terça-feira, 19 de julho de 2011

AMANHECÊNCIAS

deEdson Paulucci edson.paulucci@gmail.com
paraLuiz Carlos Nogueira
data19 de julho de 2011 13:09
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AMANHECÊNCIAS

O sono chegou como um raio.

Surfando o céu, entre nuvens e anjos,

malabarismou reticências...

De leve a profundo, nem sei mais do mundo.

Esse sono faceiro, que quis dormir antes

mesmo de mim, me algemou ao travesseiro.

Recostado a ele, sem prosa ou verso,

só sentia a pulsação do universo

em cálidos golpes de sutis vibrações.

Dorme poeta, dorme.

Vibra também, vai... procura tua sorte.

Encontra teu norte perdido na bússola do tempo.

Encaixa no sono profundo, teu sonho menino.

Que sempre foi profano. Que sempre foi franzino.

E vive por uns tempos momentos de glória.

Acorda poeta. Já é instante do dia.

O Sol vem nascendo...iluminando tua história...

clareando teu querer...bendizendo tua poesia.

Edson Paulucci

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Guerra Contra as Drogas - MACONHA

MACONHA – É UMA PLANTA FÊMEA DA

CANNABIS SATIVA LINEU:


SUBSTÂNCIA ALUCINÓGENA


THC (TetraHidroCanabinol – Princípio Ativo)

Pés de Maconha sendo destruídos pela Polícia Federal na região da fronteira com o Paraguai. No detalhe, maconha prensada pronta para ser consumida.


MACONHA: É conhecida há milhares de anos como medicamento e intoxicante, foi amplamente utilizada, no século XIX, como analgésico, anticonvulsivo e hipnótico. Recentemente se desenvolveu um interesse em seu uso no tratamento do glaucoma e de náuseas produzidas pela quimioterapia para o câncer.

É geralmente usada em forma de cigarro (baseado) ou cachimbo, pois quando a mesma é queimada o principio ativo tetrahidrocanabinol (THC) torna-se mais potente. Pode ser mascada e também usada em forma sintética para as experiências nos tratamentos de doenças já mencionadas anteriormente. Existem as plantas machos (com cinco pontas nas folhas) e fêmeas (com sete ou nove pontas), mas só as fêmeas são fumadas.

É a droga mais consumida por estudantes; fumada como cigarro, inicialmente indo para o sistema respiratório, daí a distribuição para outros órgãos através da corrente sangüínea. Quando associada ao álcool, ela tem uma potencialização de ação. Seus efeitos podem ser sentidos poucos minutos após o uso e pode durar, dependendo do organismo, até 6 horas.

A planta do cânhamo, a Cannabis Sativa, foi classificada em 1753 por Carl Von Linne, daí o seu designativo Cannabis Sativa Lineu, que é o seu nome científico.



A proibição da maconha não é uma prática generalizada. Em alguns países islâmicos, por exemplo, a erva tem o seu consumo permitido, já que o Corão não a proíbe, ao contrário do álcool que é considerado fora da lei.


Maconha é o nome dado aqui no Brasil, mas ela também é conhecida como baseado, bequi, charão, vela, erva, fininho, pacau, marijuana, ganja e bangh.


Pés de maconha sendo destruídos pela
Polícia Federal na região de fronteira




Ela é uma planta que atualmente é cultivada clandestinamente no Paraguai, e em alguns estados brasileiros.


Depois de cultivada, ela é colhida e prensada, para ser transportada e distribuída aos pontos consumidores. Nas bocas de fumo, ela é enrolada e são feitos os cigarrinhos que são vendidos para os usuários (conforme as fotos ao lado).


O THC (tetrahidrocanabinol) é uma substância química fabricada pela própria maconha, sendo o principal responsável pelos efeitos desta. Assim, dependendo da quantidade de THC presente (o que pode variar de acordo com solo, clima, estação do ano, época da colheita, tempo decorrido entre a colheita e o uso), a maconha pode ter potência diferente, isto é, produzir mais ou menos efeitos. Essa variação nos efeitos depende também da própria pessoa que fuma a planta; ninguém é igual a ninguém. Assim, a dose de maconha insuficiente para um pode produzir efeito nítido em outro e até forte intoxicação em um terceiro.



NA EUROPA E NO NORTE DA ÁFRICA a CANNABIS SATIVA LINEU é também cultivada em ambientes fechados dando origem a outros tipos de maconha.


Entre estes o SKUNK e a SIMSEMILLA que são variações genéticas da planta da maconha que crescem mais rapidamente e são cultivadas em estufas. Quando isso ocorre, o THC chega a ser até sete vezes mais forte do que a maconha comum.


OS MAIORES PRODUTORES DE MACONHA NO BRASIL


A maconha é a droga ilegal mais consumida no mundo. Em 1998, o Brasil passou de importador para exportador de maconha, pois muitos estados brasileiros passaram a plantá-la de forma ilegal, com isso, ela passou a ser um dos produtos da economia de algumas cidades localizadas nestas regiões.


No Brasil são vários os Estados que produzem maconha. Na região Nordeste, nós temos os Estados da Bahia, Maranhão, Pernambuco e Sergipe que são os maiores produtores de maconha do país. Na região Norte, ela também é plantada nos Estados do Pará e Amazonas. Ela também é produzida nos Estados do Mato Grosso do Sul e Paraná, na região fronteiriça com o Paraguai, sendo que a maior quantidade é procedente do Paraguai. Os traficantes utilizam principalmente o sertão nordestino e as terras desapropriadas pelo governo para plantarem ilegalmente a maconha.


MACONHA E SEUS EFEITOS NO ORGANISMO


O grande problema da maconha é que ela é a porta de entrada para outras drogas mais fortes; muitos pensam que, por ser uma droga natural, não faz mal; mas estão enganados, pois ela pode prejudicar todo o organismo, ela afeta:

O SISTEMA RESPIRATÓRIO: Prejudicando os pulmões, diminuindo sua capacidade imunológica, tendo o viciado facilidade em adquirir doenças pulmonares, pois a substância que existe na fumaça da maconha são irritantes para a mucosa pulmonar; geralmente o dependente tem problemas de sinusite, laringite, inflamações nos brônquios e traquéia, causando dor de garganta e tosse crônica.

PRESSÃO CARDÍACA: Aumenta o trabalho do coração; o quadro que ocorre assemelha-se com uma pessoa com STRESS, o coração necessita de oxigênio e a fumaça da maconha faz chegar pouco oxigênio no coração, com isso, não chega quase nada de oxigênio no restante do corpo.

SISTEMA NERVOSO: Ataca os neurotransmissores de acetilcolina, que é o mensageiro químico que transmite informações de uma célula nervosa para outra; provoca ansiedade, confusões mentais e pode levar a psicoses incuráveis:

A MACONHA É UMA DROGA DESMOTIVANTE, diminui acentuadamente a vontade de estudar, de trabalhar, de relacionar-se com a família, bem como aumenta o desinteresse por tudo.



Como qualquer outra droga, seus efeitos vão depender da quantidade usada. Algumas pessoas, ao usarem maconha, sentem-se relaxadas, falam bastante, riem à toa. Outras sentem-se ansiosas, amedrontadas e confusas. A mesma pessoa pode, de um uso para o outro, experimentar vários tipos de efeitos.


Em doses menores, os sentidos e a percepção ficam alterados. As pessoas podem relatar que as músicas ficam mais bonitas, as cores mais vivas, o cheiro, o gosto e o tato mais aguçados. A percepção de tempo e de espaço também fica alterada. Todas essas sensações podem ser prazerosas para algumas pessoas e desagradáveis para outras.


Em doses maiores, a pessoa pode experimentar várias sensações desagradáveis, tais como: confusão mental, paranóia, pânico, alucinações e ainda pode provocar o câncer.

O usuário quando está começando o seu vício, ele fuma a maconha, a fumaça vai direto para o cérebro, com isso, excita os neurônios e com essa excitação o usuário acha que ficou mais inteligente e mais esperto, o que na realidade não é verdade. Com o tempo de uso, a fumaça que vai para o cérebro, em vez de excitar os neurônios, passa a destruí-los. Com isso, a pessoa pode passar a perder a memória e a capacidade de raciocínio.
Pessoas que usam maconha, por muitos anos, tem dificuldade de parar de usá-la. O usuário pode desenvolver dependência, isto é, a maconha torna-se tão importante na sua vida, que ele passa a organizá-la de maneira a facilitar seu uso, sentindo ansiedade quando não a tem disponível.

Se você está desconfiado que algum conhecido seu, está fumando maconha, é só pedir para ele cuspir; e verificar se seus olhos estão vermelhos, pois além de todos os efeitos negativos à saúde, que a maconha proporciona, ela faz com que a pessoa fique também com a boca seca e não consiga cuspir.

Agora se alguém diz: “eu já fumei maconha e não senti nada disso”, esse alguém não sentiu, porque no lugar de maconha, deve ter fumado esterco de vaca, pensando ser maconha; pois como o traficante só quer ganhar dinheiro, ele mistura não só esterco de vaca, mas qualquer produto que pareça com a droga. Ex: maconha com esterco de vaca, Haxixe com esterco de cabrito, cocaína com qualquer pó branco, etc.

Nesta ilustração ao lado, nós temos um pouco de maconha e um pouco de esterco de vaca, praticamente não dá para distinguir a diferença.


Como a maconha é apreendida?

R: Em formas de tijolos, acondicionadas em bolsas, malas, escondidas nas partes laterais das carrocerias dos veículos, ou embaixo de mercadorias, ou em mudanças. Utilizam também ônibus interestaduais e caminhões, que transportam frutas, cereais, gado, carvão e madeiras.

Nesta ilustração abaixo, você vai ver como funciona o tráfico de maconha, de acordo com o relatório anual do Departamento de Polícia Federal.



A maior parte da maconha consumida no Brasil é produzida no Paraguai.


Ela entra no país de várias formas. Entre as mais comuns, nós temos: de carro, de ônibus e de caminhão.


25% das pessoas presas, tentam entrar de carro com a maconha, o que corresponde a 10% da droga apreendida.


05% das pessoas presas, tentam entrar de caminhão com a maconha, o que corresponde a 85% da droga apreendida.


70% das pessoas presas, tentam entrar de ônibus com a maconha, o que corresponde a 05% da droga apreendida.

Fonte: Guerra Contra as Drogas – Clique aqui para conferir

sexta-feira, 15 de julho de 2011

“Nós educamos os filhos para que eles usem drogas”

Em entrevista, o psiquiatra Içami Tiba redefine os papéis de pais e de educadores e alerta para os perigos da “cultura do prazer”



Camila de Lira, iG São Paulo | 14/07/2011 07:35




Textos:


Uma pergunta que nunca sai – ou ao menos nunca deveria sair – da cabeça de pais e professores é “como educar as crianças de verdade?”. Autor de livros como “Adolescentes: quem ama educa!” e “Disciplina: Limite na Medida Certa” (ambos da Editora Integrare), o psiquiatra Içami Tiba responde esta e outras questões relacionadas à educação em seu novo livro, “Pais e Educadores de Alta Performance” (Editora Integrare).

Foto: Divulgação Ampliar

Içami Tiba: "os pais devem exigir que seus filhos façam o que é necessário"


Com 43 anos de experiência em consultório, Içami alerta os pais para os perigos da cultura do prazer. “Nós educamos os filhos para que eles usem drogas”, comenta, avaliando a atitude de pais que oferecem tudo sem exigir responsabilidade em troca. Para ele, a família é a principal responsável pela formação dos valores e não deve jogar esse papel para a escola. Mas as escolas, por terem um programa educacional organizado, podem guiar os pais. Leia a entrevista com o autor.



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iG: Qual a responsabilidade dos pais e qual a dos educadores na educação das crianças?

Içami Tiba: A família continua sendo a principal responsável pela educação de valores, mas é importante que haja uma parceria na educação pedagógica. As crianças viraram batatas quentes: os pais as jogam na mão dos professores, os professores devolvem. Pais precisam ser parceiros dos professores. Quem tem que liderar a parceria, no começo, é a escola, pois tem um programa mais organizado. Com a parceria, ambos ficam fortes. Os pais ficam mais fortes quando orientados pela escola.


iG: O que é mais importante na educação de uma criança?

Içami Tiba: É exigir que ela faça o que é necessário. Os pais dão tudo e depois castigam os filhos porque estes fazem coisas erradas. Mas não é culpa dos filhos. Afinal, eles não querem estudar porque estudar é uma coisa chata, mas alguma vez ele fez algo que é chato em casa? No final, a criança estica na escola aquilo que aprendeu em casa. A educação é um projeto de formar uma pessoa com independência financeira, autonomia comportamental e responsabilidade social.


iG: Como os pais podem educar bem seus filhos? Qual o segredo?

Içami Tiba: Um pai de verdade é aquele que aplica em casa a cidadania familiar. Ou seja, ninguém em casa pode fazer aquilo que não se pode fazer na sociedade. Os pais devem começar a fazer em casa o que se faz fora dela. E, para aprender, as crianças precisam fazer, não adianta só ouvir. Elas estão cansadas de ouvir. Muitas vezes nem prestam atenção na hora da bronca, não há educação nesse momento. É preciso impor a obrigação de que o filho faça, isso cria a noção de que ele tem que participar da vida comunitária chamada família.


iG: No livro, o senhor comenta que uma das frases mais prejudiciais para se falar para um adolescente é o “faça o que te dá prazer”. Por quê?

Içami Tiba: O problema é que essa frase passa apenas o critério de prazer e não o de responsabilidade. Nós queremos que nossos filhos tenham prazer sem responsabilidade. Por isso eles são irresponsáveis na busca deste prazer. E o que é uma droga, senão uma maneira fácil de se ganhar prazer? A pessoa não precisa fazer nada, apenas ingeri-la. Nós educamos os filhos para que eles usem drogas. Se ele tiver que preservar a saúde dele, pensa duas vezes.



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Foto: Divulgação Ampliar

Capa do livro "Pais e Educadores de Alta Performance"


iG: Por que você acha que alguns pais não ensinam os filhos a ter responsabilidade?

Içami Tiba: Não ensinam porque não aprenderam. Estes pais querem ser amigos dos filhos e isso não faz sentido. Provedor não é amigo.


iG: Por que o pai não pode ser só amigo ou só provedor?

Içami Tiba: Não pode ser amigo porque pai não é uma função que se escolhe, e amigos você pode escolher. O filho é filho do pai e tem que honrar os compromissos estabelecidos com ele. Um filho não pode trocar de pai assim como troca de amigo, por exemplo. Por outro lado, o pai que é unicamente provedor, como eram os de antigamente, também não dá uma educação saudável ao filho, afinal ele apenas dá e não cobra. Pai não pode dar tudo e não controlar a vida do filho. Quando digo controle, quero dizer que o pai deve fazer com que o filho corresponda às expectativas, que o filho faça o que precisa ser feito. Um filho não pode deixar de escovar os dentes ou de estudar e o pai não pode deixar isso passar.


iG: Como a meritocracia pode ajudar na criação?

Içami Tiba: O mundo é meritocrata, os pais se esqueceram disso. Ganha-se destaque por alguma coisa que a pessoa fez; se não mereceu, logo o destaque se perde. Dar a mesma coisa para o filho que acertou e para o que errou não é bom para nenhum dos dois. É preciso ser justo. Os pais precisam aprender a educar, não dá para continuar achando que apenas porque são bonzinhos vão ser bons pais. Não adianta muito um cirurgião apenas amar seu paciente; para fazer uma boa cirurgia é preciso ter técnica. É a mesma coisa com os pais.


iG: Amor e educação combinam com disciplina?

Içami Tiba: Disciplina é a coisa que mais combina com a educação. É uma competência que você desenvolve para atingir o objetivo que quer. Se você ama alguém, tem que ter disciplina. Os pais precisam fazer com que os filhos entendam que eles têm que cumprir sua parte para usufruir o amor. Os pais precisam exigir.


iG: Como exigir sem agressividade?

Içami Tiba: O exigir é muito mais acompanhar os limites, aquilo que o filho é capaz de fazer. Não dá para exigir que ele vá pendurar roupas no armário se ele não pode arrumar uma gaveta. Por outro lado, os pais não podem fazer pelos filhos o que eles são capazes de fazer sozinhos. A partir daí, quando se cria uma segurança, a exigência começa a fazer parte da convivência. Essa exigência é boa. O pai não pode sustentar e não receber um retorno. É como se ele comprasse uma mercadoria e não a recebesse.


iG: No livro, o senhor diz que todos somos educadores. Como podemos nos portar para educar direito as outras pessoas?

Içami Tiba: Você quer educar? Seja educado. E ser educado não é falar “licença” e “obrigado”. Ser educado é ser ético, progressivo, competente e feliz.

Fonte – IG.com.br – Clique aqui para conferir


terça-feira, 12 de julho de 2011

Vejam o que acontece quando se colocam os pingos nos is



Luiz Carlos Nogueira

Meu pai costumava contar um “causo” satirizando as trocas de favores dos tempos dos coronéis da política (diga-se que incrivelmente isso ainda não acabou), para conquistar os eleitores burros, porém mal-intencionados.

Contou-me ele, que certa vez um moço de família pobre havia completado 18 anos de idade, e como havia sido dispensado do serviço militar obrigatório (para homens), precisava arrumar emprego; mas como morava em cidade pequena, sem muitos postos de trabalho, se viu desorientado.

O pai do rapaz, como já havia trabalhado em uma das eleições para um “dotô diputado”, preocupado com a situação do filho, falou com a sua mulher:

Ô Therta, acho que vô procurá o diputado “Trincaespinha” pra mô di vê si ele arruma um trabaio pro Gerso!

Uai marido, pruquê qui ocê ainda ta aqui? Vái lá ôme, que cobra que num anda num ingole sapo sô! Vê se o dotô “Trincaespinha” agora arranja um imprego prele! Finar tá na ora docê cobrá dele o trabaio qui ocê teve na campanha eleitorá dele uai!

E lá se foi seu Riobaldo à procura do “Trincaespinha”, chegando lá foi recebido muito bem pela assessoria do deputado (água gelada, cafezinho, bolacha, etc., claro, tudo com verba retirada dos impostos que nós pagamos).

Várias foram as idas e vindas de Riobaldo, porque sempre o “Tricaespinha” ou estava viajando ou inaugurando obras (que ele não fez, é claro), de uma prefeitura ou outra, ou uma ponte construída com verba estadual (que o deputado disse no discurso que se tratava da verba que ele conseguiu no Rio de Janeiro, com o Governo da República. Sim porque naquela época a Capital do Brasil era Rio de Janeiro). Ou também estava em reunião com sua base eleitoral. Enfim, mil desculpas para não atender Riobaldo (Lá vem aquele chato outra vez! Se vira inventa qualquer coisa que vou sair pela porta dos fundos, dizia o deputado).

Até que chegou um dia que a paciência de Riobaldo se esgotou. Foi direto batendo na porta do gabinete do deputado e abrindo-a abruptamente. Por acaso o deputado tinha retornado da capital (Rio de Janeiro) e estava no escritório. Foi um susto. Uai Riobaldo o que é isso? Ai Riobaldo despejou toda a sua indignação em cima do deputado “Trincaespinha”, “seu amigo”.

O deputado se explicou dizendo da sua imensa correria, a enormidade de trabalho que tinha por conta do seu cargo, mas imediatamente tomou uma folha de papel e escreveu um bilhete para o gerente da unidade de uma empresa estatal na cidade onde morava Gerson, recomendando-o para providenciar a contratação do rapaz.

Riobaldo saiu feliz com a boca aberta num riso que “ia de oreia a oreia” como diziam as pessoas do povo.

Chegando em casa disse: tai muié, vê só qui acabei conseguino! Uma carta pro gerente da Cia. Quebradeira de Pedra, evidentemente uma sociedade de economia mista, que antigamente podia admitir funcionários sem concurso público.

A filha que era professora, pediu para ver a carta. Admirada ela disse, mas olha só na pressa o deputado até se esqueceu de colocar os pingos nos is! Ora, mas não será por isso que ele passará vergonha! Colocarei os pingos nos is para ajudá-lo! E assim o fez.

Pronto, resolvido problema Gerson se apresentou na empresa, na qual foi recebido com abraços e muitas cordialidade. Foi admitido de pronto.

Passado alguns anos, o deputado foi falar com o gerente da estatal que era muito seu amigo e estava naquela empresa por conta do prestígio do deputado. Claro isso porque estava novamente na época de eleições e o deputado pretendia se reeleger. Conversa vai, conversa vem, de repente alguém bateu à porta. Era Gerson que trazia um documento que o gerente lhe havia solicitado.

Houve manifestações de contentamento de ambos, padrinho e afilhado. Feita entrega do documento e os efusivos agradecimentos de Gerson, este se retirou.

Os olhos do deputado “Trincaespinha” se injetaram, suas faces de avermelharam, quase saindo fumaça pelas narinas e pelos ouvidos, bradou:

Pô.......seu Mané ficou idiota!? O que nós havíamos combinado quando eu mandasse alguém para ser admitido? Fala aí “cara”. Como é que esse “careta” está trabalhando aí? Essa vaga era para outro!

Peraí ô “Trinca” ! Se você mandasse um bilhete sem os pingos nos is eu não deveria contratar e daria um jeito de ir enrolando até que o fulano desistisse. Não era isso??

Então o idiota é você que se esqueceu e colocou os pingos nos is!

Bom o que aconteceu depois não interessa, porque eles que eram da mesma laia que teriam que se entender.