Senhor, que vai ser de mim? Aqueles que me encontrarem matar-me-ão". Se esses homens fossem instruídos sobre o modelo que essas palavras dirigidas ao Criador representam, veriam claramente que este era o modelo dos profetas por virem e das profecias, conforme vimos efetuar-se realmente entre os homens da terra e no próprio Caim. Mas, dirme-eis, como podia o Criador enviar profetas aos homens, para contê-los em suas ações contrárias às leis que ele lhes dera, já que dizeis que o Criador não toma nenhuma parte nas causas segundas que se operam entre os homens? Responderei que o Criador não pode ignorar o ser pensante demoníaco que opera continuamente fatos sedutores e perniciosos para o menor espiritual, assim como já havia acontecido na sedução de Adão e de sua posteridade. O Criador, em consequência, julgou necessário, para o bem do homem, eleger espiritualmente seres menores e dotá-los do espírito profético, não apenas para (p.138)

conter o homem nas leis, nos preceitos e nos mandamentos que ele lhe dera, mas também para o grande molestamento dos espíritos malignos e para a manifestação de sua grande glória divina. O pensamento do ser espiritual bom ou mau comete a ação boa ou má perante o Criador, e eis como o Eterno toma conhecimento das causas segundas.


78 — Recolhimento de Booz no deserto de Jezanias.


Vejamos agora qual é o modelo que faz o retiro de Booz no deserto de Jezanias. Sendo Booz o último filho da posteridade direta de Caim e completando, por sua posição, o número denário, não é duvidoso que ele fosse dotado de alguns dons espirituais divinos, para ser uma figura e um exemplo real da grande misericórdia que o Criador concede, em qualquer circunstância que seja, para o bem do ser menor espiritual e maior perverso, quando os espíritos invocam-no sinceramente. Deveis compreender isso claramente pela graça que o Criador concedeu a Booz, que era duplamente criminoso: primeiro, por ter assistido ao culto dos demônios preferencialmente ao do Criador, tendo tido um conhecimento perfeito de um e do outro, e por se ter deixado arrastar pelo exemplo e o falso hábito contraído entre a posteridade de Caim, seja por medo das penas temporais que essa posteridade o faria sofrer, seja por sua própria satisfação pessoal. Em segundo lugar, Booz foi criminoso por ter matado seu pai Caim e ter, com isto, desobedecido as proibições que o Criador fizera de antemão à posteridade de Caim, após o crime cometido sobre a pessoa de Abel. Não é que o Criador tenha, com isso, previsto a conduta futura das causas segundas que operariam entre essa posteridade (sabeis o que já vos disse a este respeito), mas era para fazer os príncipes dos demônios sentirem, por esta proibição, que ele conhecia sua conduta atroz e que queria prevenir os homens das abominações que esses demônios (p.139)

poderiam operar contra eles, como já haviam operado para a queda de Adão e para a de sua primeira posteridade. Os próprios homens não julgam sempre a conduta futura de seus semelhantes pela conduta passada, a despeito do falso provérbio que reina entre eles, de que um homem não pode responder por si nem por sua conduta futura? Não sabemos, aliás, que o Criador é mais forte e mais poderoso que os demônios e que seu mais forte furor demoníaco nada mais faz além de atrair para eles novas maldições, quando ele se eleva contra o Criador ou contra o justo menor, cujo edifício é inquebrantável quando construído sobre a mínima base espiritual divina? Não sabemos, enfim, que aquilo que o Senhor guarda está bem guardado? Era simplesmente sobre essa potência invencível e sobre a justiça imutável do Criador que estavam fundadas todas as proibições e todas as ameaças que ele fez à posteridade de Caim.


(Tratado da Reintegração dos seres-Martinez de Pasqually)


Ora texto bíblico de Gênesis deixa implícito que Caim poderia ter sido assassinado por seu descendente Lameque, quando fala sobre o castigo que este enfrentaria:


E disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zilá, ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai o mei duto: porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar. Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete. (Gênesis 4:23-24)


Lameque é um personagem bíblico do Antigo Testamento mencionado no livro de Gênesis como filho de Metusael e um dos descendentes de Caim da quinta geração deste, que teria cometido o segundo homicídio na história da humanidade e foi o primeiro homem a praticar a poligamia.


Caim, depois de ter matado a seu irmão Abel, tornou-se pai de Enoque e criou uma cidade em homenagem a seu filho onde supõe que teria passado a morar.


A Bíblia diz que Lameque teve duas esposas. O nome da primeira era Ada que teria sido mãe de Jabal e de Jubal. Já a segunda esposa chamava-se Zilá que foi mãe de Tubalcaim e de Naamá.


Segundo Gênesis 4:23-24, pode-se dizer que Lameque teria assassinado o próprio Caim e mais uma outra pessoa, o que estaria implícito no texto bíblico quando fala a respeito de seu castigo que seria setenta vezes maior do que o de seu ancestral. Isto porque o verso 24 diz que será vingado setenta vezes sete:


Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete.


Tal suposição baseia-se também no fato do texto bíblico não dar outra informação a respeito da morte de Caim. (uma das fontes:Wikipédia)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Por que somos Rosacruzes?

por RALPH M. LEWIS, FRC


Apergunta quanto ao porquê de sermos Rosacruzes poderia apresentar muitas respostas diferentes.

Poderia haver tantas respostas distintas quantos são os Membros da AMORC. Porém, por trás das diversas respostas há uma causa comum, e essa causa se expressa em outra questão: Por que estamos aqui? Toda pessoa reflexiva, de qualquer idade, alguma vez ponderou sobre esta questão. O ser humano tem pressuposto e sinceramente acreditado possuir um vínculo com o Infinito. Acredita haver energias intangíveis, uma inteligência psíquica que o liga à causa primeira de tudo. Além disso, o homem tem mostrado propensão a considerar a mente superior à matéria. Tem, em geral, contestado a noção de que a totalidade da mente humana seja um subproduto da matéria em movimento. O homem tornou-se capaz de empregar a mente para levar forças físicas da natureza a obedecer a sua vontade. A mente tornou-o causativo em seu mundo.


Consequentemente, pareceu coerente ao ser humano que uma inteligência correspondente, porém superior, se encontrasse além de toda a realidade. Parecia ilógico que o Cosmos fosse desprovido desse poder de que o próprio homem tanto se orgulhava. Por conseguinte, o ser humano concluiu que uma Inteligência Infinita, que tudo criara, também o impregnaria. O homem estabeleceu ideais para si mesmo. Conduz seu organismo no sentido desses ideais. Acredita, portanto, que a Inteligência Infinita, Transcendental ou Cósmica deva também ter um propósito final superior em relação ao homem.

Porém, é difícil para este conciliar as experiências humanas com a crença num propósito divino. Não há caminhos bem definidos que conduzam a ideais concretos de felicidade. O caminho da vida é entremeado de eventos variados. Alguns abrigam o bem; outros, o mal. A sorte humana varia quase diariamente, como um cata-vento na tempestade. Milhões de homens e mulheres se têm lamuriado como o antigo filósofo epicurista, Lucrécio. Lamentava este: "Por que trazem doenças, em sua passagem, as estações do ano? Por que a morte prematura em toda parte espreita? A criança recém-nascida enche o quarto de lamentos tristes. Bem o faz, que seu destino será andar pela vida através de numerosos infortúnios".


Por que

estamos aqui?

Será o homem, afinal, apenas um produto de forças mecânicas não-pensantes do universo? Deve ele andar pela vida aos tropeções, tentando agarrar as saias do destino? Se há uma missão para seres como o homem, qual será? Isto


“ O homem conhece a

certeza da morte, do fim

da existência física. Supõe,

espera e acredita haver

uma continuação da vida

após a morte. ?”


resultou na pergunta quase universal: Por que estamos aqui?. Ao buscar sua resposta, o homem busca a segurança. Necessita de uma certeza pessoal que lhe possibilite a paz de espírito.

Há homens que pensam que a vida, como a vivem, lhes foi predeterminada. Crêem necessário submeter-se às vicissitudes da vida. Para eles, a existência é como uma bola de bilhar, rolando e desencadeando eventos à sua passagem. Esperam que nalgum ponto do caminho caiam na caçapa certa de uma jubilosa vitória na vida; se não o conseguirem nesta existência consegui-lo-ão na vida após a morte.


Outros há que acreditam que a felicidade e a paz de espírito constituem responsabilidade exclusiva do próprio homem. Adotam o ponto de vista de que não há certeza cósmica, mas apenas possibilidade. Existem fatores tanto de miséria quanto de felicidade. Tais pessoas crêem que compete à mente humana determinar valores e relações corretas. Estão convencidas de que somos nós próprios, ao vivermos os mistérios da vida, que podemos responder à questão "Por que estamos aqui?".


Quem assim pensa são os Rosacruzes. Se não pensamos deste modo, não somos Rosacruzes no sentido tradicional.


Como Rosacruzes, portanto, devemos aprender a estabelecer um propósito sensato para nossa vida. Este propósito depende do nosso discernimento das relações que temos com o Cósmico. Consiste também na descoberta dos vínculos que temos com as forças da natureza, que também são Cósmicas.


Consiste, enfim, em aprendermos como estabelecer um relacionamento proveitoso com nossos irmãos humanos. Há dois caminhos rosacrucianismo para alcançá-lo. Primeiro, a eliminação dos valores negativos. Por negativos entendemos ideias, noções e crenças que inibem nossos poderes e funções naturais. A ação é o positivo. O negativo é a inércia correspondente. Nem toda ação, naturalmente, é boa, como também nem sempre o controle e o refre¬amento são errados. Porém, se algo há que devemos realizar cósmica, moral ou socialmente, e não o realizarmos, isto constituirá, então, uma atitude adversa, negativa.


Entre os grandes negativos que devemos combater encontram-se os temores associados à morte. E natural que o homem tema a morte. Esta significa o exato oposto da vida, a cessação de toda a atividade de que consiste a existência. Permanentemente, há em nossa subconsciência o inelutável impulso para ser, para viver. A mente consciente é sempre sensível a esse impulso, a essa inclinação. Por conseguinte, a morte geralmente parece um fim, uma porta que se fecha para qualquer que seja o sentido que tenhamos atribuído à vida.


O homem conhece a certeza da morte, do fim da existência física. Supõe, espera e acredita haver uma continuação da vida após a morte. A filosofia e a religião cultivam a disciplina da escatologia - que compreende a investigação ou o estudo dos fins últimos da existência humana. Tais sistemas procuram explicar a vida após a morte em termos de nossa experiência mortal e terrena. Atribuem à vida após a morte testes e provações a que se encontra sujeita a personalidade humana.


Estendem para o outro mundo valores morais como bem e mal. Admitem a existência de castigo, de punição, prescrita segundo o mal que o homem tenha cometido.


Haverá

recompensa?


Argumentam, por outro lado, que a conduta terrena adequada será recompensada após a morte com prazeres quase sensoriais de alegria e bem-aventurança. Todavia, não há acordo, nestes sistemas, quanto ao que deveria constituir o código espiritual terreno.


As religiões e as filosofias morais, nos seus escritos e sermões sagrados, se contradizem umas às outras.


Milhões de pessoas vivem temendo as conseqüências posteriores à morte. Perguntam a si mesmas se terão merecido a bem-aventurança que esta vida não proporcionou, ou se haverão de sofrer um tormento superior a qualquer experiência terrena. A vida inteira dessas pessoas é temerosa, uma confusa preparação para um futuro de incerteza. Por que deveríamos crer que o homem devesse andar desamparado, aos tropeções pela vida temporal? Por que ele teria de adivinhar o que uma deidade, um Ser Supremo desejasse ou tencionasse que ele fizesse? Por que dissociar da existência terrena as leis cósmicas e seus efeitos? Por que relacioná-los apenas a um remoto paraíso?


O ponto de

vista místico


O místico entende que a lei cósmica, o poder divino, se manifesta em qualquer nível da realidade total. Deus, o Cósmico, atua em todas as manifestações. Todas as coisas, animadas e inanimadas, são componentes da Consciência Universal. É aqui, nesta Terra, que nos decidimos por viver em harmonia ou em desarmonia com o Cósmico. Aqui é que a personalidade aprende. Não devemos pensar apenas no indivíduo, mas na humanidade, coletivamente. Um indivíduo pode parecer encontrar felicidade aqui, e outro, não. Um parece livrar-se da punição, enquanto outro, não. A espécie, porém, a humanidade como um fluxo contínuo, sofre sua compensação, seu carma, se não nesta geração ou nesta época, então numa outra.


Coletivamente, elevamos ou baixamos o nível de consciência da humanidade sobre a Terra. Pelo modo como vivemos, determinamos as recompensas ou punições que a humanidade viverá no futuro. O que estamos vivendo é o carma que por nós mesmos foi criado. Nós provocamos, de acordo com nosso bom ou mau emprego das leis cósmicas, nossas compensações aqui e agora. Com esta compreensão, nós, Rosacruzes, libertamo-nos do medo negativo, relativamente à morte, que sufoca a mente de muitos.


Para descobrirmos nosso propósito na vida, não somente é necessário que nos libertemos de conceitos negativos, porém, como Rosacruzes, que também assumamos determinados pontos de vista positivos, que nos

devem parecer tão evidentes que despertem nossos poderes e capacidades pessoais. Essas perspectivas positivas devem fortalecer-nos para todas as provações na vida. Devemos acreditar que existe uma força transcendental a que pode o homem recorrer. Não devemos pensar que o ser humano seja arrastado numa corrente de forças mecanicistas. Esse poder superior pode revitalizar o homem, emocional e fisicamente. Porém, o ser humano percebe esse poder superior como efeito, nunca diretamente como causa. A percepção desse poder superior cria imagens em sua consciência subjetiva. Essas imagens são interpretadas pelo homem de acordo com seu nível de consciência, com a profundidade do seu discernimento.


O homem se esmera em dar forma ou expressão a essa percepção cósmica. Para alguns, esse poder transcendental é antropomórfico, um ser com aparência humana e atributos humanos. Ou seja, esse ser ama, é

zeloso, terno e protetor como um pai. Para outros, esse poder transcendental apresenta--se como um juiz, sábio, severo e inexorável em seus mandamentos. De acordo com os que assim creem, esse divino juiz estabeleceu leis às quais toda a humanidade está sujeita

.

Porém, a humanidade pode, sob certas circunstâncias, a ele recorrer. Ainda para outras pessoas, esse poder superior é mente absoluta, apenas. Ou seja, concebem esse poder como uma consciência impessoal onipresente. Colocar-se em harmonia com essa consciência significa alcançar a mais profunda visão do Eu e da natureza, obtendo, com isto, domínio pessoal e paz duradoura.


Uma concepção

Pessoal


Para os Rosacruzes, um ponto é de suprema importância. Esse Deus, essa Mente Divina ou Cósmica, como queira o leitor, é sempre uma experiência pessoal transcendente e imanente, isto é, íntima. Tal experiência jamais pode ser tornada uma ideia comum, aceita sob todos os aspectos por todos os homens indistintamente. Ela constitui um sentimento no santuário da alma. Assume uma aparência característica de acordo com a mente finita do indivíduo. Por conseguinte, não é possível uma definição que estabeleça a mesma configuração da consciência cósmica em todos os homens. Por esta razão é que os Rosacruzes devem sempre se referir ao rosacrucianismo "Deus do meu coração". Com estes termos, os Rosacruzes querem dizer: Deus como experiência pessoal, como algo que cada qual pode entender.


Compreenda-se que o conceito pessoal de Deus de nenhum indivíduo é errado para si mesmo. Nem a imagem mental que alguém faça de Deus é correta para todos os outros homens. Ocorre-nos à lembrança as significativas palavras do etnógrafo Max Müller. Disse ele: "Jamais houve um falso Deus, nem houve jamais uma religião absolutamente falsa, a menos que consideremos uma criança um falso ser humano". Com uma perspectiva positiva como esta, os Rosacruzes não podem admitir a intolerância ou o preconceito religioso. Isto significa, portanto, a eliminação de um dos maiores conflitos da sociedade humana.


A verdade sempre foi procurada por razões psicológicas. O que se mostra verdadeiro granjeia confiança, pois apresenta uma natureza positiva que pode ser avaliada em relação a nós próprios. O que é verdadeiro apresenta uma qualidade distinta, que podemos aceitar ou rejeitar. Há dois conceitos genéricos com relação à natureza da verdade.


O primeiro é o de que verdade é qualquer coisa que, para nós, apresente qualidade real. Sendo a existência duvidosa, então não é verdade, segundo esta concepção. O outro ponto de vista afirma que a única verdade é aquilo que é prático e útil. Algo que não tenha aplicação em nossa vida, em nossa inteligência é, por conseguinte, considerado não verdadeiro.


Estas duas teorias nos afirmam, de fato, que nada é verdadeiro, a menos que tenha a confirmação dos nossos sentidos receptores, e que também seja para nós compreensível. Portanto, se podemos perceber algo e compreendê-lo, isto será potencialmente útil para nós. Consequentemente, os Rosacruzes entendem que nenhuma verdade se encontra fora da consciência humana. Nada é verdadeiro senão quando a mente humana o compreende como tal.


A verdade, portanto, está relacionada com o discernimento humano. Não pode haver verdades absolutas fora da experiência humana. Se não forem aceitáveis para o homem, não serão, para ele, verdadeiras. A verdade, portanto, é um valor estabelecido pelo homem a partir da percepção e das conclusões da sua razão. Não o que possa ser uma coisa, mas o que o homem possa entender que ela seja - isto é verdade.


A realidade não é estática; a totalidade do ser encontra-se em permanente mudança. A inteligência humana e o discernimento interior estão, da mesma forma, em mudança. O homem percebe esta realidade de forma variável: hoje, de um modo; amanhã, de uma perspectiva diferente. As verdades de hoje não são as mesmas de ontem, nem podem ser as mesmas de amanhã. Se fossem absolutas as verdades, então a mente humana estaria inibida, condicionada. Não poderia haver nenhum progresso, pois nada poderia ultrapassar a verdade estabelecida, a chamada verdade absoluta. Além disso, todas as verdades relativas que o discernimento humano admite teriam de ser rejeitadas. O homem não mais poderia confiar nos seus sentidos ou em sua razão.


Consequentemente, como Rosacruzes, encontramos na ciência, na filosofia e no misticismo, aquilo que no momento não pode ser refutado, e que, portanto, nos serve como verdade. Todavia, nós o rejeitamos sempre que a luz da mente humana revele uma verdade superior. Com este conceito de verdade, o Rosacruz jamais se torna dogmático ou limitado à tradição. Com o Rosacruz, a verdade se encontra sempre em processo de confirmação.


As poucas razões aqui expostas respondem à questão do porquê de haver Rosacruzes. Com estas razões são formulados ideais individuais que conduzem à felicidade pessoal. Nada é mais importante na vida do que a felicidade perfeita. Porém, ela tem de ser conquistada. Não pode ser descoberta, nem constitui um capricho do mero ato de viver.


Fonte: Revista “O Rosacruz”, nº 274, Primavera 2010 – Editada pela Ordem Rosacruz (AMORC) – Rua Nicarágua, 2620 – Bacacheri -82515-970 – Curitiba – PR – www.amorc.org.br