domingo, 16 de janeiro de 2011

Por que somos Rosacruzes?

por RALPH M. LEWIS, FRC


Apergunta quanto ao porquê de sermos Rosacruzes poderia apresentar muitas respostas diferentes.

Poderia haver tantas respostas distintas quantos são os Membros da AMORC. Porém, por trás das diversas respostas há uma causa comum, e essa causa se expressa em outra questão: Por que estamos aqui? Toda pessoa reflexiva, de qualquer idade, alguma vez ponderou sobre esta questão. O ser humano tem pressuposto e sinceramente acreditado possuir um vínculo com o Infinito. Acredita haver energias intangíveis, uma inteligência psíquica que o liga à causa primeira de tudo. Além disso, o homem tem mostrado propensão a considerar a mente superior à matéria. Tem, em geral, contestado a noção de que a totalidade da mente humana seja um subproduto da matéria em movimento. O homem tornou-se capaz de empregar a mente para levar forças físicas da natureza a obedecer a sua vontade. A mente tornou-o causativo em seu mundo.


Consequentemente, pareceu coerente ao ser humano que uma inteligência correspondente, porém superior, se encontrasse além de toda a realidade. Parecia ilógico que o Cosmos fosse desprovido desse poder de que o próprio homem tanto se orgulhava. Por conseguinte, o ser humano concluiu que uma Inteligência Infinita, que tudo criara, também o impregnaria. O homem estabeleceu ideais para si mesmo. Conduz seu organismo no sentido desses ideais. Acredita, portanto, que a Inteligência Infinita, Transcendental ou Cósmica deva também ter um propósito final superior em relação ao homem.

Porém, é difícil para este conciliar as experiências humanas com a crença num propósito divino. Não há caminhos bem definidos que conduzam a ideais concretos de felicidade. O caminho da vida é entremeado de eventos variados. Alguns abrigam o bem; outros, o mal. A sorte humana varia quase diariamente, como um cata-vento na tempestade. Milhões de homens e mulheres se têm lamuriado como o antigo filósofo epicurista, Lucrécio. Lamentava este: "Por que trazem doenças, em sua passagem, as estações do ano? Por que a morte prematura em toda parte espreita? A criança recém-nascida enche o quarto de lamentos tristes. Bem o faz, que seu destino será andar pela vida através de numerosos infortúnios".


Por que

estamos aqui?

Será o homem, afinal, apenas um produto de forças mecânicas não-pensantes do universo? Deve ele andar pela vida aos tropeções, tentando agarrar as saias do destino? Se há uma missão para seres como o homem, qual será? Isto


“ O homem conhece a

certeza da morte, do fim

da existência física. Supõe,

espera e acredita haver

uma continuação da vida

após a morte. ?”


resultou na pergunta quase universal: Por que estamos aqui?. Ao buscar sua resposta, o homem busca a segurança. Necessita de uma certeza pessoal que lhe possibilite a paz de espírito.

Há homens que pensam que a vida, como a vivem, lhes foi predeterminada. Crêem necessário submeter-se às vicissitudes da vida. Para eles, a existência é como uma bola de bilhar, rolando e desencadeando eventos à sua passagem. Esperam que nalgum ponto do caminho caiam na caçapa certa de uma jubilosa vitória na vida; se não o conseguirem nesta existência consegui-lo-ão na vida após a morte.


Outros há que acreditam que a felicidade e a paz de espírito constituem responsabilidade exclusiva do próprio homem. Adotam o ponto de vista de que não há certeza cósmica, mas apenas possibilidade. Existem fatores tanto de miséria quanto de felicidade. Tais pessoas crêem que compete à mente humana determinar valores e relações corretas. Estão convencidas de que somos nós próprios, ao vivermos os mistérios da vida, que podemos responder à questão "Por que estamos aqui?".


Quem assim pensa são os Rosacruzes. Se não pensamos deste modo, não somos Rosacruzes no sentido tradicional.


Como Rosacruzes, portanto, devemos aprender a estabelecer um propósito sensato para nossa vida. Este propósito depende do nosso discernimento das relações que temos com o Cósmico. Consiste também na descoberta dos vínculos que temos com as forças da natureza, que também são Cósmicas.


Consiste, enfim, em aprendermos como estabelecer um relacionamento proveitoso com nossos irmãos humanos. Há dois caminhos rosacrucianismo para alcançá-lo. Primeiro, a eliminação dos valores negativos. Por negativos entendemos ideias, noções e crenças que inibem nossos poderes e funções naturais. A ação é o positivo. O negativo é a inércia correspondente. Nem toda ação, naturalmente, é boa, como também nem sempre o controle e o refre¬amento são errados. Porém, se algo há que devemos realizar cósmica, moral ou socialmente, e não o realizarmos, isto constituirá, então, uma atitude adversa, negativa.


Entre os grandes negativos que devemos combater encontram-se os temores associados à morte. E natural que o homem tema a morte. Esta significa o exato oposto da vida, a cessação de toda a atividade de que consiste a existência. Permanentemente, há em nossa subconsciência o inelutável impulso para ser, para viver. A mente consciente é sempre sensível a esse impulso, a essa inclinação. Por conseguinte, a morte geralmente parece um fim, uma porta que se fecha para qualquer que seja o sentido que tenhamos atribuído à vida.


O homem conhece a certeza da morte, do fim da existência física. Supõe, espera e acredita haver uma continuação da vida após a morte. A filosofia e a religião cultivam a disciplina da escatologia - que compreende a investigação ou o estudo dos fins últimos da existência humana. Tais sistemas procuram explicar a vida após a morte em termos de nossa experiência mortal e terrena. Atribuem à vida após a morte testes e provações a que se encontra sujeita a personalidade humana.


Estendem para o outro mundo valores morais como bem e mal. Admitem a existência de castigo, de punição, prescrita segundo o mal que o homem tenha cometido.


Haverá

recompensa?


Argumentam, por outro lado, que a conduta terrena adequada será recompensada após a morte com prazeres quase sensoriais de alegria e bem-aventurança. Todavia, não há acordo, nestes sistemas, quanto ao que deveria constituir o código espiritual terreno.


As religiões e as filosofias morais, nos seus escritos e sermões sagrados, se contradizem umas às outras.


Milhões de pessoas vivem temendo as conseqüências posteriores à morte. Perguntam a si mesmas se terão merecido a bem-aventurança que esta vida não proporcionou, ou se haverão de sofrer um tormento superior a qualquer experiência terrena. A vida inteira dessas pessoas é temerosa, uma confusa preparação para um futuro de incerteza. Por que deveríamos crer que o homem devesse andar desamparado, aos tropeções pela vida temporal? Por que ele teria de adivinhar o que uma deidade, um Ser Supremo desejasse ou tencionasse que ele fizesse? Por que dissociar da existência terrena as leis cósmicas e seus efeitos? Por que relacioná-los apenas a um remoto paraíso?


O ponto de

vista místico


O místico entende que a lei cósmica, o poder divino, se manifesta em qualquer nível da realidade total. Deus, o Cósmico, atua em todas as manifestações. Todas as coisas, animadas e inanimadas, são componentes da Consciência Universal. É aqui, nesta Terra, que nos decidimos por viver em harmonia ou em desarmonia com o Cósmico. Aqui é que a personalidade aprende. Não devemos pensar apenas no indivíduo, mas na humanidade, coletivamente. Um indivíduo pode parecer encontrar felicidade aqui, e outro, não. Um parece livrar-se da punição, enquanto outro, não. A espécie, porém, a humanidade como um fluxo contínuo, sofre sua compensação, seu carma, se não nesta geração ou nesta época, então numa outra.


Coletivamente, elevamos ou baixamos o nível de consciência da humanidade sobre a Terra. Pelo modo como vivemos, determinamos as recompensas ou punições que a humanidade viverá no futuro. O que estamos vivendo é o carma que por nós mesmos foi criado. Nós provocamos, de acordo com nosso bom ou mau emprego das leis cósmicas, nossas compensações aqui e agora. Com esta compreensão, nós, Rosacruzes, libertamo-nos do medo negativo, relativamente à morte, que sufoca a mente de muitos.


Para descobrirmos nosso propósito na vida, não somente é necessário que nos libertemos de conceitos negativos, porém, como Rosacruzes, que também assumamos determinados pontos de vista positivos, que nos

devem parecer tão evidentes que despertem nossos poderes e capacidades pessoais. Essas perspectivas positivas devem fortalecer-nos para todas as provações na vida. Devemos acreditar que existe uma força transcendental a que pode o homem recorrer. Não devemos pensar que o ser humano seja arrastado numa corrente de forças mecanicistas. Esse poder superior pode revitalizar o homem, emocional e fisicamente. Porém, o ser humano percebe esse poder superior como efeito, nunca diretamente como causa. A percepção desse poder superior cria imagens em sua consciência subjetiva. Essas imagens são interpretadas pelo homem de acordo com seu nível de consciência, com a profundidade do seu discernimento.


O homem se esmera em dar forma ou expressão a essa percepção cósmica. Para alguns, esse poder transcendental é antropomórfico, um ser com aparência humana e atributos humanos. Ou seja, esse ser ama, é

zeloso, terno e protetor como um pai. Para outros, esse poder transcendental apresenta--se como um juiz, sábio, severo e inexorável em seus mandamentos. De acordo com os que assim creem, esse divino juiz estabeleceu leis às quais toda a humanidade está sujeita

.

Porém, a humanidade pode, sob certas circunstâncias, a ele recorrer. Ainda para outras pessoas, esse poder superior é mente absoluta, apenas. Ou seja, concebem esse poder como uma consciência impessoal onipresente. Colocar-se em harmonia com essa consciência significa alcançar a mais profunda visão do Eu e da natureza, obtendo, com isto, domínio pessoal e paz duradoura.


Uma concepção

Pessoal


Para os Rosacruzes, um ponto é de suprema importância. Esse Deus, essa Mente Divina ou Cósmica, como queira o leitor, é sempre uma experiência pessoal transcendente e imanente, isto é, íntima. Tal experiência jamais pode ser tornada uma ideia comum, aceita sob todos os aspectos por todos os homens indistintamente. Ela constitui um sentimento no santuário da alma. Assume uma aparência característica de acordo com a mente finita do indivíduo. Por conseguinte, não é possível uma definição que estabeleça a mesma configuração da consciência cósmica em todos os homens. Por esta razão é que os Rosacruzes devem sempre se referir ao rosacrucianismo "Deus do meu coração". Com estes termos, os Rosacruzes querem dizer: Deus como experiência pessoal, como algo que cada qual pode entender.


Compreenda-se que o conceito pessoal de Deus de nenhum indivíduo é errado para si mesmo. Nem a imagem mental que alguém faça de Deus é correta para todos os outros homens. Ocorre-nos à lembrança as significativas palavras do etnógrafo Max Müller. Disse ele: "Jamais houve um falso Deus, nem houve jamais uma religião absolutamente falsa, a menos que consideremos uma criança um falso ser humano". Com uma perspectiva positiva como esta, os Rosacruzes não podem admitir a intolerância ou o preconceito religioso. Isto significa, portanto, a eliminação de um dos maiores conflitos da sociedade humana.


A verdade sempre foi procurada por razões psicológicas. O que se mostra verdadeiro granjeia confiança, pois apresenta uma natureza positiva que pode ser avaliada em relação a nós próprios. O que é verdadeiro apresenta uma qualidade distinta, que podemos aceitar ou rejeitar. Há dois conceitos genéricos com relação à natureza da verdade.


O primeiro é o de que verdade é qualquer coisa que, para nós, apresente qualidade real. Sendo a existência duvidosa, então não é verdade, segundo esta concepção. O outro ponto de vista afirma que a única verdade é aquilo que é prático e útil. Algo que não tenha aplicação em nossa vida, em nossa inteligência é, por conseguinte, considerado não verdadeiro.


Estas duas teorias nos afirmam, de fato, que nada é verdadeiro, a menos que tenha a confirmação dos nossos sentidos receptores, e que também seja para nós compreensível. Portanto, se podemos perceber algo e compreendê-lo, isto será potencialmente útil para nós. Consequentemente, os Rosacruzes entendem que nenhuma verdade se encontra fora da consciência humana. Nada é verdadeiro senão quando a mente humana o compreende como tal.


A verdade, portanto, está relacionada com o discernimento humano. Não pode haver verdades absolutas fora da experiência humana. Se não forem aceitáveis para o homem, não serão, para ele, verdadeiras. A verdade, portanto, é um valor estabelecido pelo homem a partir da percepção e das conclusões da sua razão. Não o que possa ser uma coisa, mas o que o homem possa entender que ela seja - isto é verdade.


A realidade não é estática; a totalidade do ser encontra-se em permanente mudança. A inteligência humana e o discernimento interior estão, da mesma forma, em mudança. O homem percebe esta realidade de forma variável: hoje, de um modo; amanhã, de uma perspectiva diferente. As verdades de hoje não são as mesmas de ontem, nem podem ser as mesmas de amanhã. Se fossem absolutas as verdades, então a mente humana estaria inibida, condicionada. Não poderia haver nenhum progresso, pois nada poderia ultrapassar a verdade estabelecida, a chamada verdade absoluta. Além disso, todas as verdades relativas que o discernimento humano admite teriam de ser rejeitadas. O homem não mais poderia confiar nos seus sentidos ou em sua razão.


Consequentemente, como Rosacruzes, encontramos na ciência, na filosofia e no misticismo, aquilo que no momento não pode ser refutado, e que, portanto, nos serve como verdade. Todavia, nós o rejeitamos sempre que a luz da mente humana revele uma verdade superior. Com este conceito de verdade, o Rosacruz jamais se torna dogmático ou limitado à tradição. Com o Rosacruz, a verdade se encontra sempre em processo de confirmação.


As poucas razões aqui expostas respondem à questão do porquê de haver Rosacruzes. Com estas razões são formulados ideais individuais que conduzem à felicidade pessoal. Nada é mais importante na vida do que a felicidade perfeita. Porém, ela tem de ser conquistada. Não pode ser descoberta, nem constitui um capricho do mero ato de viver.


Fonte: Revista “O Rosacruz”, nº 274, Primavera 2010 – Editada pela Ordem Rosacruz (AMORC) – Rua Nicarágua, 2620 – Bacacheri -82515-970 – Curitiba – PR – www.amorc.org.br

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

"Algumas pessoas, já potencialmente delinquentes, tornam-se advogados e se valem desse ministério público para o cometimento de crimes."

03/01/2011 12h55 - Jurídicas


Juiz Federal Odilon de Oliveira

FATO NOTÓRIO: Dr. Odilon, o senhor é conhecido nacionalmente por combater a criminalidade e o crime organizado, com condenações de criminosos de alto coturno. Conte sua trajetória de vida até chegar à magistratura federal e conquistar notoriedade nacional.
ODILON DE OLIVEIRA: Nasci em 26.02.1949, em Exu-PE. Meus pais foram pequenos lavradores durante toda a vida. Meu avô paterno era vaqueiro. Meus avós maternos eram lavradores. Aos quatro anos, em 1953, saímos de Pernambuco com destino a Mato Grosso, para participar da colonização daquele Estado. Meu pai formava uma família com doze irmãos. Alguns já se encontravam em São Paulo. Os demais, em torno de seis, vieram conosco de Pernambuco. O Governador do Estado, na época, João Ponce de Arruda, tinha interesse na imigração de nordestinos e, portanto, custeou todas as despesas com passagens. Todo mundo foi assentado em pequenos lotes rurais, na região onde hoje é o Município de Jaciara-MT. Havia uma companhia, de Presidente Prudente-SP, chamada CIPA, que era responsável, perante o governo estadual, pela colonização daquela região. Cada irmão adquiriu pequena área de terras, em torno de doze hectares. A viagem durou 15 dias. Até São Paulo, viajamos de pau-de-arara. De lá até Campo Grande, a viagem foi de trem. De Campo Grande a Jaciara, viajamos na carroceria de um caminhão. Não havia asfalto. Em Campo Grande, sem dinheiro, o grupo todo passou uma noite fria debaixo da marquise do Hotel Gaspar, que acabara de ser inaugurado. Eu e mais três irmãos fomos alfabetizados ali, na roça, em torno de uma mesa de madeira, após um dia inteiro trabalhando na roça. Aos 17 anos, deixei a roça e fui estudar numa escola do governo federal, situada em São Vicente, Município de Cuiabá-MT. Tratava-se de uma escola agrícola, edificada numa fazenda de 5.000 hectares. O aluno recebia de tudo: cama, mesa, uniforme e estudos. Em contrapartida, trabalhava nas várias atividades da escola: agricultura, pocilga, apiário, aviário, pecuária etc. Isto era uma espécie de salário (in natura), tanto que os ex-alunos podem contar o período de estudo como tempo de serviço, para fins de aposentadoria. Depois, saí da escola agrícola e fui trabalhar num hotel, fazendo serviços gerais (servindo a hóspedes, fazendo faxinas, cortando lenha etc). Estudava à noite. Meus pais, chefes de uma prole de oito irmãos, eram pobres. Não podiam pagar estudos para nenhum filho. Em 1968, vim servir ao Exército em Campo Grande-MS. Em 1970, já tendo deixado o Exército e voltado para Jaciara, lá fiz o curso normal. Em 1973, ingressei na Faculdade de Direito, em Campo Grande, formando-me em 1977. Para custear os estudos, dava aulas em Sidrolândia-MS, durante o dia. Pegava o ônibus às 05:00 horas e retorna à tardinha, indo direto para a faculdade. Em 1980, por concurso, tornei-me procurador autárquico federal. Em 1982, por concurso, tornei-me promotor de justiça. Em 1983, por concurso, tornei-me juiz de direito. Em 1987, assumi o cargo de juiz federal, exercendo minhas funções em Mato Grosso, Rondônia e Mato Grosso do Sul.

FATO NOTÓRIO: O senhor atuou de forma enérgica na região fronteiriça Brasil - Paraguai, e lá condenou criminosos tidos como “intocáveis”. Como foi esse período na fronteira?
ODILON DE OLIVEIRA: Fiquei durante uns treze meses na fronteira. Conheci muitas autoridades do Paraguai, relacionadas ao combate das drogas, dentre elas o então governador e hoje senador Robert Acevedo, profundamente empenhado na luta contra o tráfico. Como represália, é obrigado a andar escoltado e, ainda em 2010, sofreu um atentado. Foi um período de glória para a justiça federal. O relacionamento estabelecido com autoridades do Paraguai e também dos Estados Unidos (DEA) foi muito bom. Consegui extraditar entre 10 e 15 grandes traficantes brasileiros radicados naquele país. Condenei muitos intocáveis.

FATO NOTÓRIO: Neste período a imprensa nacional registrou que o senhor se tornou um ‘preso’ no quartel do Exército de Ponta Porã, pois era a única forma de estar em segurança. Aquela vida de reclusão que o senhor foi obrigado a enfrentar não coloca em xeque à justiça? Como o senhor se sentia enfrentando aquela situação?
ODILON DE OLIVEIRA: Achava muito bom, pois fazia o que gostava. Isto era o suficiente. Havia muito risco. O Exército e a polícia federal me davam segurança. O que colocaria em xeque a justiça seria a leniência do magistrado diante do crime organizado, mas isto nunca ocorreu. Todavia, muitos juízes criminais correm risco.

FATO NOTÓRIO: O fato de o Brasil ter fronteira seca com vários países contribui efetivamente para entrada de drogas e armas no país, gerando lucros altíssimos às organizações criminosas. Esses delitos, antecedem à lavagem de dinheiro. Como o senhor avalia essa situação?
ODILON DE OLIVEIRA: O Brasil tem uma fronteira seca de 16.000 km e mais 8.800 km pelo Oceano Atlântico. Faz divisa com os três maiores produtores mundiais de cocaína (Colômbia, Peru e Bolívia). A fronteira, pelo tamanho que é, dá passagem livremente ao bem e ao mal, por ela passando drogas, armas, contrabando e pirataria. Esses delitos geram uma economia paralela muito grande. Obviamente, os delinqüentes lavam esse dinheiro para colocá-lo no mercado legal. Campo Grande tem uma vara especializada em lavagem de dinheiro e crimes financeiros, da qual sou titular, com jurisdição sobre todo o Estado. Cada unidade da Federação possui uma vara dessas, todas fazendo parte de uma estratégia internacional de combate à lavagem de dinheiro proveniente de corrupção, tráfico de drogas e outros delitos de natureza econômica.

FATO NOTÓRIO: No último mês o Rio de Janeiro sofreu com ataques do crime organizado. Em resposta o governo estadual solicitou ajuda ao Governo Federal, o que foi prontamente atendido. Como o senhor avalia a união de forças (Governo Estadual e Governo Federal) no combate ao crime organizado?
ODILON DE OLIVEIRA: Pelo menos há dez anos, venho defendendo a participação das Forças Armadas no combate ao tráfico internacional de drogas. Logicamente, essas Forças teriam uma atuação mais ou menos compatível com sua formação. Atuariam na fronteira. No Rio de Janeiro, se não fosse o apoio das Forças Armadas, a polícia estadual não teria subido no morro do Alemão. O tráfico de drogas se tornou um crime transnacional. Existe um trinômio nesse cenário: países produtores, de trânsito e consumidores. A Colômbia, o Peru e a Bolívia são praticamente os únicos produtores de cocaína do mundo. O Brasil e alguns outros países são de trânsito e consumidores. A Europa e a América do Norte estão classificadas como consumidoras de cocaína. E de outras drogas também. O combate, portanto, depende de uma atuação integrada por todos os países envolvidos com o fenômeno. O Rio de Janeiro não terá sossego enquanto não houver corte de suprimento de drogas e de armas na linha de fronteira.

FATO NOTÓRIO: Os criminosos do Rio de Janeiro justificaram os atentados à criação das UPPs nas comunidades (unidade de policia pacificadora), que os obrigaram a se refugiar na Vila Cruzeiro. Em sua opinião a criação dessas unidades é válida para o combate do crime organizado?
ODILON DE OLIVEIRA: Sim, mas, sozinhas, não serão suficientes. Elas representam apenas uma pequena parte das políticas públicas com as quais o Estado do Rio de Janeiro, com o auxílio da União Federal, está em débito. A ausência do Poder Pública nos morros do Rio de Janeiro se prolongou durante muito tempo, criando uma situação cuja reversão será feita com muita dificuldade.

FATO NOTÓRIO: As ordens dos ataques no Rio de Janeiro teriam sido dadas por chefes do tráfico reclusos nos presídios federais de segurança máxima. Até que ponto esse presídios, tidos como de segurança máxima, são realmente seguros? E como isso acontece e, ainda, como essas falhas poderiam ser evitadas?
ODILON DE OLIVEIRA: Os presídios federais brasileiros são tão seguros quanto às prisões de segurança máxima dos Estados Unidos. Nenhum preso, por mais astucioso que seja, conseguirá fugir de uma penitenciária federal. O problema é que a legislação garante aos presos alguns direitos. Dentre esses direitos, quatro deles servem de canais de comunicação com o mundo exterior e, portanto, com a organização criminosa respectiva. São eles: a) visita íntima; b) visitas comuns; c) entrevista com advogados; d) remessa e recebimento de correspondências. Isto faz parte da ressocialização do preso. Para se evitar o contato com as organizações, devem ser adotadas as seguintes medidas: a) extinção de visita íntima; b) censura de correspondências; c) escuta ambiental de visitas comuns; d) escuta ambiental nos parlatórios, locais onde advogados conversam com seus clientes. Um ou outro advogado faz uso da profissão servindo à criminalidade, enquanto a grande maioria é honesta.

FATO NOTÓRIO: Escutas telefônicas dão indícios que advogados do traficante Marcinho VP, um dos chefes da facção criminosa comando vermelho (CV), transmitiram ordens para ataques terroristas contra policiais e veículos no Rio de Janeiro. Em razão dos indícios os advogados tiveram suas prisões decretadas pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Bangu, Alexandre Abrahão Dias Teixeira. Como o senhor avalia essa atuação de advogados que atuam como “pombo correio” dessas células criminosas?
ODILON DE OLIVEIRA: Isto ocorreu também em 2006, quando o PCC praticou mais de mil atentados, principalmente no Estado de São Paulo. Os advogados são essenciais à administração da justiça. Todavia, algumas pessoas, já potencialmente delinquentes, tornam-se advogados e se valem desse ministério público para o cometimento de crimes. Felizmente, são pouquíssimos, mas suas ações refletem sobre a categoria. Sou plenamente favorável à realização de escuta ambiental nos parlatórios. A comunicação do preso com o mundo exterior pode gerar duas conseqüências graves para sociedade: a) contatos e administração da organização criminosa; b) risco de seqüestros de autoridades ou de parentes para a troca por chefes de organizações. Este último é o maior perigo, porque é impossível o sujeito sair de uma penitenciária federal sem que seja por ordem judicial ou mediante esse tipo de atitude. O preso condenado a dezenas de anos de prisão não vê outra saída para ganhar liberdade. Como juiz criminal experiente e ex-corregedor da penitenciária federal de Campo Grande-MS, registro este alerta às autoridades. Se isto vier a acontecer, e já foram frustrados alguns planos, a situação ficará incontrolável.

FATO NOTÓRIO: O Senado Federal aprovou, após dois anos, o novo Código de Processo Penal. O senhor acha que o novo CPP tornará os procedimentos mais céleres? Em sua visão, o novo código é um avanço?
ODILON DE OLIVEIRA: Não haverá celeridade. Pelo contrário, algumas inovações atrasarão os processos envolvendo organizações criminosas. Um exemplo é o juiz das garantias, que atuará apenas durante as investigações policiais e ficará impedido para o processo. Quando se trata de crime organizado, normalmente são necessárias várias medidas para o impulso das investigações: monitoramente telefônico e telemático, quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo fiscal, prisão temporária, busca e apreensão, sequestro de bens etc. Nos casos simples, normalmente não há necessidades dessas medidas. A grande maioria das quase 3.000 comarcas brasileiras é de primeira entrância, possuindo apenas um juiz. Muitas delas são até de difícil acesso. Encerrado o inquérito, terá que comparecer um juiz de outra comarca, que deixará seus processos. Poderá se deslocar algumas ou várias vezes para audiências. Isto, além de gerar gastos para os cofres da União ou dos Estados, acarretará atraso no andamento desses grandes processos. No frigir dos ovos, a criminalidade organizada sairá ganhando. Haverá prescrição e, por fim, impunidade.

FATO NOTÓRIO: Até recentemente estava no presídio federal do estado de Mato Grosso do Sul aquele que é considerado o maior e mais perigoso traficante do Brasil, Luiz Fernando da Costa, cumprindo pena no regime disciplinar diferenciado. A imprensa nacional divulgou que o senhor teria indeferido alguns de seus pedidos, como o de cursar direito e receber mortadela de seus visitantes. Isso é verdade? Por quais motivos?
ODILON DE OLIVEIRA: É verdade. Penso que, em prisão federal, onde a permanência não é muito longa e a segurança deve ser extremamente rígida, não se deve permitir que o preso faça curso superior. A instrução fundamental deve haver. Receber alimentação especial, nem pensar. Numa prisão, todos devem ser tratados com absoluta igualdade. O preso de estabelecimento federal deve entrar nu e sair despido, desprovido de qualquer objeto pessoal. Cortei o envio e o recebimento de cartas, mas o Tribunal restabeleceu esse direito. Ordenei que esse preso só recebesse visitas no parlatório, onde um vidro à prova de balas separa o interno e suas visitas. O Tribunal mudou tudo.

FATO NOTÓRIO: A faixa de fronteira no Brasil é muita extensa. Na ótica do senhor qual o caminho mais adequado para evitar a entrada de drogas e armas no território nacional?
ODILON DE OLIVEIRA: São muitas as medidas. A primeira delas consiste numa efetiva cooperação entre o Brasil e os países produtores de drogas ou de passagem de entorpecentes e armas. É praticamente existente essa cooperação em relação à Bolívia e à Colômbia. A melhor integração é com o Paraguai, segundo maior produtor mundial de maconha e corredor de parte da cocaína que vem da Colômbia. O contingente da polícia federal deve ser aumentado na faixa de fronteira e os policiais devem receber um incentivo, ou seja, um adicional em seus salários. As Forças Armadas também devem atuar, realizando um trabalho compatível com a formação de seus integrantes.

FATO NOTÓRIO: O senhor vê um avanço no combate ao crime organizado no país, bem como na política de segurança pública?
ODILON DE OLIVEIRA: Não. O que vejo é um avanço da criminalidade, principalmente o narcotráfico. Em 2000, o Brasil tinha 170 milhões de habitantes e 233 mil presos, na proporção de 01 detento para um grupo de 730 habitantes. Em 2010, a população chegou com um aumento de 12%, mas a criminalidade cresceu, no mesmo período, 112%, de modo que a proporção passou de 01 preso para 388 pessoas. No tráfico, a situação foi pior. Em 2006, quando entrou em vigor a Lei 11.343/06, que descriminalizou o uso, a população era de 188 milhões de habitantes e chegou em 2010 com um crescimento de apenas 2%. Naquele ano, existiam 45 mil presos por tráfico, pulando, em 2010, para 105.500 presos, o que representa um aumento de 134%. Todavia, tem havido alguns avanços. Um deles é o projeto VANT (Veículo Aéreo não Tripulado), cuja finalidade será o monitoramento das fronteiras, acompanhando veículos, aeronaves e colhendo coordenadas geográficas. Em terra, são recebidas informações em tempo real, o que permitirá uma abordagem precisa.

FATO NOTÓRIO: No início de 2010 houve muitos comentários no Estado de Mato Grosso do Sul que o senhor seria candidato nas eleições. O senhor já pensou em disputar um mandato eletivo? Em caso de resposta afirmativa, qual cargo e quais metas o senhor buscaria cumpri-las?
ODILON DE OLIVEIRA: Fui convidado por alguns partidos para disputar qualquer cargo. Já pensei em me aposentar e entrar na vida política. Penso que meu perfil seria mais para o Senado. As metas seriam várias, destacando-se: a) endurecimento da legislação contra o crime organizado, melhorando, assim, a segurança pública; b) melhoria no sistema público de saúde, que é uma calamidade; c) educação para todos.

Fonte: Fato Notório-Jurídico – Clique aqui para conferir.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

CABRAS ARTEIRAS

Para quem não imagina o que esses bichinhos podem fazer, aqui estão umas fotos que recebi por e.mail - vejam:

Barragem de Cingino na Itália

Incrível e verídico!



Esta é a Barragem de Cingino na Itália, mas olhem mais de perto...









É mais conhecido como o Ibex Europeu ou Ibex Alpine (Ibex de Capra).Comem musgo, flores e sais minerais que se acumulam nas paredes da barragem.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

SÍNDROME DE HICODEIM grassa na sociedade brasileira

Significado da “Síndrome de HICODEIM” (HIpocrisia, COrrupção, DEsonestidade e IMoralidade)

Essa síndrome está descrita neste artigo:

J’ACUSE !!!


(Eu acuso !)


(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)

Por Igor Pantuzza Wildmann

Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.



« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola)


Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).


A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.


O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.


Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.


No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...


E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”


Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...



Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.


Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.


Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:


EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;


EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;


EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;


EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;


EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;


EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;



EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;


EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;


EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;


EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;


EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito;


EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;


EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição;


EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;


EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;


Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.


Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.


A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”


Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.


Fontes:

(1) Blogueiro Abmigaer (Postagem feita no Portal Militar) – Clique aqui para conferir

(2) Blog “Diário de Sobrevivência dos Professores” – Clique aqui para conferir

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Com quem Caim se casou? Somos filhos do incesto?

Por Luiz Carlos Nogueira

nogueirablog@gmail.com


Enviaram-me por e.mail a seguinte piada:


Genealogia


Uma garotinha pergunta a sua mãe:


- Como é que se criou a raça humana?


A mãe respondeu:


- Deus criou Adão e Eva, eles tiveram filhos, e os filhos tiveram filhos, e assim se formou a raça humana.


Dois dias depois, a garotinha faz ao pai a mesma pergunta. E o pai responde:


- Há muitos anos, existiam macacos que foram evoluindo até chegarem aos seres humanos que você vê hoje.


A garotinha, toda confundida, foi ter com a mãe e disse-lhe:


- Mãe, como é possível que a senhora me diga que a raça humana foi criada por Deus e o papai diga que evoluiu do macaco ?


E a mãe respondeu:


- Olha, minha querida, é muito simples: eu te falei da minha família e o papai falou da dele.”


Em vista dessa piada, na minha resposta, fiz a seguinte observação:


A Bíblia proíbe o incesto - veja em Levítico 18:6 “Nenhum de vós se chegará àquela que lhe é próxima por sangue, para descobrir a sua nudez. Eu sou o Senhor.”


Não obstante a confusão, ou seja, quer sejamos filhos de Adão e Eva ou descendentes de Noé, não há explicação lógica a respeito da procriação humana. Somos nós produtos de casos incestuosos? Se Deus criou inicialmente e apenas Adão e Eva (Gênesis 2:7 – 18;21;22;23) (...abençoou Deus seus filhos: Sede fecundos, disse-lhes ele, multiplicai-vos e enchei a terra...), com quem caim se casou? Os descendentes de Adão e Eva e de Caim são produtos do incesto?



Porque, segundo o relato bíblico:



Caim enciumado (porque Deus aceitava somente as oferendas do seu irmão Abel) atacou Abel com uma queixada de burro, e o matou. (Gen.4:2-8). A única mulher existente na época era própria mãe de Caim — Eva. Ou não?



Ou Caim, depois de longos anos:



a) casou-se com uma das filhas de Adão e Eva — sua irmã?


b) casou-se com uma das filhas de Sete (seu irmão)? — Sua sobrinha. (Gen.5:3; 7)? E Sete casou-se com quem?



Outro ponto a ser observado é que o dilúvio destruiu todos os seres humanos (exceto Noé e sua família) e todas as coisas que estes construíram, então os descedentes de Noé são também produtos do incesto (reproduziram-se entre si)?


Isto é o que está dito literalmente na Bíblia:



Gênesis capítulo 7:


“21 E expirou toda carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de gado, e de feras, e de todo o réptil que se roja sobre a terra, e de todo homem.


22 Tudo o que tinha fôlego de espírito de vida em seus narizes, tudo o que havia no seco, morreu.


23 Assim, foi desfeita toda substância que havia sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil e até à ave dos céus; e foram extintos da terra; e ficou somente Noé e os que com ele estavam na arca.”


Considerando essas estórias, então Deus não poderia ter proibido o incesto se Ele criou a humanidade, que segundo o texto bíblico, para que ela dominasse a terra e tudo que nela existe, sabendo que para isso seria necessário que houvesse incesto.


Tem lógica isso? Parece que o bom senso indica que não.



Então Caim deve ter se casado com uma macaca? (Gen. 4:17)



Neste caso, qual a resposta honesta e correta que teria que ser dada para a filha do casal da piada?



...................?????????

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Maçonaria não é a bigorna do mundo

Por Luiz Carlos Nogueira

Membro da Loja Maçônica Novo Tempo nº 19

Filiada ao Grande Oriente de Mato Grosso do Sul


Convém inicialmente notar que os dicionários definem a bigorna com sendo uma peça de ferro com a massa central quadrangular e as extremidades em ponta cônica ou piramidal, sobre a qual se malham e amoldam metais.


Outra definição é também de que a bigorna é uma ferramenta para ajustar ferradura ao casco da cavalgadura, ou para poli-la.


Quando iniciamos nessa admirável Ordem, aprendemos que ela é um sistema de moral, velado por alegorias e ilustrado por símbolos, portanto, cabe a nós assimilarmos os seus ensinamentos, livres e por vontade própria, para melhorarmos como seres humanos. Pelo menos este deveria ser o anelo dos que se apresentaram nos seus portais pedindo ingresso.


Digo que cabe a nós assimilarmos os seus ensinamentos, porque a Ordem Maçônica não é a bigorna do mundo, e por isso não os impõem de forma contundente como se fosse uma ferramenta para ajustar as ferraduras aos cascos dos animais cavalares, ou até mesmo para poli-las. Nós somos seres humanos, não obstante sejamos também animais, porém com uma diferença básica ou fundamental — somos racionais, possuidores da centelha divina chamada inteligência. Por conseguinte é forçoso que aprendamos a separar o joio do trigo.


Os ensinamentos maçônicos são oferecidos para aqueles que tem olhos para ver e ouvidos para ouvir. A Instituição como escola, não pode ser culpada se o aluno não faz o dever de casa e por consequência não aprende, não evolui e não se torna melhor do que era para a sociedade humana. Ninguém pode ser bom à força — para ser bom é preciso que queira. É uma questão de opção.


Ninguém herda de si próprio toda a excelsitude, toda a magnanimidade, toda a sabedoria, enfim todas as qualidades como a beleza d’alma, a força de caráter, etc, se não trabalhou para forjar o seu espírito — se nada disso construiu para si. Ora, se não herdamos nada de nós mesmos, como é que iremos inspirar, dar exemplos aos demais entes sociais com os quais convivemos?


Como culpar uma escola (dos ensinos fundamental e médio) cujos professores se esmeram para ensinar o aluno, se ele não quer aprender? Não adianta dizer que em tal ou qual escola estudaram algumas personalidades ilustres da nossa História, se o aluno pouco se dá conta da oportunidade que tem de aprender e também se tornar ilustre tanto quanto aquelas personalidades.


Os feitos heroicos de membros da augusta fraternidade, são personalíssimos e os seus louros não se transferem para qualquer outro membro, especialmente para os que se iniciaram sem terem a devida vocação para perseguir os objetivos traçados pela Maçonaria.


Da mesma forma, os atos condenáveis não podem ser transferidos para outro membro da fraternidade. Cada qual poderá, se quiser, produzir os seus feitos heroicos, filantrópicos, altruístas, ou seja lá o que for, sem fazer ostentação, que os torna mais importantes ainda em seu próprio ser, sob o impulso misto de um sentimento que vem do coração, temperado pela racionalidade, ambos desenvolvidos pelas práticas maçônicas.


Pode parecer que a metodologia maçônica esteja superada, para as mentes tagarelas (tagarelas no sentido de inquietas, barulhentas) muito próprias dos tempos modernos. No entanto, toda a alegoria, toda a simbologia e toda a ritualística foram criadas para aquietar e disciplinar as mentes, colocando-as receptivas para aplicar os materiais fornecidos na construção do nosso templo interno, sem que haja barulho algum, por analogia metafórica do templo que o Rei Salomão construiu para o Grande Arquiteto do Universo, que é Deus (1º Livro dos Reis, 6:7 – “Na construção do templo só foram usados blocos lavrados nas pedreiras, e não se ouviu no templo nenhum barulho de martelo, nem de talhadeira, nem de qualquer outra ferramenta de ferro durante a sua construção.”)



Assim é que se diz que a Arte Real trata do desenvolvimento espiritual e do conhecimento, que remete a um modo de ação, de forma que o que se sabe, reflete diretamente no que se faz, e o que se vai fazendo reflete diretamente no que se vai sabendo. Então não podemos controlar as ações dos nossos irmãos, nós é que temos que controlar as nossas, para que sirvamos de exemplo. Essa é a melhor forma de ensinar.

No entanto,



à Arte Real estão ligados dois deveres iniciáticos: a) conhecer as causas espirituais da realidade não manifestada e, b) agir materialmente, ou seja: saber, em potência e operar, em ato. A divisa alquímica ora et labora, neste aspecto, serve a título de exemplo.



Por isso, não podemos permitir que os inescrupulosos, de mau caráter, aproveitadores, gananciosos, enfim os que não tenham bons costumes se infiltrem na Maçonaria ou nela permaneçam, já que não comungam com os seus ideais.


Lembremo-nos de Jesus, e sua parábola da árvore que não dava bons frutos, conforme os versículos que seguem em Mateus, Capítulo 7:


“16 - Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?”


“17 - Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus.”


“18 - Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons.”


“19 - Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo.”


“20 – Portanto, pelos seus frutos os conhecereis”


Outra alegoria bíblica a ser considerada como ensinamento está no: por que Jesus amaldiçoou a figueira que encontrou no seu caminho, por não ter produzido figos, uma vez que no texto de Marcos 11.13 está claro que não era tempo daquela árvore produzir frutos ?



“Mc. 11:13 E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos”


Ora, conforme relata a Bíblia, Jesus entrou no templo num dia de domingo, à tarde, e observou tudo ao seu redor. Logo depois, foi para Betânia, onde passou a noite. No dia seguinte, no caminho, Jesus teve fome e foi procurar frutos em uma figueira que encontrou. Como não havia frutos, amaldiçoou a figueira, que, Imediatamente, ficou seca.


Algumas pessoas ficam consternadas com esse episódio, por que entendem que foi uma atitude subjetiva e inexorável de Jesus. Afinal, por que ela agiu daquela forma? Estaria Ele irado? Por ter ficado irado teria querido exibir poder?


O historiador Marcos (11.13) faz algumas observações interessantes. — Vejamos:



Jesus quando estava passando pela estrada, viu “de longe uma figueira que tinha folhas”, e, ao examinar as folhas, “foi ver se nela acharia alguma coisa”. Porém, é preciso atentar para esse detalhe, porque, “quando ocorre a primeira maturação, as folhas ainda não estão completamente formadas (Ct 2.13)”. Então, como “chegando a ela, não achou senão folhas”. Como poderia haver folhas se ainda não havia acontecido a maturação? Os figos deveria ter saído antes das folhas! Isso se trata de uma exceção. Não achando os frutos, Jesus lançou uma sentença contra a figueira: “nunca mais alguém coma fruto de ti”. Mateus 21.19 termina informando que “a figueira secou imediatamente”.


A explicação dos exegetas para essa alegoria, é que não obstante a figueira tivesse folhas em abundância — foi como se o levasse a um engano, porque aquela figueira aparentava ser o que não era, ou seja, mostrava ser uma coisa quando, na realidade, era outra.


É assim também que acontece com alguns maçons.

Dessas alegorias extraímos duas lições:

— a primeira é que pertencemos à Maçonaria para darmos frutos à glória do Grande Arquiteto do Universo. (“Ad majorem gloria Dei”) (Rm 7.4);


— a segunda é que, uma vez constatada a inexistência de frutos espirituais no maçom, nada mais o autoriza permanecer em nossa Confraria, porque age contrário aos propósitos da Ordem que acredita na linha do bem, traçada pelo Grande Arquiteto dos Mundos.


Segundo Robert Ambelain, há razões cabalísticas indicando que o profano quando ingressa (no caso) na Maçonaria, se torna Integrado psiquicamente pela Iniciação ritual ou por adesão intelectual à sua egrégora, ou seja, torna-se uma de suas moléculas constitutivas. Ele aumentará a potência da egrégora das qualidades ou dos defeitos que possuir, e em troca, a egrégora o isolará das forças exteriores do mundo físico, e reforçará com toda força coletiva que houver acumulada de antes, os fracos meios de ação do homem que a ela se religar.


Instintivamente, a linguagem popular dá o nome de "círculo" a uma egrégora, exprimindo assim intuitivamente a ideia de circuito. Entre a célula constitutiva e a egrégora, quer dizer entre o filiado e o grupo, se estabelece então uma espécie de circulação psíquica interior.


Daí porque o desligamento de alguém de uma egrégora (no caso, da egrégora maçônica) deve ser precedido de uma cerimônia análoga, ainda que oposta em seus objetivos a aquela que assegurou sua gênese.



A Iniciação é, nesse caso, aniquilada pela excomunhão, ou seja — a expulsão mediante processo regular, que é coroado pela emissão do Quite Placet ex offcio.



No momento histórico que o nosso País atravessa, quando se tem notícia de que um ou outro membro de uma das Potências Maçônicas Regulares está sendo denunciado por envolvimento em corrupção, exige atitudes enérgicas para retirá-los da nossa convivência fraterna e sadia, sob pena de enodoarem a nossa Sagrada Instituição, com risco até de exercerem pernicioso contágio sobre alguns de seus membros.



E o que não é bom para nós, dificilmente será bom para o País e para o seu povo.


Obs: esta matéria que estou reproduzindo nesta data, eu havia escrito num outro blog que não era meu, por ocasião do escândalo evolvendo o ex-governador de Brasília, José Roberto Arruda.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Uma outra solução para não interromper a gravidez

Este texto (cuja autoria desconheço) foi-me enviado por e.mail:

Uma mulher chega apavorada ao consultório de seu ginecologista e diz:


- Doutor, o senhor terá que me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e já estou grávida novamente Não quero filhos num tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e outro...


O médico então perguntou:

-Muito bem. O que a senhora quer que eu faça?

A mulher respondeu:

- Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.

O médico então pensou um pouco e depois de algum tempo em silêncio disse para a mulher:


- Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.

A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido.
Ele então completou:


- Veja bem minha senhora, para não ter que ficar com dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços.

Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período de descanso até o outro nascer. Se vamos matar, não há diferença entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco... Além do período do nojo, férias e subsídios de parto...

A mulher apavorou-se e disse:

- Não doutor! Que horror! Matar uma criança é um crime..


Também acho minha senhora, mas pareceu-me tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la.

O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito. Convenceu a mãe que não há menor diferença entre matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva no seio materno.

O CRIME É EXATAMENTE O MESMO!!!!!