segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O diabo riscou um fósforo, jogou-o e saiu correndo?






Luiz Carlos Nogueira

nogueirablog@gmail.com






A moça vinha na garupa da moto do namorado, debaixo de um sol quente da peste, agarrando-lhe a cintura, parecendo mais com um perereca sonolenta, revirando os olhos.


Desceu, entrou na fila do caixa do supermercado, exalando um cheiro de desodorante, cuja fragrância (se é assim que podemos nos referir) estava mais para o Tenys Pé Baruel (aquele talco que usam nos calçados para aplacar os miasmas que deles exalam). O pior é que também entrei na fila logo atrás dela.


Bem, embora o cheiro fosse enjoativo (tipo chulé misturado com algum tipo de perfume, que não é nada bom), mesmo assim, estava melhor do que inhaca de sovaco (axila cabeluda, que no caso se costuma chamar de “tufo do mufurufo”), que faz arder nosso nariz.


Mas eu desisti de bancar o herói. Saí da fila e fui comprar pão. Foi aí que eu achei que o capeta havia riscado um fósforo, jogado naquele supermercado e saído de perto. Caramba! O “cara” que estava próximo era o dito cujo, namorado da “dita cuja”. Usava uma camiseta regata que parecia ter saído de algum tubo, toda amassada e suja, e é claro, não cheirava bem.


Os pãezinhos ficavam separados. Os do tipo francês, de farinha de trigo comum, estavam num dos compartimentos de um balcão de madeira, ao centro. Do lado esquerdo estavam os pãezinhos (tipo francês) de farinha de trigo integral. Do lado direito, estavam os pães tipo bengala, colocados em pé, com as pontas voltadas para cima.


Mas aí o sujeito, folgado e mal-educado, não querendo entrar na fila e aguardar a sua vez, pegou uma das pinças e começou a tentar pegar os pãezinhos por cima dos pães bengala. Claro, isso acabou fazendo com que o “tufo do mufurufo” dele, ou seja, o sovaco, tocasse as pontas dos pães bengala.


Eu não aguentei e tive que adverti-lo dizendo: “Ô cumpadre, assim não dá, olha você está colocando o seu “tufo do mufurufo” nos pães. Quem é que vai comprar esses pães para comer?


O pessoal que estava na fila estourou em gargalhadas, o que fez com que o fulano não engrossasse, como é o costume desse tipo de gente.


Aliás, hoje já esta sendo comum encontrarmos os desaforados, incivilizados, ocupando vagas em estacionamentos destinadas aos idosos e aos portadores de deficiências. “Furando” filas. Sentando nos capôs dos automóveis que não são deles. Jogando lixo nos quintais ou nas frentes das casas dos vizinhos. Colocando fogo no lixo de suas casas, sem se importarem se a fumaça que provocam vai afetar a saúde das pessoas alérgicas. Assim, um sem número de coisas como essas acontecem em decorrência da má formação moral e educacional do nosso povo. Ou estou errado?


A entidade fundamental para se começar a educação é a família, e está está se desintegrando, por decorrencia dos mais diversificados fatores.


No tocante à educação escolar, essa é mais esquecida do que os afilhados de políticos: o candidato vai batizando todo mundo para sair nas fotos e ganhar votos das famílias e depois os esquece completamente. E o que mais nos deixa indignados, Adam Smith (A Riqueza das Nações, Vol. I, tradução de Luiz João Baraúna para a Editora Nova Cultural Ltda, São Paulo,Sp, 1996, pág.343) já havia dito com muita propriedade é “ o esbanjamento e da imprudência cometidos pela administração pública. Toda ou quase toda a renda pública é empregada, na maioria dos países, em manter cidadãos improdutivos.”.


Adam Smith, quando publicou sua obra a Riqueza das Nações (1776), já informava (pág.33) sobre uma das consequências da falta de educação e formação: “[...] nas regiões comerciais da Inglaterra, os trabalhadores estão em “uma condição desprezível, trabalhando durante meia semana, ganham o suficiente para manter-se, e, por falta de educação e formação, não têm com que ocupar-se no restante da semana, entregando-se a rixas e à devassidão. Assim sendo, não há erro em dizer que as pessoas que vestem o mundo todo estão elas mesmas vestidas de farrapos”.


Ocorre que os legisladores (vereadores, deputados estaduais e federal, senadores) e muitos administradores públicos, saem das classes nas quais reina a falta de educação e formação. São eleitos por conta da ambição pessoal e quando investidos de poder se corrompem, tal como cita Hannah Arendt em a “Condição Humana” (obra traduzida por Roberto Raposo para a Editora Forense Universitária, 10ª Ed., Rio de Janeiro, 2005, pág. 122): “[...] O poder corrompe, de fato, quando os fracos se unem para destruir o forte mas não antes. A vontade de poder, denunciada ou glorificada pelos pensadores modernos de Hobbes a Nietzsche, longe de ser uma característica do forte, é, como a cobiça e a inveja, um dos vícios do fraco, talvez o seu mais perigoso vício.”


Então o que se pode esperar das pessoas de uma nação em que vivem nesse círculo vicioso, onde a educação dos grupos sociais está fora de cogitação política? O resultado disso é o que estamos vendo todos os dias nos noticiários, escândalos e corrupção em todos os níveis das classes dirigentes (prefeitos, governadores, vereadores, deputados estaduais e federal, membros do judiciário e dos tribunais de contas) do país.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

CONSELHO A SEGUIR SE QUER VELHICE TRANQUILA - POR HUMBERTO PINHO DA SILVA



http://solpaz.blogs.sapo.pt/


MATÉRIA ENVIADA PELO AUTOR, POR E.MAIL, PARA PUBLICAÇÃO


HUMBERTO PINHO DA SILVA - CONSELHO A SEGUIR SE QUER VELHICE TRANQUILA


Penetrou de rompante, mergulhando na amena penumbra que envolvia a saleta. Era loira; olhos redondos, azuis, de um azul celeste, resplandecente; tez clara, levemente anacarada, que lhe dava a encantadora beleza de boneca de porcelana da Baviera.


Sentou-se graciosamente numa cadeira de verga, junto à pesada mesa de mogno cubano, onde conversava com a prima Preciosa, à luz aconchegante de antigo candeeiro de cristal, pendente do teto.


Encaminhou-se o discurso da palestra para a terrível crise que desabou pelo nosso país, e na triste impossibilidade dos jovens constituírem família.


Consternadíssima, lamentava-se muito sentida, da falta de emprego e dos eternos salários baixos: - “Paga-se mal em Portugal!”; quando a moça, que pensativamente, escutava em absoluto silêncio, declarou num meneio dengoso, que a tornava ainda mais graciosa.


- “ Eu que o diga! Como pensar em casar, se o ordenado de ambos – o dela e do namorado – mal passa os três mil euros!?


E enquanto a mãe, de olhar triste, lastimava a má sina da filha, refleti:


Meu ordenado foi o suporte da família, porque não tinha outro; minha mulher, como dona de casa, que era, e é, não usufruía, nem usufrui salário


Com pouco menos de metade, paguei mensalidades em colégio e propinas em universidade privada.


Certo é que não frequentei, nem frequento, a sala de cinema, e menos ainda o teatro; mas não deixei, nem deixo, de assistir a famosos filmes e de ler o meu jornal; e ainda adquiri, ao longo de anos, consagradas obras de literatura: Vasta biblioteca de largas centenas de volumes, que há muito ultrapassaram o milheiro e meio.


Saltou-me então à memória, a notícia que recentemente li no matutino, que há, em bairro social – construído para abrigar necessitados, – quem obtenha rendimento de dois mil euros!


Recordei também – e com que saudade – de minha querida mãe, que sempre asseverava: para haver velhice feliz, preciso é aforrar de novo.


Arrecadar, periodicamente, em conta poupança, um pouco, é o único e seguro método de não passar tormentos na velhice.


Dir-me-ão, agora, por certo, os que recebem salários baixos: - “Havias de ter meu vencimento e meus encargos “; responderei com curtíssima história, que li, na juventude, narrada como verídica, ocorrida em vilória francesa.


Havia poderoso senhor, extremamente poupado, que vivia num grande castelo. Papelinhos e fósforos queimados, guardava-os para reutilizá-los, assim como outras excentricidades ridículas.


Criados e povo, pasmavam-se da sovinice de homem tão abastado, e acerbamente o censuravam.


Houve, um dia, dantesco incêndio, que deixou famílias na miséria. Grupo de meninas, seriamente condoídas, resolveram levantar donativos, pelo povoado.


Lembraram-se do avarento, mas logo reprovaram a ideia. Mesmo assim aventuraram-se ir ao castelo.


Encaminharam-nas a ampla sala de sólidas paredes de pedra, parcamente mobilada. Ouviu-as atentamente, o castelão, e após prolongada pausa, ergueu-se, abriu gavetinha de contador, e retirou avultada quantia.


Perante expressão de espanto, esclareceu:


- Estão admiradas!; fiquem sabendo que é devido aos papelinhos e fósforos queimados e outras “ sovinices” , que posso oferecer-vos essa importância.


São as pequenas economias, que permitem as grandes extravagâncias; mas as cigarrinhas não compreendem, e o Estado – cuja obrigação é fazer justiça, – muitas vezes lapida quem aforra.


Mas que havemos de fazer, se a inveja e a cobiça, não têm limites?


HUMBERTO PINHO DA SILVA - Porto, Portugal


publicado por solpaz às 18:44
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Alíquotas do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - a partir do exercício de 2012


Rendimentos do Trabalho:


Tabelas Progressivas para o cálculo mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física para o exercício de 2012, ano-calendário de 2011.


a) nos meses de janeiro a março:

Base de cálculo mensal em R$

Alíquota %

Parcela a deduzir do imposto em R$

Até 1.499,15

-

-

De 1.499,16 até 2.246,75

7,5

112,43

De 2.246,76 até 2.995,70

15,0

280,94

De 2.995,71 até 3.743,19

22,5

505,62

Acima de 3.743,19

27,5

692,78


b) nos meses de abril a dezembro:

Base de cálculo mensal em R$

Alíquota %

Parcela a deduzir do imposto em R$

Até 1.566,61

-

-

De 1.566,62 até 2.347,85

7,5

117,49

De 2.347,86 até 3.130,51

15,0

293,58

De 3.130,52 até 3.911,63

22,5

528,37

Acima de 3.911,63

27,5

723,95


Tabela Progressiva para o cálculo mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física para o exercício de 2013, ano-calendário de 2012.

Base de cálculo mensal em R$

Alíquota %

Parcela a deduzir do imposto em R$

Até 1.637,11

-

-

De 1.637,12 até 2.453,50

7,5

122,78

De 2.453,51 até 3.271,38

15,0

306,80

De 3.271,39 até 4.087,65

22,5

552,15

Acima de 4.087,65

27,5

756,53

Tabela Progressiva para o cálculo mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física para o exercício de 2014, ano-calendário de 2013.

Base de cálculo mensal em R$

Alíquota %

Parcela a deduzir do imposto em R$

Até 1.710,78

-

-

De 1.710,79 até 2.563,91

7,5

128,31

De 2.563,92 até 3.418,59

15,0

320,60

De 3.418,60 até 4.271,59

22,5

577,00

Acima de 4.271,59

27,5

790,58


Tabela Progressiva para o cálculo mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física a partir do exercício de 2015, ano-calendário de 2014.

Base de cálculo mensal em R$

Alíquota %

Parcela a deduzir do imposto em R$

Até 1.787,77

-

-

De 1.787,78 até 2.679,29

7,5

134,08

De 2.679,30 até 3.572,43

15,0

335,03

De 3.572,44 até 4.463,81

22,5

602,96

Acima de 4.463,81

27,5

826,15


Rendimentos de Capital:


Fundos de longo prazo e aplicações de renda fixa, em geral:

- 22,5% para aplicações com prazo de até 180 dias;
- 20,0% para aplicações com prazo de 181 até 360 dias;
- 17,5% para aplicações com prazo de 361 até 720 dias;
- 15,0% para aplicações com prazo acima de 720 dias;

Fundos de curto prazo:

- 22,5% para aplicações com prazo de até 180 dias;
- 20,0% para aplicações com prazo acima de 180 dias;

Fundos de ações:

- 15%;

Aplicações em renda variável:

- 0,005%;

Remessas ao Exterior: 25% (rendimentos do trabalho, com ou sem vínculo empregatício, aposentadoria, pensão por morte ou invalidez e os da prestação de serviços, pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a não-residentes) e 15% (demais rendimentos de fontes situadas no Brasil); e


Outros Rendimentos: 30% (prêmios e sorteios em dinheiro), 20% (prêmios e sorteios sob a forma de bens e serviços), 1,5% (serviços de propaganda) e 1,5% (remuneração de serviços profissionais).


Fonte: site da Receita Federal – Clique aqui para conferir

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Movimentando a rainha no tabuleiro de xadrez, para não ser comida.


Luiz Carlos Nogueira
nogueirablog@gmail.com



Foto do site Jequié Repórter (Wilson Novaes Júnior)


Não sou enxadrista, mas já vi uma situação num tabuleiro de xadrez em que a rainha foi colocada ao lado do rei, mas ele não podia comê-la (capturá-la), porque segundo me informaram, se bem compreendi, o rei só anda (movimenta) uma casa por vez, mas se você fazê-lo andar uma casa para o lado da rainha aí ela pode comer o rei — é xeque-mate.


Pois bem, se é assim, então posso usar isto como alegoria (ou a rainha como metáfora) para dar um xeque-mate na situação da Ministra do CNJ, Eliana Calmon, aproveitando a ideia do meu amigo Dr. Alex Melo, médico psiquiatra, acostumado aplicar “sossega leão” nos aloprados e além disso é conhecedor de política, pois até já foi vice-prefeito em Aquidauana (MS).


Dia 22 deste mês e ano (domingo) estávamos “proseando” numa roda de amigos, quando surgiu o assunto sobre a celeuma em torno da competência do Conselho Nacional de Justiça, especialmente com vistas às declarações da Ministra e suas atuações. De repente o Alex, como sempre faz, deu uma brilhante ideia, já que a Presidente Dilma Roussef parece estar com vontade de acabar com a corrupção no país — disse ele: Ora, se a Presidente está mesmo empenhada em varrer os corruptos do cenário político nacional, eu no lugar dela nomearia a Ministra Eliana Calmon como Presidente do Supremo Tribunal Federal, poxa!!!!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Parece que o povo perdeu o bom senso - Por Alamar Régis Carvalho

De: Alamar Régis Carvalho

Para: Luiz Carlos Nogueira

Assunto: Parece que o povo perdeu o bom senso

Luiz Carlos: Há uma campanha gigantesca acontecendo contra o Big Brother Brasil, todavia o mesmo povo brasileiro não se manifesta, com a mesma indignação, contra a corrupção, a safadeza e os verdadeiros e graves problemas brasileiros.

ATENÇÃO - Eu não tenho o menor interesse em mandar SPAM para ninguém. Se o seu nome constar do meu banco de dados e não for do seu desejo, por favor, peça-me que retirarei imediatamente.Só mando email para quem quer receber os meus emails.



Parece que o povo perdeu o bom senso

“Cada povo tem o governo que merece”

Eu tenho impressão que eu estou ficando doido, que sou eu o anormal ou não sei que diabo que acontece comigo, a ponto de ficar impressionado com algumas coisas que acontecem no Brasil, sobretudo em relação ao comportamental humano.

Peço aos amigos que reflitam bem em cima deste artigo e que me ajudem a tirar uma conclusão sobre mim mesmo.

Assunto: Big Brother Brasil e os problemas do Brasil

Em princípio quero deixar muito claro que eu, também, não acho um pingo de graça no programa de televisão chamado Big Brother Brasil, uma das maiores bobagens que já foram feitas na televisão brasileira, absolutamente inútil, não tem arte nenhuma, não tem talento, não tem informação... não tem nada que possa ser útil ao telespectador, apesar de ser admirado por milhões de brasileiros.

Para mim é a maior vergonha da Rede Globo, esta que é a terceira rede de televisão do mundo, emissora que eu sou admirador pela sua qualidade técnica e artística e que, inclusive, defendo contra acusações levianas em outras situações.

Algumas vezes tentei assistir a esse programa e mudei de canal, imediatamente, porque fiquei enojado, sinceramente, ao ver participantes embriagados, brigas, baixarias... enfim, uma vergonha, em termos de televisão. Não suporto ver bêbados ao vivo, quanto mais na televisão.

Não deu para entender como a Globo chegou a este ponto, que o próprio Boni, criador do seu padrão de qualidade, reprova.

Que não sejam discriminados e muito menos agredidos os homossexuais, tudo bem, eu concordo, posto que nada discriminação e agressão nenhuma, eles merecem respeito porque ninguém deve sofrer qualquer restrição pela sua orientação sexual. Que tenha, de vez em quando, um homossexual numa novela, tudo aceitável porque a homossexualidade está presente na sociedade e até no mundo dos animais, ninguém pode querer ignorar isto. Mas daí a ter toda essa apologia exagerada à homossexualidade, ter que ter homossexuais em todas as novelas, ter que ter vários homossexuais fazendo propaganda da sua sexualidade nesse tal Big Brother, acho que é um tremendo exagero, uma apelação desnecessária de uma emissora que conquistou a liderança da televisão do Brasil pela qualidade, incomparavelmente superior às outras, e não por imposição, como dizem alguns que falam em monopólio e outras bobagens mais, é um absurdo.

O Big Brother Brasil é de um mau gosto sem tamanho, embora os mais 50 milhões de brasileiros que gastam telefonemas para votar nos seus candidatos, mereçam respeito pelo direito de escolha.

Que escrevamos criticando o programa, tudo bem, que manifestemos o nosso protesto por uma emissora tão importante ocupar o seu horário nobre com uma porcaria desta, tudo bem.

Mas sabem o que está me deixando impressionado?

O absurdo da quantidade de protestos, como se isto fosse o maior, mais grave e mais sério problema que o Brasil enfrenta. Não se vê, nunca, um volume tão gigantesco de protestos do povo brasileiro contra a corrupção e os realmente graves problemas do país.

Estou impressionado com a quantidade enorme de e-mails trafegados pela internet, powerpoints produzidos para protestar contra essa bosta desse programa, gente conhecida do público protestando veementemente, um nível de raiva e indignação nacional muito elevado, gente extremamente irritada por causa deste programa.

Ouvindo o rádio do meu carro, trafegando pelas ruas de São Paulo, escuto vários locutores também manifestando a mesma indignação, de forma veemente e contundente.

Sinceramente, não estou entendendo.

Uai, Alamar, você não quer que o pessoal proteste? Está achando muito o protesto contra esse programa que você mesmo acha nojento?

Não é esta a questão. Eu acho que tem que protestar, sim, não há dúvida. Sabe o que está me deixando impressionado?

É que eu não vejo o povo brasileiro protestar com esta mesma raiva, com a mesma veemência, com esta mesma intensidade e com esta mesma produção de powerpoints contra os mais sérios e mais graves problemas do País, que estão acabando com a Nação, que é a corrupção, a canalhice da classe política, a indústria das multas, o excesso de impostos e taxas, a roubalheira que existe de Norte a Sul do País e todos os absurdos e crueldades que são praticadas em nosso país.

Vejam só, gente, que coisa mais impressionante!

Reajuste dos aposentados – Semana passada o governo anunciou, mais uma vez, o reajuste dos aposentados em apenas seis por cento, o que representa um crime terrível em relação a milhões de pessoas idosas, porque estão roubando deles o dinheiro que lhes pertence, deixando-os sem condições de sobrevivência. O que tem morrido de idosos, por falta de recursos para cuidar da saúde, porque a sua aposentadoria foi corroída, é impressionante. A imprensa não noticia isto.

Será possível que a merda de um programa de televisão, por mais medíocre que seja, é mais importante do que o massacre governamental em cima desses idosos, que são pais e avós dessas mesmas pessoas que estão se irritando tanto contra esse programa de TV?

José Roberto Arruda – Gente, a televisão mostrou esse cidadão roubando, descaradamente, em frente às câmeras, assim como aquela canalha daquela deputada, não deixando a menor dúvida para todo o povo brasileiro, que os viram pela televisão.

Hoje o ladrão está solto, não devolveu o dinheiro assim como a safada da deputada.

Diante deste triste episódio, não se viu manifestação do povo brasileiro que pudesse chegar a um volume de, pelo menos, dez por cento do que estamos vendo agora em relação ao Big Brother.

Tolerância para com os “fichas sujas” – O Brasil inteiro viu o Congresso, assim como o STF, fazer vistas grossas para políticos comprovadamente ladrões, que passaram as suas vidas políticas roubando, liberando-os para continuar com seus cargos políticos, continuando roubando e ficando cada vez mais milionários, à custa do erário.

Não se viu manifestações contra isto, que chegasse a cinco por cento do volume que está havendo em relação ao Big Brother.

O Juiz Lalau não devolveu os milhões roubados, até hoje – Assim como nenhum outro corrupto ladrão foi obrigado a devolver dinheiro de corrupção roubado.

Ninguém protesta com toda essa veemência.

A máfia das multas de trânsito – O Fantástico da Globo passou mais de um mês filmando com câmeras escondidas a máfia das multas, elementos enriquecendo com as multas captadas pelas câmeras espalhadas pelas vias públicas e pelas estradas, prefeitos diversos, de Norte a Sul do País, envolvidos nesta sem-vergonhice, enchendo os seus bolsos e ficando milionários. Tudo foi documentado, filmado, comprovado de forma que não deixou dúvida alguma.

Ficou claro que isto é uma indústria para beneficiar alguns e não ao interesse público.

Pessoas sendo multadas em motos, por falta do uso de segurança, e outras sendo multadas, dirigindo carros, por falta do uso de capacete.

As câmeras não foram retiradas, continuam aí do mesmo jeito, fazendo a mesma coisa; nenhum ladrão dessa máfia foi preso, a roubalheira continua do mesmo jeito e...

Ninguém fala nada, ninguém protesta do jeito que está protestando contra o Big Brother.

Construções dos luxuosos estádios – O Brasil está gastando bilhões na construção de estádios de futebol, para atender apenas um mês, do ano de 2014, às conveniências da FIFA quando a copa do mundo será realizada no Brasil. Todo mundo sabe que esses estádios vão ficar, depois, como verdadeiros elefantes brancos.

Não se vê protesto contra isto.

Um programa medíocre de televisão a gente recusa a assistir, porque temos o controle remoto na mão.

E a corrupção e a pouca vergonha política, a gente consegue desligar com o controle remoto?

E nesta onda, ainda tem:

O pernambucano que passou 19 anos preso injustamente, ficou cego na prisão, e o governo, mesmo diante das provas de uma das maiores injustiças praticadas no Brasil, ainda moveu ação judicial para negar pagamento de indenização a ele!

O bandido do deputado que construiu aquele castelo em Minas Gerais.

Os dólares na cueca, o comprovado mensalão que deixou inúmeros políticos milionários, de forma que qualquer pessoa que não é cega pode ver, com seus próprios olhos, o patrimônio estrondoso dos beneficiados.

A indústria dos pedágios, principalmente no Estado de São Paulo.

O aumento de mais de sessenta por cento nos salários dos políticos de Brasília, cinicamente aprovado, os mesmos que dão aos aposentados apenas seis por cento de reajuste.

Presidente do STF atuando como juiz comum, para impedir que fosse para a cadeia um bandido milionário.

Enfim, uma relação gigantesca de escândalos, roubalheiras, semvergonhices, safadezas e interminável corrupção em nosso país.

Vejam a quantidade de ministros envolvidos em corrupção, demitidos em 2011. Ainda bem que a presidente teve coragem de demiti-los. E os que não foram descobertos ainda?

Os inúmeros escândalos filmados, documentados e comprovados, flagrantes incontestáveis, diariamente que se resolvem simplesmente com um famoso “O advogado nega”, e pronto.

Ninguém fala nada. Vê-se um ou outro protestozinho isolado, pela internet, mas nada igual a este volume impressionante que está acontecendo agora, em relação ao Big Brother.

O deputado Paulinho da Força e a imprensa

O deputado Paulo Pereira da Silva, o conhecido Paulinho da Força, com uma "inteligência" impressionante afirma: "Não dá para aceitar que a imprensa fique derrubando ministro de 15 em 15 dias.".

Pode, uma coisa desta? Na cabeça dele a culpa é da imprensa. Ele quer que a imprensa fique calada, que a corrupção corra mais solta do que já está e que não seja denunciada. Para ele, é a imprensa quem derruba os ministros e não os seus envolvimentos escancarados em corrupções.

Que diabo é isto, minha gente?

  • A porcaria do Big Brother Brasil rouba quanto da Previdência Social?

  • Quantos bilhões de prejuízos causa pelas licitações fraudulentas?

  • Leva quanto das obras superfaturadas?

  • Quanto desvia para ser depositado nos paraísos fiscais?

  • Quantos hospitais públicos deixaram de ser construídos, porque o BBB desviou o dinheiro?

  • Os seus participantes usam cartões corporativos?

  • Quanto de verba de gabinete cada participante ganha, do dinheiro público?

Será que sou eu quem sou o doido, neste País?

Não quero me colocar como mais inteligente do que ninguém, mas, que diabo de povo burro é esse?

Acabamos de entrar em um novo ano de eleições. O que as pessoas e instituições estão fazendo ou planejando, agora, para evitar que em outubro a gente volte a cometer os mesmos erros cometidos nas eleições passadas, ou seja, eleger e reeleger os mesmos canalhas?

Agora surge um email cogitando a possibilidade do governo tirar a Globo do ar. Uai, não seria mais relevante e urgente tirar o Congresso Nacional do ar?

Será que a retirada do nojento Big Brother Brasil do ar resolveria esses problemas?

Há quem diga que o Charles De Gaulle nunca pronunciou aquela frase que atribuem a ele, que diz que “O Brasil não é um país sério”.

Se ele não disse, deveria ter dito, porque, de fato, o Brasil não é um país sério.

Enganação total de todos os lados. Agora surge a falácia de que somos a sexta economia do mundo.

Que sexta economia é essa?

Ande pelas cidades, principalmente as do interior, veja as condições das salas de aulas das escolas públicas, veja as condições de atendimento do serviço público de saúde, veja as condições das estradas que não sejam privatizadas, vejam a situação dos aposentados, o excesso de impostos, vejam a “justiça” que só funciona célere quando é para atender bancos e quem tem dinheiro, vejamos a abusiva bitributação, quando o governo lhe obriga a pagar IPVA mas ao mesmo tempo você tem que pagar pedágio e zona azul nas cidades... a lista é enorme.

Gente, será que nada disto é mais importante pra gente protestar, com veemência, do que um programa de televisão, por mais medíocre que seja?

Que diabo de inversão de valores é essa!!!???

Tenham a santa paciência.

Alamar Régis Carvalho

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Alamar Régis Carvalho - Analista de Sistemas, Escritor, AINSF Dinastia - São Paulo, SP
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

2012 já teve início




Escrito por Hélio Arakaki

Seg, 03 de Janeiro de 2011 21:42










Enquanto escrevo, assisto a um documentário que vem polarizando a atenção de muita gente no mundo todo. Trata-se da profecia Maia, referente ao ano 2012, em que se prevê um cataclismo atingindo todo o planeta Terra. Como se não bastasse 1914, 1975, 2000 que também foram outros anos das previsões apocalípticas que atemorizaram muita gente.


Como é misterioso este fascínio e atração pela possibilidade de uma catástrofe planetária. Confesso que, quando adolescente, cheguei a comprar o livro As profecias de Nostradamus, e me decepcionei. Não entendi bulhufas das linhas que tratava o livro.


Tudo isto demonstra que podemos ter obtido muitos avanços no campo das ciências e da tecnologia, mas, por outro lado, uma involução no campo da consciência. E que ainda estamos sob forte influência, tal como na Idade Média, de superstições e crenças infundadas.


Por outro lado, a tecnologia também apresenta o seu lado alienador que interfere em nossa consciência. Como se sabe, uma sonda lançada há mais de 33 anos, o Voyager 1, já quase alcança a fronteira do nosso sistema Solar. Está se gastando milhões para desvendar o mistério do Universo em detrimento a exploração do mistério que é o interior do ser humano.


A conseqüência disso é o conflito interior na mente e nos corações humanos que se revela concretamente na miséria, na violência, nas guerras que assolam o planeta todo.


Falharemos no nosso processo evolutivo enquanto vivermos de conjecturas e hipóteses. Necessitamos urgentemente aprender a viver agindo no aqui e agora e parar de esperar pela felicidade ou desgraça.

Por isso, aqueles que desperdiçam o precioso tempo do presente, envoltos na ansiedade esperando por dias melhores, eu os denomino de iludidos.


E vivendo tão sofrivelmente também encontram-se os pessimistas que nem mais a esperança de serem felizes possuem, pois vivem a esperar por dias piores e que, desgraçadamente, acabam atraindo para as suas vidas, são os “apocalípticos”.


Por isso, penso que temer pelo apocalipse pode ser a evidência de um apego excessivo pelas coisas materiais que, como os momentos e a nossa própria existência, um dia se findará.


Concluo, então, que a verdadeira apocalipse já vive quem esqueceu de si mesmo em troca de segurança ou de uma felicidade ilusória obtida apenas através do enriquecimento e da aquisição de coisas materiais.
O Paraíso não está além da vida. Ele também encontra-se no aqui e agora. Tudo depende da nossa percepção e da consciência de valorização da vida, acolhendo os acontecimentos, sejam eles adversos ou favoráveis, e aprendendo com as experiências.
Isto é viver ricamente. Como dizia o caipira, depois de ter passado uns dias na cidade grande, para outro caipira : “o meu primo lá da cidade é tão pobre que a única coisa que tem é dinheiro, e o que só sabe fazer é correr atrás de mais dinheiro".


Acompanhe todos os domingos das 8h às 9h da manhã (horário do MS) o programa “Viva Blink” apresentado por mim na Rádio Blink FM 102.7 ou ouvindo o podcast dos programas gravados no www.blink102.com.br


Fonte: Academia Muryokan – Clique aqui para conferir

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ministra Eliana Calmon refuta declarações de ministro do STF


11:23, 11/01/2012


Redação Época


Brasil Tags: 100112, Eliana Calmon, Marco Aurélio Mello, O Estado de S.Paulo, Supremo Tribunal Federal


A polêmica discussão entre as esferas judiciais sobre até onde vai o poder do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ganhou nesta semana mais trocas de farpas entre ministros. Na segunda-feira (9), no programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello provocou a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e corregedora do CNJ, Eliana Calmon, ironizando sobre sua autonomia dentro do órgão.

“Ela tem autonomia? Quem sabe ela venha a substituir até o Supremo.”

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira (10), a corregedora refutou. Disse que os nove ministros do STF que estão contra ela não vão conseguir desmoralizá-la. Segundo a ministra, ela está vendo nascer uma serpente dentro do judiciário e que não vai se calar. Sobre as duas liminares que estão no STF de autoria dos ministros Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski que tiram poder do CNJ, Eliana disse que vai enfrentar os ministros.

“Esperança eu tenho. Agora, tradicionalmente o STF nunca deixou o seu presidente sem apoio, nunca. Todas as vezes eles correram e conseguiram dar sustentação ao presidente. Qual é a minha esperança: eu acho que o Supremo não é mais o mesmo e a sociedade e os meios de comunicação também não são mais os mesmos. Não posso pegar exemplos do passado para dizer que não acredito em uma decisão favorável. Estamos vivendo um outro momento. Não me enche de esperanças, mas dá esperanças para que veja um fato novo, não como algo que já está concretizado. Tudo pode acontecer.”

Em entrevista a ÉPOCA desta semana, o ministro do STF José Antonio Dias Toffoli disse que o CNJ “tira poderes das elites estaduais” e defendeu as investigações do órgão sobre os Tribunais dos Estados. O ministro Marco Aurélio, por sua vez, afirmou que a competência das Corregedorias dos tribunais estaduais não pode ser sobrepujada pelo CNJ. A ministra rebateu:

“Tive vontade de ligar, mandar um torpedo (para o programa Roda Viva) para dizer que as corregedorias sequer investigam desembargador. Quem é que investiga desembargador? O próprio desembargador. Aí é que vem a grande dificuldade. O grande problema não são os juízes de primeiro grau, são os Tribunais de Justiça. Os membros dos TJs não são investigados pelas corregedorias. As corregedorias só têm competência para investigar juízes de primeiro grau. Nada nos proíbe de investigar. Como juíza de carreira eu sei das dificuldades, principalmente quando se trata de um desembargador que tem ascendência política, prestígio, um certo domínio sobre os outros.”

Segundo o ministro, Eliana Calmon teria quebrado o sigilo de invesgitações que corriam no CNJ e ela age como um xerife nos tribunais estaduais. Para a ministra, ela faz o trabalho que é necessário fazer.

“Essas informações já vinham vazando aqui e acolá. Servidores que estavam muito descontentes falavam disso, que isso existia. Os próprios juízes falavam que existia. Todo mundo falava que era uma desordem, que São Paulo é isso e aquilo. Quando eu fui investigar, eu não fui fazer devassa. São Paulo é muito grande, nunca foi investigado. Não se pode, num Estado com a magnitude de São Paulo, admitir um tribunal onde não existe sequer controle interno. O controle interno foi inaugurado no TJ de São Paulo em fevereiro de 2010. São Paulo não tem informática decente. O tribunal tem uma gerência péssima, sob o ponto de vista de gestão. Como um tribunal do de São Paulo, que administra mais de R$ 20 bilhões por ano, não tinha controle interno?”

Keila Cândido

Sobre o debate em torno do papel do CNJ, leia também:

Gilson Dipp: “A divisão do CNJ favorece o corporativismo”
Liminar de Marco Aurélio restringe atuação do CNJ
Roberto DaMatta: Como julgar os juízes?
Dias Toffoli: “O CNJ tira poderes das elites estaduais”


Fonte: Revista Época.Globo.Com- Coluna O Filtro – Clique aqui para conferir