segunda-feira, 18 de julho de 2011

Guerra Contra as Drogas - MACONHA

MACONHA – É UMA PLANTA FÊMEA DA

CANNABIS SATIVA LINEU:


SUBSTÂNCIA ALUCINÓGENA


THC (TetraHidroCanabinol – Princípio Ativo)

Pés de Maconha sendo destruídos pela Polícia Federal na região da fronteira com o Paraguai. No detalhe, maconha prensada pronta para ser consumida.


MACONHA: É conhecida há milhares de anos como medicamento e intoxicante, foi amplamente utilizada, no século XIX, como analgésico, anticonvulsivo e hipnótico. Recentemente se desenvolveu um interesse em seu uso no tratamento do glaucoma e de náuseas produzidas pela quimioterapia para o câncer.

É geralmente usada em forma de cigarro (baseado) ou cachimbo, pois quando a mesma é queimada o principio ativo tetrahidrocanabinol (THC) torna-se mais potente. Pode ser mascada e também usada em forma sintética para as experiências nos tratamentos de doenças já mencionadas anteriormente. Existem as plantas machos (com cinco pontas nas folhas) e fêmeas (com sete ou nove pontas), mas só as fêmeas são fumadas.

É a droga mais consumida por estudantes; fumada como cigarro, inicialmente indo para o sistema respiratório, daí a distribuição para outros órgãos através da corrente sangüínea. Quando associada ao álcool, ela tem uma potencialização de ação. Seus efeitos podem ser sentidos poucos minutos após o uso e pode durar, dependendo do organismo, até 6 horas.

A planta do cânhamo, a Cannabis Sativa, foi classificada em 1753 por Carl Von Linne, daí o seu designativo Cannabis Sativa Lineu, que é o seu nome científico.



A proibição da maconha não é uma prática generalizada. Em alguns países islâmicos, por exemplo, a erva tem o seu consumo permitido, já que o Corão não a proíbe, ao contrário do álcool que é considerado fora da lei.


Maconha é o nome dado aqui no Brasil, mas ela também é conhecida como baseado, bequi, charão, vela, erva, fininho, pacau, marijuana, ganja e bangh.


Pés de maconha sendo destruídos pela
Polícia Federal na região de fronteira




Ela é uma planta que atualmente é cultivada clandestinamente no Paraguai, e em alguns estados brasileiros.


Depois de cultivada, ela é colhida e prensada, para ser transportada e distribuída aos pontos consumidores. Nas bocas de fumo, ela é enrolada e são feitos os cigarrinhos que são vendidos para os usuários (conforme as fotos ao lado).


O THC (tetrahidrocanabinol) é uma substância química fabricada pela própria maconha, sendo o principal responsável pelos efeitos desta. Assim, dependendo da quantidade de THC presente (o que pode variar de acordo com solo, clima, estação do ano, época da colheita, tempo decorrido entre a colheita e o uso), a maconha pode ter potência diferente, isto é, produzir mais ou menos efeitos. Essa variação nos efeitos depende também da própria pessoa que fuma a planta; ninguém é igual a ninguém. Assim, a dose de maconha insuficiente para um pode produzir efeito nítido em outro e até forte intoxicação em um terceiro.



NA EUROPA E NO NORTE DA ÁFRICA a CANNABIS SATIVA LINEU é também cultivada em ambientes fechados dando origem a outros tipos de maconha.


Entre estes o SKUNK e a SIMSEMILLA que são variações genéticas da planta da maconha que crescem mais rapidamente e são cultivadas em estufas. Quando isso ocorre, o THC chega a ser até sete vezes mais forte do que a maconha comum.


OS MAIORES PRODUTORES DE MACONHA NO BRASIL


A maconha é a droga ilegal mais consumida no mundo. Em 1998, o Brasil passou de importador para exportador de maconha, pois muitos estados brasileiros passaram a plantá-la de forma ilegal, com isso, ela passou a ser um dos produtos da economia de algumas cidades localizadas nestas regiões.


No Brasil são vários os Estados que produzem maconha. Na região Nordeste, nós temos os Estados da Bahia, Maranhão, Pernambuco e Sergipe que são os maiores produtores de maconha do país. Na região Norte, ela também é plantada nos Estados do Pará e Amazonas. Ela também é produzida nos Estados do Mato Grosso do Sul e Paraná, na região fronteiriça com o Paraguai, sendo que a maior quantidade é procedente do Paraguai. Os traficantes utilizam principalmente o sertão nordestino e as terras desapropriadas pelo governo para plantarem ilegalmente a maconha.


MACONHA E SEUS EFEITOS NO ORGANISMO


O grande problema da maconha é que ela é a porta de entrada para outras drogas mais fortes; muitos pensam que, por ser uma droga natural, não faz mal; mas estão enganados, pois ela pode prejudicar todo o organismo, ela afeta:

O SISTEMA RESPIRATÓRIO: Prejudicando os pulmões, diminuindo sua capacidade imunológica, tendo o viciado facilidade em adquirir doenças pulmonares, pois a substância que existe na fumaça da maconha são irritantes para a mucosa pulmonar; geralmente o dependente tem problemas de sinusite, laringite, inflamações nos brônquios e traquéia, causando dor de garganta e tosse crônica.

PRESSÃO CARDÍACA: Aumenta o trabalho do coração; o quadro que ocorre assemelha-se com uma pessoa com STRESS, o coração necessita de oxigênio e a fumaça da maconha faz chegar pouco oxigênio no coração, com isso, não chega quase nada de oxigênio no restante do corpo.

SISTEMA NERVOSO: Ataca os neurotransmissores de acetilcolina, que é o mensageiro químico que transmite informações de uma célula nervosa para outra; provoca ansiedade, confusões mentais e pode levar a psicoses incuráveis:

A MACONHA É UMA DROGA DESMOTIVANTE, diminui acentuadamente a vontade de estudar, de trabalhar, de relacionar-se com a família, bem como aumenta o desinteresse por tudo.



Como qualquer outra droga, seus efeitos vão depender da quantidade usada. Algumas pessoas, ao usarem maconha, sentem-se relaxadas, falam bastante, riem à toa. Outras sentem-se ansiosas, amedrontadas e confusas. A mesma pessoa pode, de um uso para o outro, experimentar vários tipos de efeitos.


Em doses menores, os sentidos e a percepção ficam alterados. As pessoas podem relatar que as músicas ficam mais bonitas, as cores mais vivas, o cheiro, o gosto e o tato mais aguçados. A percepção de tempo e de espaço também fica alterada. Todas essas sensações podem ser prazerosas para algumas pessoas e desagradáveis para outras.


Em doses maiores, a pessoa pode experimentar várias sensações desagradáveis, tais como: confusão mental, paranóia, pânico, alucinações e ainda pode provocar o câncer.

O usuário quando está começando o seu vício, ele fuma a maconha, a fumaça vai direto para o cérebro, com isso, excita os neurônios e com essa excitação o usuário acha que ficou mais inteligente e mais esperto, o que na realidade não é verdade. Com o tempo de uso, a fumaça que vai para o cérebro, em vez de excitar os neurônios, passa a destruí-los. Com isso, a pessoa pode passar a perder a memória e a capacidade de raciocínio.
Pessoas que usam maconha, por muitos anos, tem dificuldade de parar de usá-la. O usuário pode desenvolver dependência, isto é, a maconha torna-se tão importante na sua vida, que ele passa a organizá-la de maneira a facilitar seu uso, sentindo ansiedade quando não a tem disponível.

Se você está desconfiado que algum conhecido seu, está fumando maconha, é só pedir para ele cuspir; e verificar se seus olhos estão vermelhos, pois além de todos os efeitos negativos à saúde, que a maconha proporciona, ela faz com que a pessoa fique também com a boca seca e não consiga cuspir.

Agora se alguém diz: “eu já fumei maconha e não senti nada disso”, esse alguém não sentiu, porque no lugar de maconha, deve ter fumado esterco de vaca, pensando ser maconha; pois como o traficante só quer ganhar dinheiro, ele mistura não só esterco de vaca, mas qualquer produto que pareça com a droga. Ex: maconha com esterco de vaca, Haxixe com esterco de cabrito, cocaína com qualquer pó branco, etc.

Nesta ilustração ao lado, nós temos um pouco de maconha e um pouco de esterco de vaca, praticamente não dá para distinguir a diferença.


Como a maconha é apreendida?

R: Em formas de tijolos, acondicionadas em bolsas, malas, escondidas nas partes laterais das carrocerias dos veículos, ou embaixo de mercadorias, ou em mudanças. Utilizam também ônibus interestaduais e caminhões, que transportam frutas, cereais, gado, carvão e madeiras.

Nesta ilustração abaixo, você vai ver como funciona o tráfico de maconha, de acordo com o relatório anual do Departamento de Polícia Federal.



A maior parte da maconha consumida no Brasil é produzida no Paraguai.


Ela entra no país de várias formas. Entre as mais comuns, nós temos: de carro, de ônibus e de caminhão.


25% das pessoas presas, tentam entrar de carro com a maconha, o que corresponde a 10% da droga apreendida.


05% das pessoas presas, tentam entrar de caminhão com a maconha, o que corresponde a 85% da droga apreendida.


70% das pessoas presas, tentam entrar de ônibus com a maconha, o que corresponde a 05% da droga apreendida.

Fonte: Guerra Contra as Drogas – Clique aqui para conferir

sexta-feira, 15 de julho de 2011

“Nós educamos os filhos para que eles usem drogas”

Em entrevista, o psiquiatra Içami Tiba redefine os papéis de pais e de educadores e alerta para os perigos da “cultura do prazer”



Camila de Lira, iG São Paulo | 14/07/2011 07:35




Textos:


Uma pergunta que nunca sai – ou ao menos nunca deveria sair – da cabeça de pais e professores é “como educar as crianças de verdade?”. Autor de livros como “Adolescentes: quem ama educa!” e “Disciplina: Limite na Medida Certa” (ambos da Editora Integrare), o psiquiatra Içami Tiba responde esta e outras questões relacionadas à educação em seu novo livro, “Pais e Educadores de Alta Performance” (Editora Integrare).

Foto: Divulgação Ampliar

Içami Tiba: "os pais devem exigir que seus filhos façam o que é necessário"


Com 43 anos de experiência em consultório, Içami alerta os pais para os perigos da cultura do prazer. “Nós educamos os filhos para que eles usem drogas”, comenta, avaliando a atitude de pais que oferecem tudo sem exigir responsabilidade em troca. Para ele, a família é a principal responsável pela formação dos valores e não deve jogar esse papel para a escola. Mas as escolas, por terem um programa educacional organizado, podem guiar os pais. Leia a entrevista com o autor.



Leia também

Limites: essenciais para a criança
9 passos para impor limites
Castigar os filhos é mesmo coisa do passado?


iG: Qual a responsabilidade dos pais e qual a dos educadores na educação das crianças?

Içami Tiba: A família continua sendo a principal responsável pela educação de valores, mas é importante que haja uma parceria na educação pedagógica. As crianças viraram batatas quentes: os pais as jogam na mão dos professores, os professores devolvem. Pais precisam ser parceiros dos professores. Quem tem que liderar a parceria, no começo, é a escola, pois tem um programa mais organizado. Com a parceria, ambos ficam fortes. Os pais ficam mais fortes quando orientados pela escola.


iG: O que é mais importante na educação de uma criança?

Içami Tiba: É exigir que ela faça o que é necessário. Os pais dão tudo e depois castigam os filhos porque estes fazem coisas erradas. Mas não é culpa dos filhos. Afinal, eles não querem estudar porque estudar é uma coisa chata, mas alguma vez ele fez algo que é chato em casa? No final, a criança estica na escola aquilo que aprendeu em casa. A educação é um projeto de formar uma pessoa com independência financeira, autonomia comportamental e responsabilidade social.


iG: Como os pais podem educar bem seus filhos? Qual o segredo?

Içami Tiba: Um pai de verdade é aquele que aplica em casa a cidadania familiar. Ou seja, ninguém em casa pode fazer aquilo que não se pode fazer na sociedade. Os pais devem começar a fazer em casa o que se faz fora dela. E, para aprender, as crianças precisam fazer, não adianta só ouvir. Elas estão cansadas de ouvir. Muitas vezes nem prestam atenção na hora da bronca, não há educação nesse momento. É preciso impor a obrigação de que o filho faça, isso cria a noção de que ele tem que participar da vida comunitária chamada família.


iG: No livro, o senhor comenta que uma das frases mais prejudiciais para se falar para um adolescente é o “faça o que te dá prazer”. Por quê?

Içami Tiba: O problema é que essa frase passa apenas o critério de prazer e não o de responsabilidade. Nós queremos que nossos filhos tenham prazer sem responsabilidade. Por isso eles são irresponsáveis na busca deste prazer. E o que é uma droga, senão uma maneira fácil de se ganhar prazer? A pessoa não precisa fazer nada, apenas ingeri-la. Nós educamos os filhos para que eles usem drogas. Se ele tiver que preservar a saúde dele, pensa duas vezes.



Leia também:
os desafios da adolescência

Foto: Divulgação Ampliar

Capa do livro "Pais e Educadores de Alta Performance"


iG: Por que você acha que alguns pais não ensinam os filhos a ter responsabilidade?

Içami Tiba: Não ensinam porque não aprenderam. Estes pais querem ser amigos dos filhos e isso não faz sentido. Provedor não é amigo.


iG: Por que o pai não pode ser só amigo ou só provedor?

Içami Tiba: Não pode ser amigo porque pai não é uma função que se escolhe, e amigos você pode escolher. O filho é filho do pai e tem que honrar os compromissos estabelecidos com ele. Um filho não pode trocar de pai assim como troca de amigo, por exemplo. Por outro lado, o pai que é unicamente provedor, como eram os de antigamente, também não dá uma educação saudável ao filho, afinal ele apenas dá e não cobra. Pai não pode dar tudo e não controlar a vida do filho. Quando digo controle, quero dizer que o pai deve fazer com que o filho corresponda às expectativas, que o filho faça o que precisa ser feito. Um filho não pode deixar de escovar os dentes ou de estudar e o pai não pode deixar isso passar.


iG: Como a meritocracia pode ajudar na criação?

Içami Tiba: O mundo é meritocrata, os pais se esqueceram disso. Ganha-se destaque por alguma coisa que a pessoa fez; se não mereceu, logo o destaque se perde. Dar a mesma coisa para o filho que acertou e para o que errou não é bom para nenhum dos dois. É preciso ser justo. Os pais precisam aprender a educar, não dá para continuar achando que apenas porque são bonzinhos vão ser bons pais. Não adianta muito um cirurgião apenas amar seu paciente; para fazer uma boa cirurgia é preciso ter técnica. É a mesma coisa com os pais.


iG: Amor e educação combinam com disciplina?

Içami Tiba: Disciplina é a coisa que mais combina com a educação. É uma competência que você desenvolve para atingir o objetivo que quer. Se você ama alguém, tem que ter disciplina. Os pais precisam fazer com que os filhos entendam que eles têm que cumprir sua parte para usufruir o amor. Os pais precisam exigir.


iG: Como exigir sem agressividade?

Içami Tiba: O exigir é muito mais acompanhar os limites, aquilo que o filho é capaz de fazer. Não dá para exigir que ele vá pendurar roupas no armário se ele não pode arrumar uma gaveta. Por outro lado, os pais não podem fazer pelos filhos o que eles são capazes de fazer sozinhos. A partir daí, quando se cria uma segurança, a exigência começa a fazer parte da convivência. Essa exigência é boa. O pai não pode sustentar e não receber um retorno. É como se ele comprasse uma mercadoria e não a recebesse.


iG: No livro, o senhor diz que todos somos educadores. Como podemos nos portar para educar direito as outras pessoas?

Içami Tiba: Você quer educar? Seja educado. E ser educado não é falar “licença” e “obrigado”. Ser educado é ser ético, progressivo, competente e feliz.

Fonte – IG.com.br – Clique aqui para conferir


terça-feira, 12 de julho de 2011

Vejam o que acontece quando se colocam os pingos nos is



Luiz Carlos Nogueira

Meu pai costumava contar um “causo” satirizando as trocas de favores dos tempos dos coronéis da política (diga-se que incrivelmente isso ainda não acabou), para conquistar os eleitores burros, porém mal-intencionados.

Contou-me ele, que certa vez um moço de família pobre havia completado 18 anos de idade, e como havia sido dispensado do serviço militar obrigatório (para homens), precisava arrumar emprego; mas como morava em cidade pequena, sem muitos postos de trabalho, se viu desorientado.

O pai do rapaz, como já havia trabalhado em uma das eleições para um “dotô diputado”, preocupado com a situação do filho, falou com a sua mulher:

Ô Therta, acho que vô procurá o diputado “Trincaespinha” pra mô di vê si ele arruma um trabaio pro Gerso!

Uai marido, pruquê qui ocê ainda ta aqui? Vái lá ôme, que cobra que num anda num ingole sapo sô! Vê se o dotô “Trincaespinha” agora arranja um imprego prele! Finar tá na ora docê cobrá dele o trabaio qui ocê teve na campanha eleitorá dele uai!

E lá se foi seu Riobaldo à procura do “Trincaespinha”, chegando lá foi recebido muito bem pela assessoria do deputado (água gelada, cafezinho, bolacha, etc., claro, tudo com verba retirada dos impostos que nós pagamos).

Várias foram as idas e vindas de Riobaldo, porque sempre o “Tricaespinha” ou estava viajando ou inaugurando obras (que ele não fez, é claro), de uma prefeitura ou outra, ou uma ponte construída com verba estadual (que o deputado disse no discurso que se tratava da verba que ele conseguiu no Rio de Janeiro, com o Governo da República. Sim porque naquela época a Capital do Brasil era Rio de Janeiro). Ou também estava em reunião com sua base eleitoral. Enfim, mil desculpas para não atender Riobaldo (Lá vem aquele chato outra vez! Se vira inventa qualquer coisa que vou sair pela porta dos fundos, dizia o deputado).

Até que chegou um dia que a paciência de Riobaldo se esgotou. Foi direto batendo na porta do gabinete do deputado e abrindo-a abruptamente. Por acaso o deputado tinha retornado da capital (Rio de Janeiro) e estava no escritório. Foi um susto. Uai Riobaldo o que é isso? Ai Riobaldo despejou toda a sua indignação em cima do deputado “Trincaespinha”, “seu amigo”.

O deputado se explicou dizendo da sua imensa correria, a enormidade de trabalho que tinha por conta do seu cargo, mas imediatamente tomou uma folha de papel e escreveu um bilhete para o gerente da unidade de uma empresa estatal na cidade onde morava Gerson, recomendando-o para providenciar a contratação do rapaz.

Riobaldo saiu feliz com a boca aberta num riso que “ia de oreia a oreia” como diziam as pessoas do povo.

Chegando em casa disse: tai muié, vê só qui acabei conseguino! Uma carta pro gerente da Cia. Quebradeira de Pedra, evidentemente uma sociedade de economia mista, que antigamente podia admitir funcionários sem concurso público.

A filha que era professora, pediu para ver a carta. Admirada ela disse, mas olha só na pressa o deputado até se esqueceu de colocar os pingos nos is! Ora, mas não será por isso que ele passará vergonha! Colocarei os pingos nos is para ajudá-lo! E assim o fez.

Pronto, resolvido problema Gerson se apresentou na empresa, na qual foi recebido com abraços e muitas cordialidade. Foi admitido de pronto.

Passado alguns anos, o deputado foi falar com o gerente da estatal que era muito seu amigo e estava naquela empresa por conta do prestígio do deputado. Claro isso porque estava novamente na época de eleições e o deputado pretendia se reeleger. Conversa vai, conversa vem, de repente alguém bateu à porta. Era Gerson que trazia um documento que o gerente lhe havia solicitado.

Houve manifestações de contentamento de ambos, padrinho e afilhado. Feita entrega do documento e os efusivos agradecimentos de Gerson, este se retirou.

Os olhos do deputado “Trincaespinha” se injetaram, suas faces de avermelharam, quase saindo fumaça pelas narinas e pelos ouvidos, bradou:

Pô.......seu Mané ficou idiota!? O que nós havíamos combinado quando eu mandasse alguém para ser admitido? Fala aí “cara”. Como é que esse “careta” está trabalhando aí? Essa vaga era para outro!

Peraí ô “Trinca” ! Se você mandasse um bilhete sem os pingos nos is eu não deveria contratar e daria um jeito de ir enrolando até que o fulano desistisse. Não era isso??

Então o idiota é você que se esqueceu e colocou os pingos nos is!

Bom o que aconteceu depois não interessa, porque eles que eram da mesma laia que teriam que se entender.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Magno Malta: “Lei anti-homofobia é um defunto”


02/07/2011 - 07h00







Senador, cantor de pagode evangélico e presidente da Frente em Defesa da Família diz que o PL 122, que torna crime a homofobia, não tem a menor chance de ser aprovado no Congresso



Magno Malta diz que projeto anti-homofobia legaliza também a pedofilia, a necrofilia e outras aberrações sexuais


Fábio Góis



A temática da sexualidade talvez nunca tenha provocado tanta celeuma no Congresso, em toda a sua história, como nesta legislatura. A decisão do Supremo Tribunal Federal de aceitar a união civil de pessoas do mesmo sexo; a tramitação do projeto que torna crime a homofobia; o ingresso no Parlamento do primeiro deputado gay declarado e defensor das causas da homossexualidade – eis algumas das iniciativas a gerar forte antagonismo dos grupos ligados a religiões e outros setores da sociedade que condenam o que chamam de desvios de comportamento e imoralidade. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) pode ter se tornado o mais estridente representante desse segundo grupo, mas não está sozinho. No Senado, os representantes da bancada religiosa trabalham para matar por inanição o Projeto de Lei 122/2006, conhecida como Lei Anti-homofobia. Se depender do senador Magno Malta (PR-ES), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Família, a lei sequer irá além das discussões em comissões temáticas, uma das etapas iniciais da tramitação. "O projeto é um defunto", desafia Magno Malta, em entrevista ao Congresso em Foco.








O projeto já passou pela Comissão de Assuntos Sociais (confira o relatório aprovado), está em análise na Comissão de Direitos Humanos (CDH) e, se passar pelo colegiado, deve seguir para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Audiências públicas, textos substitutivos, emendas de redação, entre outros procedimentos, têm emperrado a tramitação do PL. Que sequer chegará à CCJ, se depender do presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Família – não por coincidência, o próprio Magno Malta, que apresentou o requerimento de audiência pública em meados de maio, ato mais recente do colegiado em relação à matéria. Ele chegou a publicar em sua página na internet que, caso o projeto fosse aprovado sem alterações, renunciaria ao cargo.“Se o PL 122 for aprovado eu renuncio ao meu mandato. Se isso acontecer eu renuncio! Mas isso não vai acontecer. Este projeto está morto. Você já viu um morto ressuscitar? Apenas Lázaro, e parou ali. O que vai acontecer é que nós vamos sepultar este projeto, e fim”, declarou Magno em entrevista à revista religiosa Comunhão, veiculada na versão on-line em 20 de junho.Leia mais:Projeto contra homofobia emperra no Senado“A Constituição já diz que nós somos iguais. Então nós vamos criar um texto para dizer de novo que nós somos iguais, que o respeito dado ao índio, ao negro, ao judeu é o mesmo que tem de ser dado ao homossexual? O PL 122 apodreceu, é um defunto, está morto”, vociferou o evangélico, em entrevista concedida ao Congresso em Foco na última quarta-feira (29), um dia movimentado de deliberações no Plenário do Senado. Magno, que presidiu até há poucos meses a CPI da Pedofilia, apressou-se em reafirmar que é frontalmente contra qualquer modalidade de sexo que não seja entre homem e mulher.





“Deus criou macho e fêmea. Fulana está grávida de um menino ou de uma menina. Você não diz que fulana está grávida de um homossexual, não existe isso!”, exclamou o senador, apontando que o fato de o projeto reforçar a liberdade de opção sexual estimulará “aberrações”.





“O projeto é cheio de sutilezas. Uma das sutilezas brabas é essa: se você não aceitar a opção sexual de alguém, você comete um crime. Se esse texto for aprovado assim, estão legalizados a pedofilia, o sadomasoquismo, a bestialidade da relação com animais, a necrofilia, que é relação sexual com defuntos... Quer dizer, qual a lei que o juiz vai obedecer?”, vislumbra o senador, caprichando na criatividade escatológica.





“Por exemplo, uma viúva pode dizer: 'Meu defunto vai ficar aqui no prédio, eu quero viver com ele aqui mais dez anos, embalsamado. E o fedor entrando... A viúva pode levar um bode pra dentro do prédio, um jumento, até porque você só comete crime com animais silvestres e exóticos. Bode, jumento não estão nesse meio”, lembra Magno Malta, antes de adentrar o plenário para mais um discurso contra o que considera atentados aos dogmas cristãos.






Confira a íntegra da entrevista:






Congresso em Foco - O senhor chegou a dizer que renunciaria ao mandato caso fosse aprovado o projeto que torna crime a homofobia. A promessa continua de pé?






Magno Malta - O que eu quis dizer foi o seguinte: eu tento tanta certeza de que ele [o projeto] não vai ser [aprovado], que eu disse que renunciaria. Muitos eleitores, e mesmo pessoas da imprensa, deram publicidade a essa minha fala em outro contexto. No dia em que os hackers invadiram a página da presidenta Dilma, naquela madrugada também houve uma invasão à minha página, inclusive colocando a “digital” na invasão, porque citavam exatamente elementos para o que o PL 122 fosse aprovado, para que eu renunciasse. Estão tentando transformar isso numa luta entre evangélicos e homossexuais. E não é. Eu, que presido a Frente Parlamentar da Família, sei que tem pessoas de segmentos religiosos diversos, gente que não professa fé nenhuma, que pensa da mesma forma. E que fazem parte da Frente, e somos maioria absoluta na Comissão de Direitos Humanos. Qualquer coisa que vier [a favor do projeto], certamente não terá sucesso.






Mas quando a senadora Marta Suplicy fala que o projeto pode voltar à estaca zero, isso não significaria uma recuo na luta contra o preconceito?







Esse número [PL] 122 é podre. Não aprovaremos nada com esse número. Eu encontrei esse rapaz, o [deputado] Jean [Willys]. Estávamos eu ele e o ascensorista apenas, e eu disse a ele: “Você está falando muita bobagem a meu respeito”. Porque ele dá entrevista dizendo que meu discurso é odioso, que eu disse que todo homossexual é pedófilo. Isso é uma mentira, onde está escrito isso? Eu sempre faço a defesa da opção das pessoas. Eu disse a ele: “Olha, isso [o PL 122] apodreceu. Eu topo conversar com você, no meu gabinete. Vamos discutir um texto novo”. Um texto para dar satisfação ou descarga na consciência, porque a Constituição já diz que nós somos iguais. Então nós vamos criar um texto para dizer de novo que nós somos iguais, que o respeito dado ao índio, ao negro, ao judeu é o mesmo que tem de ser dado ao homossexual? Ou mesmo a um garoto que nasceu com deficiência, um garoto estrábico, que não pode ser zombado na escola? Ora... Então vamos fazer, só para dar descarga na consciência? Vamos fazer. Está na Constituição, são as relações de boa convivência. A nossa dívida constitucional é essa, é respeitar as pessoas, as suas opções. Agora, com a participação de todos os partidos, vamos começar do zero, com novo número. Porque o PL 122 é um defunto, está morto.







Qual o problema com o número 122?






Porque é o “PL da Homofobia”, coisa e tal. O Brasil não é homofóbico, esse termo é uma desgraça que criaram. Por exemplo, você chega em casa e vê um casal heterossexual se beijando em baixo de sua janela, você fala e pede: “Amigo, minhas crianças estão aqui”. Se você pedir para um homem e uma mulher, eles não vão pedir para você ser preso. Quer dizer que você pode falar para um casal hetero que se contenha e não pode falar para um casal homossexual? Isso é uma brincadeira!






Esse é um dos pontos do projeto, deputado. Na sua opinião, qual o pior ponto do PL?Todos são muito ruins. Ele tem sutilezas demais. Uma das sutilezas brabas é essa: se você não aceitar a opção sexual de alguém, você comete um crime. Se esse texto for aprovado assim, estão legalizadas também a pedofilia, o sadomasoquismo, a bestialidade da relação com animais, a necrofilia, que é relação sexual com defuntos... Quer dizer, qual a lei que o juiz vai obedecer? Qual será a interpretação dele?






Mas isso que o senhor está citando é crime ...A lei maior se sobrepõe à menor. Vai ficar uma dúvida. O advogado do pedófilo vai poder pegar essa lei e alegar que essa é a opção sexual dele, que ele gosta de garoto de 9 anos de idade, de 2 anos. E aí? O juiz vai decidir como, se tem uma lei que diz que se você não respeitar a opção você é que é o criminoso? E o pedófilo deixa de ser criminoso. Olha que troço louco! Por exemplo, uma viúva pode dizer: “Meu defunto vai ficar aqui no prédio, eu quero viver com ele aqui mais dez anos, embalsamado. E o fedor entrando... A viúva pode levar um bode pra dentro do prédio, um jumento, até porque você só comete crime com animais silvestres e exóticos. Bode, jumento não estão nesse meio. Se isso for legalizado, como é que decide o juiz? São sutilezas. E essas pessoas que estão defendendo isso...






Mas, senador, será que não existe mesmo preconceito? Há, por exemplo, a questão da não contratação de homossexuais só por causa da orientação sexual...






Esse é outro absurdo. Se você não admitir um homossexual, cinco anos de cadeia. Se você demitir, sete. Se você não alugar seu imóvel, sete também. Dá problema de cadeia.






O senhor está dizendo que não será admitida a demissão de um homossexual se ele for incompetente?






Não vai! De jeito nenhum! E outra, se ele colocar o currículo na sua empresa, aí você se lascou. Você vai ter de admitir, se não vão ser sete anos de cadeia. Quer dizer, você pode demitir um negro, um índio, você pode demitir uma pessoa com deficiência. Você pode não alugar seu imóvel para um portador de deficiência que você não vai preso. Segundo o PL 122, se for um homossexual, aí você vai preso. Então, estão criando um império homossexual no Brasil, uma casta diferenciada em detrimento de uma grande maioria que não aceita isso.




Mas mesmo que o projeto tenha contradições, o senhor não teme que o acirramento dessa discussão possa aumentar os casos de violência contra homossexuais no país?





Não conheço essa violência que eles falam.







Mas e os casos registrados na Avenida Paulista, no centro de São Paulo?






Mas e a Cracolândia? E a Avenida Dom Pedro? E o Glicério, e a Praça da Sé, em São Paulo? Eu conheço a violência contra nordestinos, contra mendigos, contra meninos de rua, contra meninas de rua, que são violentadas, contra viciados. A violência que se faz quando se mata de fome milhares de famílias neste país, que são expostas ao relento. A violência é contra todos! Quem tem coragem de espancar ou matar um homossexual tem coragem de fazer isso com um idoso, um portador de deficiência. Não adianta trazer estatística, porque aí eu vou trazer mais estatísticas de gente que morreu no trânsito, atropelada por ricos. Por políticos bêbados, que se recusam a fazer [teste de] bafômetro]. Agora foi o [ex-deputado federal] Índio da Costa, antes foi o Aécio [Neves, senador], que não têm exemplo nenhum para dar a ninguém – um foi candidato a vice-presidente e o outro, agora, quer ser presidente. E se recusam a fazer bafômetro? E os anônimos, vão cobrar o quê dos anônimos? Então quer dizer que não tem proteção para um indivíduo que ficou tetraplégico porque foi atingido por um indivíduo desse, bêbado, na avenida? Tem proteção pro outro, que, para se proteger, diz que não faz bafômetro. Morre gente no trânsito todo dia, gente fica tetraplégica todo dia. O Brasil é um país violento. O uso e o abuso de drogas, que é o adubo da violência, faz vítimas todos dos dias, e não são homossexuais. É só ver as ocorrências de mortos pelos hospitais e delegacias que você vai ver que 99% são pessoas estavam vindo do trabalho, foram assaltadas, e morreram. Ou o cara que morreu dentro da rave [festa eletrônica], foi assaltar e morreu. Ou o outro que morreu dentro da boca de fumo. Essa história de colocar a violência contra homossexual para criar polêmica, que é um casuísmo muito grande, essa não vale.






O senhor teme ser comparado com o deputado Jair Bolsonaro?






Não. Acho que o homem é a sua decisão, é o que ele defende. E cada qual tem o direito de defender o que quer e o que acredita.






O que o senhor acha do deputado Bolsonaro?






Eu o respeito, porque ele tem posição. Só não respeito quem não tem posição, quem é camaleão, que fica da cor da situação para tirar proveito. Agora, ele é um sujeito incisivo, duro. Eu não. Eu sempre respeitei os homossexuais. Os homossexuais pagam imposto, trabalham, tem muitos prestando serviços a esse país, e precisam do nosso respeito. Eu trabalho na recuperação de drogados há 30 anos, e está cheio de drogados homossexuais. Eu sempre os recebi. Eu sou presidente de um partido que, em meu estado, tem travesti.







O senhor acha que homossexualismo é questão de doença?






Eu não entraria nesse mérito. Eu sei que Deus criou macho e fêmea. Fulana está grávida de um menino ou de uma menina. Você não diz que fulana está grávida de um homossexual, não existe isso! Agora, se o homem, por conta da sua cultura, quer se envolver com outro homem, isso é velho! No capítulo 1º de Romanos, a Bíblia diz o seguinte: “Por que se inflamaram na sua homossexualidade?”. Eu sou um homem cristão, e acredito nos moldes de Deus, macho e fêmea. Eu não acredito [em desvios sexuais], vou lutar até o final. Esse Senado da República não vai criar um terceiro sexo.




O senhor está certo, então, de que o projeto não será aprovado?






Completamente certo. Eu estou inclusive propondo banir essas audiências públicas e sugerir que se coloque em votação. Bota pra votar. Vamos enterrar esse defunto de uma vez, jogar terra em cima dele. E, se quiserem, vamos discutir um texto genérico só pra dar satisfação à consciência.






Então o senhor não vai renunciar...





De jeito nenhum.






Leia outras entrevistas do Congresso em Foco a respeito do tema da homossexualidade:






























Fonte: Congresso em Foco – Clique aqui para conferir esta matéria