segunda-feira, 16 de julho de 2012

RECORDAÇÕES DO TEMPO QUE PASSOU - Por (*) HUMBERTO PINHO DA SILVA -



             
                            




          Parece ser sina de velhos acordar o tempo que já não é. Lenitivo que purpurina derradeiros raios do Sol que acalentam o declinar da tarde outonal.

         Veredas que todos percorremos, se a Previdência não colhe a vida em flor. Não sou excepção.

          Fecho os olhos e vejo-me – como muitas vezes se vê melhor com eles cerrados! …. - ao doce regaço de minha mãe, na  velha casa de alforge do século XlX , onde nasci, sentado num banquinho de madeira, à sombra de pelargónios, que se entrelaçavam nas grades verdes do terraço.

          Vejo, meu pai, aconselhando-me, e imprimindo ensinamentos, que a juventude menosprezou.

          Vejo-me, sentado na velha carteira da escola, entre garotos travessos; e sinto horrorizado, como outro Santo Agostinho, o temor da palmatória punitiva.

          Vejo-me, de cabeça pendente sobre a longa secretária, tentando reter o que a memória não queria ou não podia alcançar.

          Ouço - como ouço,-  meu pai acicatando-me: "Querer é poder!" Eu queria... mas não podia....  Deste jeito conclui, no meu pensar pueril, que o anexim era de uma crueldade atroz.

          Vejo-me, adolescente, calcorreando velhas e típicas ruas tripeiras, na companhia de amigo inseparável (M5), que o tempo separou.

          Vejo-me, em Bragança, a cumprir o dever à Pátria; e revejo, de olhos orvalhados de gratidão, o primo amigo que  cuidou de mim com amor paternal.

          Vejo-me, enrubescer de pejo, ao inquerirem, diante de companheiros de folguedo : - "Por que não estuda, se tão inteligente é !?" Como iria explicar! …. se passava horas e horas de profunda mágoa e intima tristeza,  por não conseguir acompanhar os condiscípulos!

          Quis Deus ou a bondade dos professores, que chegasse ao ensino médio, hoje superior.

          Mas nem tudo foram lágrimas de aflição. Passei férias encantadoras no viçoso Vale da Vilariça. Conheci gente maravilhosa e amiga, e também duas formosas garotinhas, que alegraram, em terras transmontanas, a minha triste soledade; meninas que encheram, o sofrido coração, de infindas risadas de alegria.

          Agora vivo de saudade, do tempo que passou... e não volta mais... ladeado de livros e  amigos, dos poucos que persistem em o ser.

           Ao observar pálidas e amarelecidas fotos, objectos que foram de meus avós e pais, ao ver  cantarinhas de tosco barro vermelho, ofertadas em tépidas e risonhas tardes de Primava, no vetusto e sempre querido  burgo de Bragança, afloram-me, aos fatigados olhos, dolorosas lágrimas de saudade… E triste, muito triste, compreendo, que o tempo que passou, já não passa mais.

          Avivam-se agora, novamente, reminiscências de outros tempos. Por ditosa magia, tudo se afigura, tudo renasce, como se fosse presente. Animam-se, crescem, ganham vida, e resplandecem cenas tão vivas, tão coloridas, que chego a pensar, que o tempo que passou, ainda é.

          Ouço – como ouço, Deus meu! - a voz dolorosa, como murmúrio longínquo, de minha mãe agonizante; e ainda sinto o terno afago de sua delicada mão, cor de areia….e, arrepiado, como se corrente electrictrizante percorresse-me o corpo, pressinto , remotos e ancestrais medos, que escurentaram  a nem sempre feliz meninice.

          Alegrias, tristezas, amizades, amores…convivem, dentro de mim, num imenso silêncio,  como se nunca deixasse de ser menino. Tudo e todos, conservo com carinho. Tudo e todos, guardo no intimo do meu sofrido coração…




HUMBERTO PINHO DA SILVA   -  Porto, Portugal


Matéria enviada pelo autor por e.mail, para ser publicada – Confira-a no Blog PAZ, clicando aqui.
 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A AVAAZ PRETENDE A LIBERAÇÃO DO PLANTIO DA MACONHA DO BRASIL








Senhores,


RECEBI ATRAVÉS DE E.MAIL, UM CONVITE DA AVAAZ, PARA EU ASSINAR PETIÇÃO APOIANDO O PROJETO DE LEI QUE MODIFICA A LEI Nº 11.343, DE 23 DE AGOSTO DE 2006, QUE DENTRE OUTRAS MEDIDAS, VISA PERMITIR O PLANTIO DE MACONHA PARA CONSUMO PESSOAL.


MAS ANTES DE LHES APRESENTAR O E.MAIL DAQUELA ONG ALIENÍGENA, EXPRESSO O MEU REPÚDIO A ESSA INSENSATEZ, TRANSCREVENDO O ARTIGO A SEGUIR, DE AUTORIA DO SR. MANOEL DAMASCENO (Luiz Carlos Nogueira):

Sexta-feira, Junho 08, 2012
A lei das drogas.

        Descriminalizar não é legalizar, mas é quase isso. Se ao pé da letra não é legalizar, simplesmente é deixar acontecer sem qualquer censura, portanto, a ação se torna lícita já que não é ilegal. Brevemente, quem for contra a propagação da droga poderá ser mal interpretado e até interpelado por preconceito, inclusive, podendo sofrer uma pragmática violência. Descriminalizar significa que antes a prática de um fato ou de uma ação era crime, e, uma nova lei a descriminalizou. Noutras palavra, deixou de ser crime, pois já não há mais lei que a defina como ato ilícito. Este tipo de fato é cousa rara na nossa sociedade, pois, usar droga que antes se configurava um delito penal consignado na lei nº 11.343/2006, a atual Comissão de Juristas junto ao Congresso Nacional que projeta o futuro Código Penal Brasileiro está propondo a descriminalização do uso de qualquer tipo de droga, além de sugerir o plantio e cultivo doméstico da maconha, inclusive, permitindo o porte de uma quantidade suficiente para o consumo de até cinco dias sem que isso possa se configurar o crime de tráfico de droga. Tudo isso já está veiculado na mídia.
 
       Vão descriminalizar a droga. Isto não é um avanço na legislação penal, onde a sociedade esperava a sua exclusão de forma legal, pois a violência presente tem tentáculos no narco como um todo. Esta proposta da Comissão de Juristas é mais uma imprudência, um retrocesso, uma incongruência e uma inconseqüência, aliás, um grande atraso. Não se pode dizer nem acreditar que essa medida legal vai levar a uma solução nem mesmo que as vidas dos usuários e das suas famílias vão melhorar de qualidade. Certamente isso apenas garante a manutenção do tráfico de entorpecentes, como maior certeza. O que poderá minimizar é o número de presidiários dos simples usuários, aliviando as penitenciárias. Porém, como poderá maximizar o contingente de viciados, é provável que também aumente o número de pessoas presas em razão de cometer mais crimes praticados sob a influência dos efeitos da droga, tal como poderá aumentar as internações nos manicômios, e isso é muito triste e penoso. Ninguém pode argüir que a liberação da droga em outro país poderá servir de esteio para a sua descriminalização no Brasil e que esse novo modelo ira minimizar o consumo. É uma balela. Se esta regra é válida pra o crime de consumo de droga, talvez pudesse servir para o crime de corrupção e para outros e vários delitos. Todos sabem que descriminalizar nunca será o caminho para o equilíbrio da sociedade. Para alguns, porém, é motivo para comemorar, enquanto pais e mães ficam demasiados apreensivos quanto aos resultados dessa futura e extravagante medida legal. Uma coisa é a legislação não tratar do assunto e outra coisa é a legislação tornar legal uma ação que já foi tratada como crime punível pela lei penal, além de conferir algumas prerrogativas aos usuários, a exemplo de permitir o plantio e o porte de alguma quantidade de qualquer droga, portanto, blindando aqueles aficionados por uma substância que comprovadamente só tem complicado a vida dos usuários e seus familiares. Espera-se que essa indiscutível decomposição social induza nos jovens, hoje crianças, a capacidade para refletir sobre as agruras e graves conseqüências que esse maléfico vício causa a quem se atreve a fazer uso, independente da proibição, descriminalização, despenalização ou sua legalização. Em suma, em breve a droga poderá ser consumida, plantada e cultivada e portada para uso próprio sempre com respaldo dessa futura lei, a lei da droga. Rejeitar essa proposta é o mínimo que a sociedade brasileira e o Congresso Nacional podem fazer. A Câmara Federal já faz uma campanha contra o uso do crack, agora é bom não aprovar esse projeto que induz ao consumo indiscriminado de qualquer narcótico.
Manoel Damasceno
Enviado por Manoel Damasceno em 07/06/2012
Reeditado em 08/06/2012
Código do texto: T3711340
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ESTE É O E.MAIL QUE RECEBI DA AVAAZ:

de: Pedro Abramovay - Avaaz.org avaaz@avaaz.org para: "lcarlosnogueira@gmail.com"
data: 11 de julho de 2012 08:52
assunto: Brasil: uma solução para as drogas!
enviado por: bounces.avaaz.org
assinado por: avaaz.org


Caros amigos do Brasil, 



A política de drogas brasileira é um fracasso. Ela custa bilhões e é incapaz de reduzir a violência ou ajudar famílias que não conseguem tratar dependentes. Na segunda-feira, uma nova proposta foi apresentada e terá um enfoque efetivo para caçar os chefes das drogas e curar os dependentes. Os políticos estão com medo de aprovar esta proposta sem apoio público, mas se 50.000 de nós a apoiarem agora, nós poderemos assegurar o debate no Congresso. Cabe a nós. Assine já e envie para todos!



A política de drogas brasileira é um fracasso. Ela nos custa bilhões, um valor muito acima de nossas capacidades, e é incapaz reduzir a violência ou ajudar famílias que não conseguem tratar dependentes. Mas na segunda-feira, uma aliança poderosa lançou uma nova proposta e se nos mobilizarmos por ela agora, poderemos mudar essa estratégia inútil.


A proposta é transformar nossa política falida no modelo de sucesso iniciado em Portugal -- um modelo com foco no tratamento dos dependentes não violentos, liberando assim os recursos policiais para o enfrentamento do crime organizado e para a redução da violência. Dois deputados apresentarão a proposta esta semana, mas os parlamentares só considerarão esta promissora proposta se eles sentirem que têm apoio popular. Cabe a nós abrir o caminho para uma política de drogas eficiente e sã. 



Hoje esta proposta está por toda parte na mídia e estamos com a faca e o queijo na mão para fazer essa reforma acontecer -- quando atingirmos 50.000 assinaturas nós entregaremos, junto com parceiros, nossa mensagem de apoio diretamente ao Presidente da Câmara dos Deputados e nos asseguraremos que a proposta será debatida imediatamente. Assine a petição urgente abaixo e compartilhe com todos:




http://www.avaaz.org/po/brazil_drug_solution_final/?bduokbb&v=1591


A atual lei de drogas não diferencia claramente usuários não violentos de traficantes. Na prática, os pobres são classificados como traficantes e os ricos como consumidores. Ao invés de oferecer tratamento àqueles que sofrem com a dependência, nosso sistema concentra maciçamente seus recursos policiais em réus primários não violentos, deixando espaço para o crescimento do crime organizado. E nós gastamos bilhões de nossos impostos neste modelo perdulário.


Enquanto isso, em 2001, Portugal aprovou uma nova lei que diferencia claramente usuários de traficantes, tratando traficantes como um caso de polícia e usuários como um problema de saúde. Depois dessa mudança, as mortes relacionadas às drogas desabaram, a luta contra o crime organizado ganhou terreno e, diferentemente do previsto por alguns, o consumo de drogas caiu entre os jovens. Se agirmos agora, podemos adotar medidas semelhantes aqui no Brasil. 


Muitos políticos sabem que a atual política de drogas é um fracasso total, mas eles têm medo de admitir por medo da reação pública. Se mostrarmos que há apoio público a esta nova proposta, podemos transformar nosso modelo falido e salvar vidas. Assine essa petição e compartilhe com seus amigos para mostrar que queremos mudar: 


http://www.avaaz.org/po/brazil_drug_solution_final/?bduokbb&v=1591


Nosso movimento mostrou inúmeras vezes, no Brasil, que quando as pessoas agem, podemos forçar os políticos a escutá-las. Conseguimos no passado com a Ficha Limpa, com a aprovação da PEC do trabalho escravo e com os vetos ao código florestal. Vamos usar o poder popular para consertar nossa política de drogas com a aprovação de reformas de bom senso. 


Com esperança e determinação,


Pedro, Carol, Diego, Ian, Ricken e toda a equipe da Avaaz.

Mais informação:

A Lei de Drogas na prática - Banco de Injustiças
http://www.bancodeinjusticas.org.br/aleinapratica/


Proposta de alteração da lei
http://eprecisomudar.com.br/arq/ProjetoDeLei.pdf 


Relatório da Comissão Global sobre drogas
http://www.globalcommissionondrugs.org/reports/ 


Pesquisa Prisão Provisória e Lei de Drogas - Universidade de São Paulo
http://www.nevusp.org/downloads/down254.pdf 
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

A beleza dos detalhes - Por (*) João Bosco Leal


2 de julho de 2012
Fotos de João Bosco Leal
A sociedade capitalista e consumista em que vivemos é dividida em três grupos: uma minoria que possui muito e corre para administrar seu enorme patrimônio, a grande maioria que busca adquirir mais do que possui, e os muito poucos que, sem pressa, apreciam cada detalhe da vida.

Pessoas acostumadas com dias muito agitados, repletos de compromissos, reuniões, debates, cursos e palestras podem ser imediatamente, ou quando menos esperarem, obrigadas a mudar radicalmente seus costumes e o ritmo de suas atividades.

Diversos motivos, doenças ou acidentes, podem levar a impedimentos, imobilidades e isolamentos que possibilitarão uma autoanálise e a revisão de quais os valores realmente devem ser observados.

Os que passam por isso normalmente mudam o foco sobre diversos pontos da vida antes imaginados importantes, agora tidos como insignificantes, e passam a valorizar coisas que antes não conseguiam enxergar.

A beleza de um ipê totalmente desfolhado, antes do início de sua floração, com um pássaro colorido em um de seus galhos é algo jamais visto e admirado, por quem está correndo para não chegar atrasado a uma reunião de negócios.

O registro fotográfico de um por do sol, de um local bonito por onde passou, ou do pássaro no ipê, para posteriormente ser compartilhado com quem não estava presente naquele momento, passa a ser extremamente gratificante por quem o realiza.

As cenas espetaculares e inesquecíveis de um acasalamento equino, o nascimento de um de um animal no campo, o canto de um pássaro livre e o som isolado do vento nas folhas, só podem ser vistas e ouvidas por quem possui tempo e se dispõe a uma vida diferente da levada nos grandes centros urbanos.

As sementes das maiores árvores, que não conseguem crescer à sua volta por causa da falta de raios solares provocado por sua sombra, precisam ser consumidas pelos pássaros que depois as transportam em seus intestinos até outros locais, onde brotarão e crescerão longe da sombra da árvore mãe, assim como os humanos, entre os quais podemos notar o maior amadurecimento daqueles que já se afastaram dos pais, e a maior imaturidade – e muitas vezes irresponsabilidade -, dos que, por qualquer motivo, continuam dependentes deles.

Os pássaros também são responsáveis pelo transporte das ovas de peixes entre lagos, represas e rios, pois ao pisarem na água para saciar sua sede, estas aderem às suas pernas e só se soltarão quando em novo contato com a água, geralmente em outro local.

Como é do conhecimento de todos, abelhas, beija-flores e outros insetos e aves são os responsáveis pela polinização das plantas, mas pouquíssimos são os que já observaram esse trabalho ou a estrutura organizacional de uma colmeia, formigueiro, cupinzeiro ou de uma família de macacos.

Os donos de muitos negócios, preocupados, mesmo quando em qualquer local distante das cidades, não conseguem enxergar nenhuma dessas belezas, pois continuam com pressa e olham tudo muito rapidamente, por não possuírem tempo para essas “bobagens”.

A grande maioria, por sua ansiedade em busca de bens materiais, jamais passará por experiências assim sem uma freada brusca e radical em suas atividades diárias.
A pressa nos impede de observar a beleza dos detalhes, sem os quais nada existiria.

(*) João Bosco Leal - jornalista, reg. MTE nº 1019/MS, escritor, articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários.

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