segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

As demarcações da FUNAI e as invasões de terras por índios - Por João Bosco Leal*



 O antigo Serviço de Proteção aos Índios virou a atual FUNAI. Portanto, a FUNAI existe para proteger os índios e, assim, está para os índios como a CNA está para o produtor rural. Assim, como outorgar à CNA a competência para demarcar terras indígenas, tendo em vista sua parcialidade? Do mesmo modo, como entregar à FUNAI, também por sua parcialidade, a função exclusiva de demarcar terras indígenas?
Então, como fazer o produtor rural, que possui os títulos de suas terras - alguns há mais de um século -, outorgados pelos órgãos constitucionalmente competentes, aceitar que agora sua terra não mais lhe pertence porque a FUNAI a demarcou como sendo terra indígena?
Ora, quando de seu descobrimento, TODO o Brasil era dos índios. À medida que os governos legalmente constituídos foram tendo interesse em colonizar determinadas regiões do país, as terras chamadas "devolutas", ou seja, "do Estado", eram tituladas provisoriamente àqueles que para aquela região se dispunham a se mudar e lá desbravar essa terra. Após 10 anos, se ele realmente estivesse ainda morando na propriedade e tivesse dado a ela o destino determinado pelo governo, só aí receberia o título definitivo da mesma.
Em décadas mais recentes, ainda durante os governos militares, isso ocorreu na colonização dos estados do Acre, Rondônia e Roraima, onde, além de colonizar as regiões, o governo tinha interesse em povoar as fronteiras brasileiras com outros países. Em épocas anteriores, o mesmo processo ocorreu em Mato Grosso, no hoje Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Pará e em todos os estados não banhados pelo mar, pois os primeiros colonizadores, até pela maior dificuldade de transportar sua produção - seja para o mercado interno ou para a exportação -, nos primeiros tempos só haviam se infiltrado pelo interior dos estados com acesso ao mar, onde se situavam, e se situam ainda, os maiores centros consumidores de sua produção.
Entretanto, depois de toda a dificuldade enfrentada por esses colonizadores - os verdadeiros desbravadores do Brasil -, agora vem uma entidade como a FUNAI, que em hipótese alguma poderia ter - e não tem essa prerrogativa -, dizer que as terras onde já estão trabalhando as terceiras ou mesmo quartas gerações dessas famílias, dizer que devem abandonar tudo o que eles e seus antepassados lá construíram com suor e sangue, porque aquela área pertence aos índios. Além disso, essas invasões são incentivadas e patrocinadas pelo CIMI - Conselho Indigenista Missionário, um braço da Igreja Católica dirigida pelos padres Salesianos, como declara o próprio coordenador do CIMI em MS, Flávio Vicente Machado no vídeo encontrado em https://www.youtube.com/watch?v=Oq5ifE7Y_YY&feature=youtu.be  ou em outros vídeos que mostram a mesma situação de incentivo promovido pela FUNAI por todo o Brasil, como:
E os títulos, documentos emitidos pelo governo e registrados pelos cartórios durante todas essas décadas e as diversas transações comerciais existentes nesse período sobre algumas dessas propriedades que mudaram de proprietários por diversas vezes e que todos os que vieram por elas pagaram? E os impostos municipais, estaduais e federais cobrados desse produtor durante todo esse período, reconhecendo, para essa cobrança, como sua a propriedade?
Na Constituição Federal de 1988, ficou estabelecido que as terras indígenas de todo o país deveriam ser demarcadas em um prazo máximo de cinco anos e, a partir daí, não ocorreriam mais demarcações. Portanto, desde 1993, todas as demarcações seriam ilegais, mas pessoas com interesses escusos continuam incentivando invasões e novas demarcações.
A mesma Constituição Brasileira garante a segurança jurídica, o prestígio ao ato jurídico perfeito, a imparcialidade, o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal aos seus cidadãos, mas como o nosso Judiciário é extremamente moroso, alega-se que por isso INVADE-SE, para acelerar o processo, mas o Judiciário é moroso para todos ou somente para os índios? Isso é o mesmo que dizer que o índio pode executar, com as próprias mãos, uma sentença que não transitou em julgado e que muitas vezes ainda nem sequer foi proferida.
O que faria o cidadão urbano se, depois de décadas morando na casa que construiu, aparecesse a FUNAI determinando que de lá se mudasse - e sem direito a receber sequer pelo terreno -, porque ele havia construído sua casa sobre uma área que pertence aos índios?

E seus documentos? E o direito ao devido processo legal? Para a FUNAI nada disso importa. O que para ela importa é um laudo, antropológico, dizendo que essa terra um dia pertenceu aos índios. Se assim for, devemos regressar todos a Portugal e aqui abandonar tudo o que nós e nossos ancestrais construímos.
Ou o CIMI e a FUNAI deixam de incitar e patrocinar a invasão de terras por índios ou ainda presenciaremos muitas mortes de brasileiros, indígenas ou não.
* Jornalista e empresário.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A curiosidade - Por João Bosco Leal*




O filósofo e poeta português Agostinho da Silva declarou: "O que impede o saber não são nem o tempo nem a inteligência, mas somente a falta de curiosidade".

Raramente podemos ler tanta verdade descrita em tão poucas palavras. Tudo o que atualmente a humanidade conhece é proveniente da curiosidade de alguém.

Imagino a dificuldade dos homens primitivos em encontrar um meio de acender o fogo que os aquecesse. Depois, a de criar um meio de transportá-lo de um lugar ao outro, iluminando os locais por onde passassem e, posteriormente, descobrindo que com ele poderiam também afugentar os animais que os ameaçassem e assar a carne de suas caças.

Nenhuma das grandes descobertas da humanidade foi conseguida sem a curiosidade de um de seus membros que, observando algo, pensou em como poderia transformar aquilo, fazer de forma mais simples, rápida e eficiente, ou algo totalmente diferente.

Além do famosíssimo Leonardo da Vinci, tão talentoso que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico, penso que um dos maiores exemplos de "curioso", que com suas invenções mudou radicalmente a humanidade, foi Thomas Alva Edison, um inventor e cientista dos Estados Unidos que viveu entre os anos de 1847 e 1931. Poucos sabem que, além da lâmpada elétrica incandescente, ele fez várias outras descobertas fantásticas.

Há mais de 130 anos, quando sequer se imaginava discutir temas como sustentabilidade e alternativas ao uso de combustíveis fósseis, em 13 de maio de 1880, Thomas Edison fazia o primeiro teste de sua estrada de ferro elétrica em Menlo Park, nos Estados Unidos. Atualmente, as maiores cidades do planeta utilizam trens e metrôs elétricos para o transporte de passageiros e carga de um lado a outro.

Outras invenções de Thomas Edison foram a câmera cinematográfica, a bateria de carro elétrica e o fonógrafo - precursor dos alto-falantes. O microfone de carbono, inventado por ele entre 1877 e 1878, era capaz de converter som em um sinal elétrico, permitindo que a voz fosse transmitida a longas distâncias, sendo, portanto, o ancestral do mais moderno smartphone atualmente utilizado.

Os alimentos como carnes, café, frutas e legumes que atualmente encontramos nos supermercados embalados a vácuo - que os mantém livres de germes e bactérias e lhes assegura maior conservação do sabor -, são a evolução de um sistema de preservação de frutas a vácuo criado por Edison ainda em 1881.

Outro exemplo fantástico da observação de Thomas Edison foi a da roda de borracha. A roda sempre foi considerada uma das mais revolucionárias invenções da humanidade. Com ela se facilitou todo transporte que se podia imaginar. Primeiro as rodas de pedra e, muito posteriormente, já para os carros de boi e ainda para os primeiros veículos, as rodas de madeira. Foi ele quem registrou a intenção de cobri-las de borracha, o que posteriormente evoluiu para os atuais pneus.

Quantas vezes passamos, diariamente, por anos ou décadas, pelas mesmas ruas ou locais, sem sequer observar detalhes do que está à nossa volta? Quando, mesmo parados em um semáforo, observamos detalhes como o de um ninho de joão-de-barro construído no poste da esquina? Não lemos sequer o que está escrito no enorme outdoor por onde passamos?

Só os que têm curiosidade, observam os detalhes e pensam, transformam o mundo e promovem a evolução de todos.

*Jornalista, escritor e empresário

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Posturas e consequências - Por João Bosco Leal*


Tive um grande amigo, já falecido, que sempre dizia: "Jamais faltará miséria ao miserável ou fartura ao farturento".

Era um português com muito pouca escolaridade, talvez com somente um ou dois anos do primário, mas com enorme discernimento, com o qual levava a vida de modo extremamente correto, justo. Ajudava muitas pessoas que o procuravam e, em seu julgamento, achava que devia, mas também sabia falar verdades sobre os que, como dizia: "não valiam o que comiam".

Assim também era minha avó paterna. Também portuguesa e mulher de pouquíssimo estudo, era extremamente inteligente e de pouquíssimas brincadeiras. Sempre falava sério, mas com carinho, ensinando o que podia ensinar, e era muito, pois me ensinou muito do pouco que sei.

Até sua morte falava coisas que até hoje me fazem pensar como, durante sua vida, foi capaz de fazer tantas observações que a permitiam resumir determinados comportamentos, que devíamos ter ou não, em simples frases, ditados.

Considero espetacular a vida dessas pessoas que conheci muito de perto e, entre elas, identifico uma clara analogia: Apesar de serem de origem humilde, e de terem chegado ao Brasil sem praticamente nada, trabalharam duro durante toda a vida e, com isso, construíram um patrimônio suficiente para manter diversas de suas gerações.

Nunca vi nenhum dos dois ostentar nada do que possuíam, mas nunca os vi com nenhum tipo de avareza, muito pelo contrário, ajudavam muito e a muitos. Entretanto, nunca percebi nenhum tipo de desperdício em nenhum dos dois. Nada era jogado fora, desperdiçado.

Outro ponto em comum era como nunca estavam reclamando de algo ruim, de uma doença, com eles ou com alguém da família, uma perda - ainda que enorme, como a de um cônjuge, filho, neto -, um prejuízo, nada, não havia reclamações. A vida continua e deve ser assim encarada.

Aqueles acontecimentos fugiam ao seu controle, eram as variáveis incontroláveis da vida, como o clima para o agricultor. Precisavam continuar, pois outros permaneciam vivos e, quanto à perda material, esta só poderia ser recuperada com mais trabalho.

Entretanto, vejo pessoas com dificuldades para as menores coisas da vida. Estão gripadas, reclamam, deitam, contam para todo mundo, fazem o maior drama, mas o que é realmente necessário - se cuidar -, elas não fazem.
Caiu? Nem olhe para os lados. Levante-se. Não espere que alguém venha lhe ajudar. Não se envergonhe ou fique encabulado. Todos podem tropeçar e cair. Humilhante é ser incapaz de se levantar sozinho, necessitar de ajuda por um simples tombo.

Pessoas com quedas muito maiores - como a da perda de filhos, por exemplo -, levantam-se e continuam a vida, pois sabem que ainda necessitarão ajudar os que ficaram.

Na cidade em que moro, conheço um homem saudável, com cerca de 35 anos, que vive nos semáforos pedindo esmolas. Ele possui um estreitamento enorme das arcadas dentárias, tanto superior como inferior, que inclusive lhe dificulta a fala. Após haver contribuído com ele por dezenas de vezes, um dia estacionei o carro e o chamei, oferecendo-me para levá-lo a um cirurgião dentista que trata exatamente destes casos, tendo dito a ele que o ajudaria para que fosse operado, mas ele recusou-se imediatamente. Logo imaginei o motivo: curado, ele teria de trabalhar como todos. Não poderia mais pedir esmolas.

Reclamar de uma situação e não agir para repará-la é o mesmo que mostrar uma ferida e não tratá-la.
* Jornalista, escritor e empresário

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

UMA HISTÓRIA DE NASRUDIN: DE COMO ELE CRIOU A VERDADE.


  


UM TRIBUTO AO JUIZ FEDERAL SÉRGIO MORO.







Luiz Carlos Nogueira






Para quem não sabe, segundo a Wikipédia, “Nasrudin (em turco: Nasreddin Hoca, em turco otomano: نصر الدين خواجه, em persa: خواجه نصرالدین, em árabe: نصرالدین جحا / ALA-LC: Naṣraddīn Juḥā, em urdu: ملا نصرالدین , emuzbeque: Nosiriddin Xo'ja, Nasreddīn Hodja, bósnio: Nasrudin Hodža) foi um seljúcida satírico sufi, acredita-se que viveu e morreu durante o século XIII em Akshehir, perto deKonya, capital do Sultanato de Rum Seljuk, na atual Turquia. Ele é considerado um filósofo e sábio populista, lembrado por suas histórias engraçadas e anedotas. Ele aparece em milhares de histórias, às vezes espirituoso, às vezes sábio, mas muitas vezes, também, um tolo ou o alvo de uma piada. Uma história Nasreddin geralmente tem um humor sutil e uma natureza pedagógica. A festa internacional de Nasreddin Hodja é celebrada entre 05-10 julho em sua cidade natal a cada ano.

As histórias de Nasreddin são conhecidas em todo o Oriente Médio e tocaram as culturas ao redor do mundo. Superficialmente, a maioria das histórias de Nasreddin podem ser ditas como piadas ou anedotas de humor. Eles são contadas e recontadas eternamente em casas de chá e caravançarás da Ásia e podem ser ouvidos nas casas e nos rádios. Mas é inerente a uma história de Nasreddin que pode ser entendida a vários níveis. Não é a piada, seguido por uma moral e, geralmente, o pequeno extra que traz a consciência do potencial místico um pouco mais sobre a forma de realização.

Pois bem, vamos conhecer uma das histórias de Nasrudin, na qual ele CRIOU A VERDADE.

Havia um monarca preocupado em fazer que com as pessoas parassem de mentir, pois ele considerava que a mentira prejudicava a convivência entre as pessoas, porque destruía a confiança entre elas, porque sempre ocultava alguma coisa que fizeram de errado.

Assim editou leis proibindo a mentira.

Nasrudin que visitava o reinado e tido como sábio, foi procurado pelo rei, porque este percebeu que a sua lei não produziu efeito algum sobre as pessoas e, portanto, queria saber como agir em face disso. 

Nasrudin então lhe disse que: as leis não poderiam tornar as pessoas melhores, porque estas só poderiam atingir o estágio de serem verdadeiras, se praticassem ações que as colocassem em sintonia com a verdade interior, que se assemelhasse apenas levemente à verdade aparente.

Assim, seguindo a orientação de Narrudin, o rei decidiu providenciar algo que pudesses fazer as pessoas observarem a verdade e tornarem-se autênticas.

Como no caminho para a entrada da cidade havia uma ponte, o rei mandou construir uma forca sobre ela, na metade da sua extensão, de sorte que quando os portões fossem abertos ao raiar do dia, por sua determinação ali estava o capitão da sua guarda, postado à frente do seu pelotão de soldados, para examinar todas as pessoas que entrassem pela referida ponte, para assim cumprir sua ordem proclamada: “Todos devem ser interrogados e aquele que falar a verdade terá acesso ao meu reinado, mas ai daquele que mentir, porque será enforcado”.

Como Nasrudin se fez presente para acompanhar o resultado desse estratagema, ao ouvir a proclamação do édito do rei — deu um passo à frente. 

Surpreso o capitão da guarda lhe interrogou: Ei! Aonde vai?

Estou caminhando para a forca! Respondeu-lhe calmamente Nasrudin.

Não acreditamos em você! Disse-lhe o capitão.

Pois bem, replicou Nasrudin: então se eu estiver mentindo, enforquem-me!

Mas, mas...se o enforcarmos por estar mentindo, faremos com que o que você disse seja verdade!

Pois é isso mesmo: agora vocês sabem o que é a verdade: a sua verdade!

Mas não fiquemos por aí. Vamos um pouco mais adiante. Como é a verdade do psicopata? Esses desalmados acreditam na própria mentira...portanto, eles não precisam ser enforcados.


Agora pensem na turma dos envolvidos nos mensalões, petrolões, eletrolões, benedezões e todos os demais “ões” do mesmo gênero criminoso.       ELES NÃO DEVEM SER ENFORCADOS, DEVEM IR PARA A CADEIA.

sábado, 31 de outubro de 2015

Os produtores rurais e a comunidade indígena de Mato Grosso do Sul - Por João Bosco Leal*





Nos últimos dias uma declaração tem causado muitos debates na imprensa de Mato Grosso do Sul e sobre a mesma, ao que parece, também foram realizadas veiculações de campanhas publicitárias pagas em países da Europa e dos Estados Unidos.

A frase "A Europa vai parar de comprar carne do Mato Grosso do Sul, porque a carne daqui tem sangue de criança indígena. A Europa vai parar de comprar soja do Mato Grosso do Sul, porque a soja daqui tem sangue de criança indígena", primeiramente foi atribuída ao bispo de Dourados, Dom Redovino Rizzardo.

Ela teria sido dita em um encontro ocorrido no dia 08 de outubro de 2015 no Ipad - Instituto Pastoral da Diocese de Dourados, e dela participaram religiosos e outros defensores da causa indígena, de vários Estados do Brasil e do exterior, que vieram conferir, in loco, a real situação dos indígenas que vivem em Mato Grosso do Sul.

O bispo alega que só esteve no início da reunião para cumprimentar os participantes, e que já não estava no local quando a frase foi dita, mas admite que soube depois que algumas pessoas presentes no encontro fizeram essas declarações.

O próprio bispo alegou ainda que considerou a reunião inoportuna, por estar ocorrendo em um momento de muita tensão entre as partes envolvidas, com muitas áreas invadidas e com a justiça determinando a reintegração de posse das mesmas, devolvendo-as aos produtores, seus proprietários legais.

Independente de quem quer que tenha dito tamanha estupidez, que obviamente pode destruir a economia do Estado de Mato Grosso do Sul, penso ser muito importante esclarecer a estas pessoas o que representa o agronegócio em nosso estado.

No MS, a produção estimada de cana de açúcar para a safra de 2015, de acordo com a Conab - Companhia Nacional de Abastecimento -, é de 50,2 milhões de toneladas.

Mesmo em razão das condições climáticas desfavoráveis, neste ano o MS deve colher 6,6 milhões de toneladas de soja, o que proporcionará uma receita estimada em R$ 5,52 bilhões, conforme dados da Aprosoja/MS - Associação dos Produtores de Soja.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de Mato Grosso do Sul deve chegar aos R$ 26,571 bilhões em 2015. O VBP é um indicador da atividade calculado com base nos volumes de produção e preços médios da agricultura e pecuária do estado e, neste ano, 59,01% deve vir da agricultura, que deve atingir os R$ 15,681 bilhões e 40,98% da pecuária, que deve totalizar R$ 10,890 bilhões. 

Os três principais produtos da agricultura em Mato Grosso do Sul, no que se refere ao VBP, devem registrar, conforme a previsão dos técnicos do Mapa, crescimento em 2015 em relação a 2014. A  soja deve ter um incremento de 7,60% (de R$ 6,848 bilhões para R$ 7,369 bilhões), o milho de 9,58% (de R$ 3,922 bilhões para R$ 4,298 bilhões) e a cana-de-açúcar de 10,59% (de R$ 3,039 bilhões para R$ 3,361 bilhões). 

Já na pecuária, na criação de bovinos, a projeção é de um aumento de 2,26% no VBP deste ano em comparação com o anterior (de R$ 8,330 bilhões para R$ 8,519 bilhões). Também está previsto um acréscimo de 3,49% na produção de suínos (de R$ 481,005 milhões para R$ 497,812 milhões) e de 3,39% na de frangos (de R$ 1,457 bilhão para R$ 1,507 bilhão).

Diante destes números - que, apesar da crise política e econômica que vive o país, continuam crescendo -, da geração de empregos proporcionados e dos impostos que o governo arrecada do agronegócio, é no mínimo irresponsável e criminoso fazer declarações como as que foram feitas.
Os produtores rurais de Mato Grosso do Sul só querem poder continuar trabalhando e produzindo em paz. Não precisam de declarações irresponsáveis, que não melhorarão em nada a vida de nenhum brasileiro, seja ele de qualquer etnia, índio ou não.
* Jornalista, escritor e empresário

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

SOBERANIA NACIONAL E “ESCULHAMBOCRACIA” – CASSAÇÃO E IMPEACHMENT.


Luiz Carlos Nogueira







Quem objetar, que prove o contrário, mas o Brasil vem sendo saqueado faz tempo. Nunca sofremos tantos opróbrios impostos pelo que denomino de “Sindicato de Criminosos”, formado por alguns membros chamados pelo Reinaldo Azevedo, de “petralhas”, em sua maioria, gestados pelo PT (Partido dos Trabalhadores) com apoio do PMDB e outros partidos nanicos, que desde a eleição de Lulla da Silva até os dias atuais, vem desconstruindo as Instituições e criando grupos de assalto aos cofres e às empresas públicas, tais como o mensalão, petrolão, eletrolão, benedezão e outros tantos “aos” do mesmo gênero criminoso, que se constatou pelas várias denúncias e condenações judiciais.

Hoje o País está mergulhado em crises de toda ordem e o (des) governo, vem tentando impor que eu chamaria de remédios heroicos, como a reforma política, criação e aumentos de impostos, para sustentar um Estado falido pelas roubalheiras, à custas dos contribuintes que trabalham, produzem e sustentam uma súcia de vagabundos improdutivos que vivem pendurados no Estado balofo, inchado pelos apadrinhados políticos, que além de inúteis, têm que ser socorridos pelos funcionários públicos que conhecem os serviços que eles não sabem executar.

Mas a questão de maior relevância chama-se soberania nacional, esta que é a conditio sine qua non para o estabelecimento ou estabilidade da democracia, sem ela começamos o estatuto da “esculhambocracia” (claro que não existe essa palavra que pensei faz algum tempo, para denominar uma situação degenerada de um sistema de governo).

Ora, a soberania nacional incorpora o direito da autodeterminação de um povo, ou seja, de decidir por si mesmo ou escolher livremente o seu destino, determinando o rumo político de seu país através do voto dos seus habitantes. Mas pode ocorrer que um povo cometa um engano de eleger representantes que não encaminhem o país, para os rumos desejados. Nesse caso, cabe ao povo, de pleno direito, buscar corrigir a rota, utilizando-se de meios que a sua própria constituição lhe outorga, como no caso do Brasil, que podemos lançar mão do instrumento de cassação de diplomas ou mandatos políticos, ou de outra forma, a aplicação do impeachment.

A cassação pode ocorrer como pena aplicada pelo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com fundamento na Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, que dispõe sobre as eleições, conforme o disposto no parágrafo 2º, do artigo 30-A, que diz: “Comprovados captação ou gastos ilícitos de recursos, para fins eleitorais, será negado diploma ao candidato, ou cassado, se já houver sido outorgado.”. A cassação poderá ser requerida perante a Justiça Eleitoral, consoante o caput do referido artigo, por qualquer partido político ou coligação, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data da diplomação, descrevendo os fatos e indicando provas, para que seja aberta a investigação judicial do candidato, com vistas a apurar condutas em desacordo com as normas desta Lei, relativas à arrecadação e gastos de recursos.  

Já o impeachment processa-se inicialmente pela Câmara dos Deputados ou por qualquer eleitor, relatando-se os crimes cometidos pelo candidato, bem como juntando-se os documentos de prova. O impedimento pode ser contra o Chefe do Executivo, ou contras quaisquer dos Ministros de Estado ou o Procurador Geral da República.

Se após a tramitação pela Câmara dos Deputados, for aceita a acusação pelo plenário, o "réu" deve se afastado de suas funções, de imediato. Em caso de se tratar de crime comum, o processo deve ser enviado ao STF, ou se tratar de crime de responsabilidade, deverá ser enviado ao Senado Federal.

Para que leitor saiba quais são os crimes de responsabilidade, a previsão legal está no artigo 4º da Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950, que regulamenta o impeachment, conforme seguem listados: são crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentarem contra a Constituição Federal, e, especialmente, contra: I - A existência da União; II - O livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e dos poderes constitucionais dos Estados; III - O exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; IV - A segurança interna do país; V - A probidade na administração; VI - A lei orçamentária; VII - A guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos; VIII - O cumprimento das decisões judiciárias.”.

E o que estamos vendo acontecer em nosso País (ainda com P maiúsculo, em sinal de respeito à nação), é a perda de controle e a usurpação dos nossos ativos. Quando isso sai do nosso domínio, significa que a nossa soberania e cidadania estão se perdendo. Portanto, o povo num estado democrático e de direito, tem o dever cívico de cobrar o repeito a essas questões.

Ora, os políticos são eleitos em seus cargos para elaborar e manter as leis, a ordem, a paz, a liberdade e a segurança em todo o nosso território como forma de consagrar a Soberania do nosso Estado, que inclusive deve ser defendido das ameaças de países vizinhos. Mas não é o que estamos vendo acontecer.


Então, não venham aqueles desavergonhados dizerem que a presidenta da república não pode ser investigada. Por que não pode ser investigada? — Não, não pode – DEVE.

A propósito, transcrevo um artigo do Jurista Luiz Flávio Gomes, sob o título:

 

Veja como Dilma pode ser investigada criminalmente.



“Rodrigo Janot (Procurador-Geral da República) e Teori Zavascki (ministro do STF e relator do caso Lava Jato) estão equivocados (data vênia): não há nenhum impedimento legal ou constitucional para investigar se Dilma Rousseff (e seu partido: o PT) teria recebido, em 2010, sob a forma camuflada de “doação eleitoral”, dinheiro gatunamente surrupiado da Petrobras. Ao que tudo indica, a cleptocracia nacional (roubalheira das classes dominantes e reinantes) estaria, de forma surreal (por meio de doações eleitorais) lavando dinheiro infecto vindo da corrupção. Eventuais contradições nas falas de Paulo Roberto Costa e Youssef (delatores-gerais da república cleptocrata) não constituem obstáculos, ao contrário, são motivos energizantes da investigação.

Nada impede tampouco (aliás, tudo recomenda) que se investigue se o dinheiro, eventualmente dado a Sérgio Guerra (R$ 10 milhões) e a Eduardo Campos (R$ 20 milhões), teria também beneficiado o PSDB (campanha de José Serra de 2010) e o PSB (campanha ao governo de Pernambuco em 2010) como “petropropinas que viraram doações eleitorais”. Todos os partidos suspeitos (companheiros, atentem, todos!) devem ser devidamente investigados para o efeito de se constatar se é verdadeira a tese (que já ganhou foros de voz corrente) de que eles se transformaram em facções criminosas organizadas para pilharem impiedosamente o patrimônio público. Em caso positivo, devem ser extintos tais partidos, sem dó nem compaixão. O expurgo de tumores corruptivos gera a profilaxia do corpo societal e estatal.
O princípio republicano exige que o Brasil (incluindo a corrupção das suas classes sociais dominantes e reinantes) seja passado a limpo (desde a raiz). Investigar a presidenta (e) Dilma por atos supostamente criminosos e ladravazes não é a mesma coisa que abrir “processo” contra ela. Janot e Teori, neste particular, confundiram as coisas (quando arquivaram a possibilidade de investigação de Dilma, citada 11 vezes nas delações até aqui reveladas). Tudo foi didaticamente bem explicado pelo min. Celso de Mello no Inq 672-DF. Abriu-se investigação apenas contra Palocci (que teria sido o intermediário de um empreendimento criminoso com fachada de “doação eleitoral”). Mas a investigação precisa ir mais fundo, para alcançar os “andares de cima” assim como os pilares corroídos dos partidos políticos. Limpeza pela metade é típica de um País de faz de conta. É uma farsa.
O citado art. 86, § 4º, da Constituição, diz que “O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”. Leiamos com atenção: não pode ser “responsabilizado”, ou seja, “processado criminalmente em juízo” e, eventualmente, condenado, por atos estranhos às suas funções. Estranhos ou anteriores às funções, como foram os atos da campanha eleitoral de 2010. O que se prevê na norma citada é uma imunidade temporária do chefe do Estado. Imunidade relacionada com o “processo criminal” (em juízo), não com a investigação (ato de comprovação de um crime). Investigados todos podemos ser (quando há indícios mínimos de uma infração penal). Mesmo porque, se os fatos não forem investigados as provas (com o tempo) desaparecem. Sem provas jamais haverá condenação. Imunidade temporária do Presidente da República não significa impunidade perpétua (que é o privilégio desfrutado pelas classes dominantes e/ou reinantes). Investiga-se o fato e processa-se o presidente depois de cessadas suas funções.

O sistema republicano é absolutamente incompatível com o princípio da irresponsabilidade penal absoluta do Presidente da República. O Brasil é uma república, não uma monarquia. Dilma é presidente (a), não Imperadora ou Rainha. Não existem poderes ilimitados na República. Falar de República é falar de responsabilidade (de todos). Até o Presidente da República é súdito das leis vigentes.
Nos crimes funcionais (praticados “in officio” ou “propter officium”) o Presidente da República pode ser processado criminalmente (perante o STF) durante o exercício do seu mandato (exige-se aprovação da acusação por 2/3 da Câmara dos Deputados). Nos outros crimes (estranhos à função ou anteriores a ela) o “processo criminal” não pode ser instaurado, mas pode haver investigação (aliás, pode e deve). É essa lógica incensurável que o STJ aplicou (na semana passada) para autorizar a investigação dos governadores Pezão (RJ) e Tião Viana (AC). Governador não pode ser “processado criminalmente” sem autorização da Assembleia Legislativa. Mas ser “processado” não é a mesma coisa que ser “investigado”.
O agravo regimental interposto pelo PPS contra o ato do ministro Teori Zavascki que mandou arquivar de plano as investigações criminais contra Dilma deve ser acolhido. Suas eventuais condutas criminosas não podem ficar no esquecimento. Dilma deve ser investigada criminalmente. Impõe-se, de outro lado, que o Procurador-Geral da República abra uma linha de investigação específica contra os partidos políticos. Se confirmada a tese de que se converteram em facções criminosas organizadas (por terem recebido “petropropinas” numa ação orquestrada), devem ser extintos e banidos do cenário eleitoral brasileiro. Somente assim o Brasil será passado a limpo.”

Nota: O artigo do Dr. Luiz Flávio Gomes, está publicado no sita JusBrasil, acessado hoje, dia 23/09/2015, às 15h56m de Campo Grande-MS, através deste link:




Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). [ assessoria de comunicação e imprensa +55 11 991697674 [agenda de palestras e entrevistas] ]

segunda-feira, 9 de março de 2015

INEZITA BARROSO - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA




Acaba de falecer no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo - 8/03/2015 -  a genial Inezita Barroso, a maior intérprete da música popular brasileira.

A cantora, que tinha voz inconfundível, conheceu na juventude a genuína música caipira, que nasceu no Brasil rural, e foi, e ainda é, cantada pela gente simples do campo.

No vidio que gravou em 1991, a cantora, que pertencia a família de abastados cafeicultores, conta a infância feliz, que a seu parecer, foi linda:

“ Aliais a minha infância se prolonga até aos 16 anos. Naquele tempo brincava-se na rua aquelas cantigas de roda, jogos infantis. Brincava como moleque, porque meus amigos, na maioria eram meninos; já que tenho um único irmão. Então era bicicleta, era pião, futebol. Brinquei de tudo, até bem tarde. Meu pai era super alegre, muito culto e de família do litoral. Minha mãe pertencia a gente de fazenda, do interior de São Paulo.”

E mais adiante acrescenta: “Tenho várias lembranças, muito doces. Minha mãe levando-me para cantar com sete anos. Vestidinho cor-de-rosa, cabelinho com fita, que nunca parava.”

 Quando chegávamos ao lugar onde devia cantar, sentava-me no chão, porque era muito inquieta. E ela com carinho, arrumava a fita no cabelo. Dava-me, então, beliscões no rosto, para ficar corada; eu tinha ódio disso. Ainda não existia blush. Meu pai afinava-me o violão. Não tocava, mas afinava perfeitamente.”

“ A primeira vez que cantei com violão, foi ele que afinou. É uma doçura isso. Ele sempre se interessou por mim, e pela minha carreira, até ao dia que morreu.”

Inezita Barroso, cujo nome de baptismo é: Inez Magdalena Aranha de Lima, nasceu em São Paulo, a 4 de Março de 1925.







Muito cedo, quando ia de ferias para as fazendas da família, conviveu com os trabalhadores rurais, e coligia, cuidadosamente, todas as letras, que estes entoavam na roça e aos serões, após o dia de trabalho.

Foi com essa gente simples, na maioria analfabeta, que em menina, cantava as tradicionais coplas sertanejas, ao som da viola portuguesa, violão e sanfona.

Nessa recuada época, a maioria dos brasileiros viviam no campo e a má influência da música comercial ainda não se fazia sentir.

Hoje a música sertaneja sofre graves influências, que começam apartá-la das raízes, e se ainda há cantores que  conservam a tradição, deve-se muito ao aturado trabalho de Inezita Barroso.

O seu programa “Viola, Minha Viola”,que era gravado no Teatro Franco Zampar, todas as quartas-feiras, em São Paulo, foi o de maior audiência da TV Cultura. Além de interpretar belas canções do folclore brasileiro, Inezita apresentou o melhor que há de música caipira.

Inezita Barroso, que era também notável atriz de teatro e cinema, foi condecorada, em 2003, com a Medalha Ipiranga, pelo governador de São Paulo, Ackmin, e deu o nome ao Hospital do Câncer de Bernabé.

A cantora é formada em Biblioteconomia na Universidade de São Paulo (USP), e doutorada Honoris Causa, em Folclore brasileiro pela Unicapital, e em Folclore e Arte digital, pela Universidade de Lisboa. Lecionou, até 2009, nas Faculdades Unifai e Unicapital.



Ouça a Inezita:



Lampião de Gás http://youtu.be/AnuqqmqVvPg

A Moda da Mula Preta http://youtu.be/G1tq5Jz8ypc

Meu Limão Meu Limoeiro http://youtu.be/8nUWDdY5u-k

Saudades do Matão http://youtu.be/SqgpdESPHEE

Viola Enluarada http://youtu.be/SvxZbrZRTkk



Coletânea de músicas de Inezita Barroso:



publicado por solpaz às 10:38
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