terça-feira, 12 de abril de 2011

A vida (digital) depois da morte



O corpo vai, mas os perfis ficam: como isso altera o luto dos vivos e o que fazer para garantir que suas identidades na internet tenham o fim que você deseja

Renan Dissenha Fagundes



Interpretação artística da vida após a morte. Foto: Alguns direitos reservados por Keo 101

A atriz Cibele Dorsa, de 36 anos, morreu na madrugada de sábado (26). Uma hora depois, Carla Dorsa Gemelli postou um recado no Facebook de sua irmã: "Queridos amigos, Hj é o dia mais triste da minha vida, minha irmã faleceu às 2 da manhã! Sei que ela está com Jesus, mas a dor e a saudade são muito forte!!!" Não demorou para que o mural do perfil de Cibele na rede social se transformasse em um memorial à atriz. Centenas de pessoas – primeiro os amigos, mas depois também fãs e curiosos – deixaram os mais diversos recados na página. Muitos lamentaram a morte de Cibele e outros escreveram mensagens de pêsames para a família. Havia quem parecesse não entender o que tinha acontecido e alguns dos textos eram escritos para a atriz, como se ela pudesse ler e responder. O perfil de Cibele no Twitter, em que ela deixou uma espécie de carta de despedidas – um vídeo com fotos dela e de Gilberto Scarpa e uma mensagem dizendo "lutei até onde pude" – antes de pular da mesma janela que seu noivo tinha usado para se suicidar, ganhou seguidores após sua morte.


O caso de Cibele pode parecer excepcional – pela circunstâncias da morte e pela cobertura da imprensa –, mas serve de exemplo para uma questão que ganha cada vez mais importância: o que acontece com seu legado digital depois que você morre? É bastante provável que você, que está lendo esta reportagem, tenha uma identidade na internet – perfil no Twitter ou no Facebook, um blog. Mas o que será do seu eu digital quando você não estiver mais aqui para atualizá-lo? No Brasil, a taxa de mortalidade é de 6,36 mortes para cada mil habitantes. Há quase 76 milhões de usuários de internet aqui. A conta [sem levar em conta diversas características sociais, claro] dá mais de 480 mil usuários de internet mortos por ano. Usando a taxa de mortalidade global e estatísticas do Facebook, o jornalista americano Chris Mohney calculou que há mais de 5 milhões de mortos na rede social.


A questão não é nova, mas seus significados ficam mais profundos conforme a internet se torna cada vez mais social. Ainda na década de 1990, a web era feita de conexões entre documentos, pedaços de informações – textos ou imagens. Nessa primeira fase, a vida online de alguém não era assim tão diferente de um baú com vários escritos e correspondências guardados. A segunda web – chamada normalmente de web 2.0, mas também de web social – muda essa dinâmica: em vez de documentos, a internet agora conecta pessoas.


Uma das unidades básicas dessa web é o perfil. O perfil pode ser uma criação feita apenas para o mundo online – como os avatares do Second Life, os personagens do jogo World of Warcraft ou os diversos fakes do Orkut ou do Twitter – ou pode estar ligado a uma pessoa de verdade. Esse segundo tipo é cada vez mais comum, principalmente impulsionado pela ideia que Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, tem para sua rede social: Zuckerberg quer que cada perfil no Facebook corresponda a uma pessoa no planeta [ou bicho de estimação]. A lógica que impera por lá é mais ou menos essa, embora não de cópias fiéis do mundo real, mas de identidades digitais próximas daquelas das pessoas de verdade. No LinkedIn, rede social de perfis profissionais, as pessoas também têm um correspondente digital de uma parte de sua identidade real – no caso, a parte trabalhadora. Perfis no Twitter e no YouTube muitas vezes também têm relações com o mundo físico. Esses perfis todos têm uma particulariedade: eles continuam existindo quando a pessoa está offiline, seja porque está dormindo, viajando – ou porque morreu.


No artigo Viver e morrer no Orkut: os paradoxos da rematerialização do ciberespaço, Afonso de Albuquerque, professor de estudos de mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF), escreve que "em inúmeros aspectos, os mortos orkutianos se parecem muito com os vivos". Embora Afonso afirme que diversas características desse texto, publicado em 2007, não possam ser aplicadas às redes com maior crescimento hoje – Facebook e Twitter –, é interessante destacar a explicação de por que os mortos do Orkut se parecessem com os vivos: "Suas fotografias frequentemente apresentam pessoas cheias de vida, flagradas em festas, viagens e na companhia de amigos. As listas de amigos, recados e testemunhais dão ao morto um lugar nas relações sociais. Os mortos orkutianos permanecem congelados em um eterno presente sem futuro". Esquecendo particularidades das redes sociais, pode-se dizer que os mortos da web 2.0 em geral ficam presos nessa mesma situação.


André* morreu em novembro de 2007, aos 14 anos. Seu perfil no Orkut nunca saiu do ar. A reação online nos dias que se seguiram a sua morte foi muito semelhante a que pode ser vista agora no mural do Facebook de Cibele: amigos e familiares entrararam lá para deixar recados, lamentar a morte, falar diretamente com André como se fosse possível uma comunicação. Mas o memorial não terminou aí: em 2008, 2009, 2010 e em 2011, as pessoas voltaram para deixar mensagens para André tanto na data de sua morte quanto (mais) no seu aniversário. Os comentários são simples, coisas como "ainda sinto sua falta", "saudades de você" e "Parabéns André". "No mundo do faz de conta, é como se estivéssemos mandando a mensagem. É mais ou menos uma forma para dizermos o que não pode calar para o mundo", afirma Fátima*, mãe adotiva de André. "É muito bom por se tratar de um lugar que para sempre vai ser dele." Fátima compara as visitas ao perfil com idas ao cemitério. "Está na hora de visitarmos de forma diferente. Estamos em constante mudanças e acho legal a ideia de o túmulo ser assim", diz. "Chamaria de um lugar virtual onde ele já esteve e deixou um pouco de sua essência."


A permanência na internet de uma parte da identidade real da pessoa morta altera um pouco a forma como lidamos com a morte. As funcionalidades das redes sociais ganham outros significados: um espaço para troca de mensagens e links vira um espaço de homenagens póstumas e até de conversas metafísicas. Mesmo funcionalidades menores são reinventadas pela morte. No começo da década de 2000, antes das redes sociais, um colega de escola meu morreu com a mesma idade que André. Um tempo depois da comoção entre os amigos, as datas de morte e de nascimento daquele colega ficaram esquecidas. Para os amigos de André é diferente: redes sociais como o Orkut e o Facebook têm recursos para lembrar os amigos de alguém quando é seu aniversário. E todo ano, vendo esse recado sobre o aniversário de André, muitos que talvez não fossem se lembrar voltam lá para dizer que ainda sentem saudades dele.


A psicóloga Maria Cristina Sampaio de Toledo, que trabalha com cuidados paliativos no ambulatório médico da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), diz acreditar que essas mudanças no luto podem não ser o caminho ideal. Maria Cristina afirma que o luto pode variar muito dependendo das pessoas, do tipo de morte e da cultura, mas que o caminho mais comum é "entender que a pessoa partiu e redefinir a vida com a ausência do ente querido". O retorno a um perfil online poderia significar uma inabilidade de aceitar a perda. Para Maria Cristina, esses retornos também podem ter relação com a idade dos mortos. A maior parte dos usuários de internet são jovens, e a morte de jovens carrega um peso que é o fim dos planos de uma vida que não se realizou completamente, de coisas que não puderam acontecer. Maria Cristina também afirma que as pessoas que continuam acessando os perfis de amigos ou familiares que se foram podem acreditar ser um "guardião da memória da pessoa que morreu".


O americano Evan Carroll, autor ao lado de John Romano do livro Your Digital Afterlife [Sua pós-vida digital], afirma que essa situação é natural. "As redes sociais são cada vez reflexões mais ricas e precisas de nós como indivíduos. Quando uma pessoa morre, esses ecos podem ficar para trás. É natural que os sobreviventes se voltem para essas identidades quando sofrem com a perda de um ente querido", disse. A questão, para Carroll e Romano, também autores do site The Digital Beyond, é outra: o que você, que está vivo, pode fazer para garantir a permanência de sua memória virtual? O livro é um começo para quem pretende pensar o que será de suas identidades na web. O subtítulo resume bem: Quando o Flickr, o Facebook e o Twitter são suas propriedades, qual é o seu legado?


"Temos ouvido cada vez mais e mais histórias sobre pessoas que perderam dados valiosos tanto por falhas de hardware quanto por causa da morte de um ente querido", afirma Carroll. "Cada vez que isso acontece, as pessoas se tornam mais conscientes do problema." E o problema é importante, porque Carroll afirma que pegamos uma passagem só de ida para o mundo digital: tudo que antes era armazenado no meio físico ficam agora em computadores, sejam os emails que substituíram as cartas, fotos e vídeos, ou outras coisas que talvez nem existiriam sem a web (toda uma coleção de tweets, por exemplo). "A longo prazo, cuidar de seus bens digitais e planejar o seu destino vai ser tão importante quanto cuidar da disposição de bens físicos", afirma Carroll. Your Digital Afterlife ensina a tratar o legado na internet como um testamento no mundo físico. "O básico é criar um inventário de seus bens, incluindo como acessá-los e seus desejos. Então entregue a lista para a pessoa certa", diz Carroll. E a lista nem precisa ser de todas as suas contas, apenas as mais importantes.


Para quem está em uma situação mais complexa, ou quer comodidade, já há serviços disponíveis na internet para cuidar de seu testamento digital. Sites como o Entrustet, com seu slogan "passe as chaves para o seu legado digital", e Legacy Locker ("um repositório seguro para suas propriedades digitais") guardam listas de contas online dos usuários, com seus logins e senha, e passam a informação para um "herdeiro" depois que a pessoa morre. No DataInherit é possível atualizar seu testamento online por um aplicativo para iPhone. Jesse Davis, um dos fundadores do Entrustet, afirma no site da empresa que teve a ideia do serviço depois de ler sobre a história de Justin Ellsworth. Fuzileiro naval dos Estados Unidos, Ellsworth morreu no Iraque em 2004 e não deixou com ninguém a senha para seu email no Yahoo!. Quando a família quis acessar a conta, o Yahoo! se recusou. Foi preciso um processo na Justiça para que a empresa entregasse o controle do email para os familiares de Ellsworth.


Essas empresas, por outro lado, têm um componente mórbido. Você poderá receber emails periódicos para o servço confirmar que ainda está vivo. Preparar uma lista e decidir quem vai receber suas senhas também pode ser um trabalho um pouco depressivo. "Muitas pessoas acham que planejar a sua própria morte pode ser desagradável. As pessoas tendem a planejar apenas quando atingem certas metas na vida: casamento, filhos, aposentadoria", diz Carroll. "Um estudo recente constatou que apenas 30% dos americanos têm testamentos jurídicos. Outro aspecto mórbido da morte na internet é a recorrência de perfis de pessoas que já morreram em ferramentas de recomendação. O Facebook, depois que um usuário fica muito tempo sem interagir com a sua rede social, manda uma mensagem para a lista de amigos perguntando se não é a "hora de se reconectar com fulano". Muitas vezes não é possível.


"Atualmente, a internet não tem conhecimento da morte de um usuário. Hoje, uma conta poderia ficar na Web para sempre", diz Carroll. "Centenas de milhares de pessoas vão morrer neste ano sem que as maiores redes sociais e serviços fiquem sabendo." Até recentemente, as empresas de internet nem se preocupavam muito em ter uma política para lidar com a morte. O Twitter adotou uma em agosto de 2010, movido pela nova funcionalidade de recomendar perfis. O site se propõem a apagar a conta ou ajudar os familiares a salvarem um backup das mensagens enviadas por uma pessoa. É preciso mandar um link para um obituário ou para uma notícia sobre a morte da pessoa. Também com envio de obituário, o Facebook pode apagar uma conta. No Facebook familiares podem ainda pedir para que um perfil vire um memorial. Um perfil que se transforma em memorial pode ser acessado apenas por amigos e some das recomendações. As contas do Yahoo!, incluindo o Flickr, ainda são intransferíveis para familiares de uma pessoa morta.


Mesmo que você passe suas contas e senhas para alguém, outros problemas podem surgir para seu futuro digital. Serviços pagos, como uma conta profissional no Flickr, podem ser uma grande dor de cabeça para herdeiros. Há também problemas como spam e vandalismo digital: no mural de Cibele no Facebook, em meio aos amigos tristes e às despedidas, várias pessoas criticaram duramente a atriz pelo suicídio, fazendo até mesmo acusações sobre uso de drogas. O Orkut de André, entre um aniversário e outro, enche de mensagens automáticas sobre festas ou como desbloquear o álbum de fotos de alguém. E no fim, nada garante que seus desejos serão cumpridos. Antes de morrer, Franz Kafka pediu a seu amigo Max Brod que destruísse todos os seus livros que não haviam sido publicados. "Meu último pedido: tudo que deixo para trás ser queimado sem ser lido", escreveu Kafka. Brod não realizou o desejo de Kafka e publicou clássicos como O Processo e O Castelo.


* Os sobrenomes foram omitidos para preservar a identidade.


Fonte – Revista Época – Sociedade – Clique aqui para conferir

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Nossos relacionamentos


Por João Bosco Leal

artigos@joaoboscoleal.com.br

Lendo um texto de Mário Quintana, comecei a refletir sobre como encaramos nossos relacionamentos com outras pessoas, sejam com os pais, filhos, amigos, namoradas, esposas, ou qualquer outro.


Desde crianças, temos a tendência de imaginar que precisamos de alguém ou que alguém necessita de nós, de nossa amizade, favores, carinho e amor.


Lembrei da história do menino dono da bola, que não a empresta se ele não jogar junto, ou que, quando contrariado, leva a bola embora, e o jogo acaba. Com o controle da bola ele controla a situação, mas por uma única vez, pois certamente outra bola aparecerá, o jogo continuará, e claro, ele não participará mais.


Quando jovens, passamos a procurar a nossa "cara metade", e isso jamais encontraremos. Como metades, não sobreviveríamos sem a outra parte, seríamos dependentes dela, e tudo o que traz dependência é uma droga.


O que realmente deveríamos procurar seria a "tampa da nossa panela", um outro inteiro, que nos complemente. Assim como nós não somos metades, as outras pessoas são inteiras, completas, e aí está a maravilha da vida.


Alguém do qual necessitamos, precisamos, seria uma simples alternativa, normalmente material, mas apesar de poder nos proporcionar os mais diversos tipos de prazeres, os materiais, jamais nos faria realmente felizes.


Para sermos felizes com alguém, é necessário, principalmente, não precisarmos dessa pessoa, não dependermos dela. Sermos capazes de levar uma vida totalmente independente, sem ela. Quando temos essa consciência, já mudamos radicalmente o modo de nos relacionarmos, e só estaremos com alguém se o desejarmos, e não por necessidade.


Aquela pessoa que você ama, ou acha que ama, em quem pensa o dia todo, com quem se preocupa, a quem tenta agradar com uma simples fruta apanhada no pé, por ser a que ela gosta, mas que não lhe corresponde, não se prende por você, certamente não é a pessoa certa, aquela com quem deveria passar sua vida.


Não perca seu tempo com ela, não se dedique mais, não vale a pena, pois ela pode até simpatizar com você, gostar de suas atitudes, sua dedicação, mas não o amará. E não por culpa dela, mas porque você não é a pessoa que ela procura, apesar de você achar que é ela a quem procura.


Não existe a menor possibilidade de um relacionamento, de qualquer tipo, dar certo, a longo prazo, quando esse desejo é unilateral. Nenhuma amizade, namoro ou casamento suportará. E por mais que se tente, pode aumentar a amizade, a afinidade, o carinho, mas o verdadeiro amor não ocorrerá.


Normalmente de onde, e quando menos se espera aparece a pessoa que sempre procurou, aquela com os mesmos sonhos, objetivos e ideais que você, com quem buscará alcançar algo, partilhará as dificuldades, os tropeços, e os sucessos da busca.


Ao lado dela você chorará, sorrirá, e partilhará seu bem mais importante, a vida. Construirá uma história, que, mesmo quando se referir às dificuldades, sempre poderá ser contada com alegria. Essa certamente será sua parceira ideal


Nossas amizades e nossos relacionamentos são assim, ninguém precisa de ninguém. As pessoas que se dão bem se complementam, e permanecem juntas, por estarem dispostas a partilhar algo. As outras se suportam, e isso não vale a pena.


Matéria enviada pelo autor - Publicada no site http://www.joaoboscoleal.com.br/

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O passado nos ensina, mas lá deve ficar - Por João Bosco Leal

*artigos@joaoboscoleal.com.br
Percebo pessoas tristes, arrependidas, e outras felizes e orgulhosas, ao se lembrar de seu passado. São posições muito distintas, e, mesmo quando a reação é semelhante, noto que o mesmo sentimento pode ser de intensidade variada.

Infâncias e juventudes mais ou menos abundantes, seja de amizades, namoros, carinho, amor, aproveitamento escolar, ou mesmo de bens materiais, fazem com que cada um, no futuro, sinta esse passado de modo diferente, e isso é normal, pois, como as impressões digitais, todos somos diferentes.

Não somos como produtos industrializados, fabricados em série, numa linha de montagem robotizada, controlada por computadores, onde os humanos participam somente do liga e desliga das máquinas e robôs, ou da colocação de peças específicas nas esteiras rolantes.

Fomos, cada um de nós, gerados em locais, momentos, situações, e por pais e mães diferentes, que nos educaram com maior ou menor rigidez. Crescemos cada um em uma casa, rua e cidade. Estudamos em escolas e tivemos professores e amigos diferentes. Durante o crescimento tivemos algumas doenças, caímos, nos machucamos, sofremos acidentes, tomamos determinados remédios, e, por afinidades, opções, praticamos esportes diferentes uns dos outros.

Assim como o ferreiro tradicional, aquele que molda uma ferramenta a ferro e fogo, de modo rústico, e que mesmo trabalhando no mesmo local, e com as mesmas marreta e bigorna, não consegue fabricar duas peças idênticas, apesar de produzi-las muito parecidas, essas diferenças na geração, criação, educação e crescimento, dos menores aos maiores detalhes, são a nossa moldagem pela vida, que nos tornam seres humanos inigualáveis.

Assim, todos nós tivemos passados com moldagens distintas, mesmo que parecidas, como no caso de irmãos, mas diferentes, e essa compreensão, esse entendimento, pode e deve nos ajudar na convivência com nossos semelhantes, próximos ou distantes, e com o nosso próprio passado.

Quando entendemos isso de modo claro e objetivo, passamos a entender e aceitar melhor as pessoas, e de nada adianta nos lastimarmos ou nos vangloriarmos de nosso passado, pois ele é imutável. O que podemos e devemos, é aprender com o passado, de modo a construir um futuro melhor, e, dentro do possível, com moldagens bem semelhantes entre os que se querem bem, e pretendem permanecer próximos.

Estar vivo já significa possuir um passado, e como alterar o nosso ou o de alguém é impossível, devemos ter maturidade para aceitá-lo, pois ele existiu, e alterar o possível, o futuro, para que mais adiante, não tenhamos os mesmos arrependimentos, e os mesmos desejos de mudar o imutável.

Deixando de lado o egoísmo e o individualismo natural do ser humano, devemos analisar o passado para com ele aprender, para com isso aceitar, perdoar, e tentar, cada um, construir um futuro com menos orgulhos ou arrependimentos individuais, e com mais resultados conjuntos.


Aprender com o passado e colocar uma pedra sobre ele, deixando-o para trás, e não permitindo que caminhe mais ao nosso lado, é certamente o melhor caminho para um futuro melhor, pois desejar que esse passado tivesse sido diferente, ou permitir que caminhe conosco, não é construtivo, mas perda de tempo e energia.

Matéria enviada pelo autor - Publicada no site http://www.joaoboscoleal.com.br/

terça-feira, 29 de março de 2011

OAB/MS constata irregularidade na lei que aumentou IPTU em Campo Grande

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Seccional Mato Grosso do Sul, constatou irregularidade na Lei nº 4.920, de dezembro de 2010, que dispõe sobre a majoração do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de Campo Grande.

De acordo com parecer do conselheiro da OAB/MS João Ricardo Dias de Pinho, a lei foi considerada inconstitucional, no aspecto formal, por ofensa ao princípio da anterioridade. De acordo com Pinho, a lei não poderia entrar em vigor em janeiro deste ano. “Essa lei só poderia produzir efeitos a partir de 27 de março de 2011. A Constituição exige que leis que aumentam tributos só podem ser aplicadas após no mínimo 90 dias depois da publicação”, explica João Ricardo.


Em relação aos princípios do confisco, o conselheiro não constatou irregularidades e apontou a constitucionalidade material, pois a lei não detém efeitos confiscatórios. No entanto, o Conselho Seccional da OAB/MS aprovou a decisão de entrar com ação na Justiça a respeito da Lei nº 4.920. A Seccional de Mato Grosso do Sul estuda medidas judiciais cabíveis diante da irregularidade constatada.


A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou o reajuste médio de 6% do IPTU e, dependendo da região, o reajuste poderia variar entre 6% e 16%. Porém, há reclamações de advogados que apontam aumentos maiores que esses índices. O deputado estadual Paulo Duarte também ingressou com representação junto à OAB/MS para impedir o aumento do IPTU.


Clique aqui para conferir a íntegra do parecer do conselheiro da OAB/MS João Ricardo Dias de Pinho.


(25 de Março de 2011 • 17h30 • atualizado às 18h44 •)


Fonte: Site da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso do Sul – clique aqui para conferir

segunda-feira, 28 de março de 2011

O envelhecimento

Por João Bosco Leal
artigos@joaoboscoleal.com.br




Sempre procurei entender o motivo pelo qual todos sofremos ao perceber que estamos envelhecendo, que já não somos tão ágeis, que esquecemos de coisas, fatos, ou que já não podemos fazer algo, se isso é inevitável, e que sabemos, desde o nascimento que assim seria.

Quando jovens, passamos por diversas fases, desde os descobrimentos diversos, como os sentimentos e prazeres, e logo já estamos querendo que a idade passe mais rápido, que cheguemos logo aos dezoito anos, para podermos tirar a carteira de habilitação, e termos acesso a novos lugares, como entrar no cinema em filmes censurados.

Em seguida os desejos já são outros, como acabar logo a faculdade, começar a trabalhar, ser independente financeiramente, sair da casa dos pais, e, com isso, pensamos que não iremos mais ter de dar satisfações a ninguém, principalmente àqueles que nos criaram.

Começam os planos de casamento, constituir a própria família, a casa própria e todos os outros comuns nessa fase da vida, quando vem o primeiro filho, e tudo começa a se transformar naquilo que é, literalmente, a vida real, sem sonhos vagos, e passa a ser a de projetos e sonhos mais precisos, de projeções, ambições e futuro.

Provavelmente, no aspecto material, essa é a fase mais produtiva de nossas vidas, pois buscamos incansavelmente a realização de muitas projeções, tanto para nossas vidas, como da de nossos filhos. São as buscas financeiras, de crescimento econômico, aquisições materiais, estabilidade, e, imagina-se, de garantias e segurança futuras.

Na fase da maturidade começamos a entender muitas das razões pelas quais nossos pais e mestres nos diziam algo, que deveríamos ou não realizar, e que, agora, nós é que dizemos a nossos filhos. Percebemos que muitos de nossos sonhos não se realizarão, ou porque eram fantasiosos, ou porque nós, por qualquer motivo, não conseguiremos realizá-lo.

Refazemos as nossas projeções, nossos objetivos, que agora são pautadas em bases mais sólidas, e de maior possibilidade de realização dentro de nossa atual realidade, seja física, econômica ou intelectual. Passamos a aceitar que muitas coisas antes desejadas não se realizarão, mas imaginamos que outras ainda são possíveis de serem alcançadas e traçamos estratégias com esse objetivo.

Penso ser após essa fase, quando se começa realmente a envelhecer, notar limitações físicas e mentais, que o ser humano inicia seu sofrimento pela aproximação do final, que já era esperado, conhecido de longa data, mas de difícil aceitação. Quando, matematicamente notamos que já há bem menos anos a viver do que os já vividos.

Começa a fase do sofrimento pelo inevitável que se aproxima, mas esse sofrimento ocorre não pelo simples final, mas pelo conhecimento, a experiência que alcançamos, e que, com eles, provavelmente teríamos alterado várias decisões e escolhas passadas, e com isso, certamente alcançaríamos com mais facilidade vários objetivos, mas que não há mais tempo para mudanças de rotas, está feito.

Como nunca chegaremos a experimentar certos sonhos e aventuras imaginadas ontem, precisamos viver intensamente o hoje, pois a lembrança do hoje nos aliviará a dor, do que será impossível viver amanhã.

Este artigo está no site do autor:

www.joaoboscoleal.com.br

sábado, 26 de março de 2011

Quem inventou o cachorro vegetariano? (trecho)





A moda de negar carne a animais carnívoros mostra que a humanização (cada vez maior) dos bichos domésticos não tem limites – e pode prejudicá-los


Rodrigo Turrer, Humberto Maia Junior e Marcelo Moura

Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 26 de março de 2011.


Assinantes têm acesso à íntegra no Saiba mais no final da página.


Cachorros e homens vivem juntos há pelo menos 12 mil anos, numa relação contínua que se revelou benéfica para as duas espécies. Sem a proteção do homem, dificilmente o cão teria chegado aos dias atuais. Não era um predador de sucesso. Mas revelou-se brilhante no poder de transmitir conforto e confiança aos seres humanos – e de acompanhar as mudanças de seus hábitos e valores. O bicho ganhou um papel afetivo que antes era desempenhado por parentes e vizinhos. Agora, o poder de adaptação dos cachorros está novamente em teste. Pessoas que não querem comer carne – por implicar a morte de um outro ser vivo – estão impondo a seus cães domésticos dietas vegetarianas ou veganas, ainda mais radicais. Os veganos não comem nenhuma espécie de proteína de origem animal, como leite. Aplicar esses valores aos animais de estimação representa, para muitos, uma manifestação de respeito. Mas obrigar cães e gatos a viver de vegetais e passar o dia sozinhos dentro de apartamentos representa uma prova de carinho?


A treinadora de animais Ana Aleirbag, de 22 anos, não come um único pedaço de carne desde 2007. Nem ela nem seus seis cães. Ana estendeu aos bichos de estimação a dieta vegetariana que adotou para si mesma, na mesma época. “Era incoerente eu não comer carne e dar uma ração com restos de cadáveres para minha melhor amiga”, diz, referindo-se a Fly, uma cadela da raça border collie de 5 anos. “Consultei o veterinário, planejei a transição alimentar e nenhum deles estranhou a mudança.” Eles obviamente não teriam meios de se queixar, mas é provável que adoecessem se a troca de dieta fosse muito nociva. Ana serve uma porção de ração vegetariana misturada a frutas. Em horário alternado, dá leite de vaca, iogurtes e queijo branco – fontes de cálcio e proteína animal.

O desenvolvedor de software curitibano Anderson dos Santos, de 27 anos, foi além. Impôs a sua vira-lata Cindy uma alimentação vegana – ou seja, inteiramente à base de vegetais, sem nenhuma proteína de origem animal. “Não tinha cabimento causar sofrimento a um bicho para alimentar outro”, diz Santos. Isso foi há cinco anos. Hoje tem outros dois cães veganos. Para propagar a filosofia, traduziu para o português o livro Cães veganos: nutrição com compaixão, do veterinário e pesquisador James O’Heare. “Hoje, eu mesmo fabrico a ração caseira com suplementos de cálcio, vitamina B12 e zinco”, afirma Santos. O mais famoso cão vegano do mundo foi a cadela Bramble. Quando morreu, em 2003, ela somava 27 anos e 11 meses de vida – o terceiro cão mais longevo registrado pelo Guinness book. Alimentava-se de uma pasta com arroz integral, lentilhas e vegetais orgânicos. Sua dona, a inglesa Anne Heritage, de 52 anos, é vegana radi-cal. “Ela viveu feliz”, disse na ocasião da morte.


Mas, esperem um pouco – não há algo de estranho nessa aparente normalidade? Cães pertencem, por definição, à ordem dos carnívoros – junto com os felinos. O poodle cheiroso que dorme no sofá da sala é geneticamente da mesma espécie do lobo selvagem, que se alimenta de carne. Aquilo que se chama erroneamente de Canis lupus familiaris, o cão doméstico, é uma invenção humana sem correspondência exata na natureza. Cientificamente, só há o Canis lupus, que se apresenta em vários formatos. Todos eles são carnívoros. Transformá-los em onívoros como nós, criaturas que comem de tudo, foi o primeiro passo da humanização alimentar desses animais. Torná-los vegetarianos, e, agora, veganos, apenas aprofunda o fenômeno conhecido como antropomorfização – a compulsão de imputar atitudes e sentimentos humanos ao que nos cerca no mundo natural. No passado, fizemos isso criando deuses com características humanas. Agora, humanizamos os cachorros.

26/03/2011 - 08:30 - Atualizado em 26/03/2011 - 09:20

Fonte: Revista Época – clique aqui para conferir


sexta-feira, 25 de março de 2011

As escolhas e o futuro de cada um - João Bosco LeaL


Por João Bosco Leal

artigos@joaoboscoleal.com.br

Um texto, que na internet é atribuído como de autoria de Pedro Bial , diz “Nós somos a soma de nossas decisões”, e “Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar ‘minha vida’ “.


Sem me interessar pela capacidade filosófica ou não do autor, confesso que poucas vezes vi tanta realidade resumida em um texto tão curto. O texto discorre sobre diversos escolhas de nossas vidas, como ser ou não casado, solteiro, pai, as mudanças ocorridas em nossas vidas, e que a estrada é longa e o tempo curto.


Li, também na internet, muitas discussões e debates sobre o texto, como o de Mariana Camargo, que em seu blog Je vais te dire un secret… , diz sobre o texto: “Acho que de certa maneira aprendi o preço da ansiedade em minhas escolhas e atitudes. Por isso enquanto o passado e o futuro medem forças, eu vivo o presente… mas ciente de que ao fazer uma escolha, estou descartando outra! Todas as opções são válidas, desde que eu esteja disposta a pagar um preço por elas. Claro que como uma boa pisciana, decido muitas coisas intuitivamente. Assumo as consequências e se tiver que voltar atrás, faço de cabeça”


Interessante que em todos os debates, críticas e opiniões que li sobre o texto, ninguém discorda de seu eixo principal, de que ninguém, além de você mesmo, é responsável por sua vida passada, atual e futura. Isso é muito forte, porque contraria totalmente aqueles que sempre procuram culpados por seu erros e fracassos.


Em uma conversa dia desses falava exatamente sobre pessoas que não conseguem enfrentar os resultados provocados por suas ações, decisões. Estão sempre buscando alguém em que possa colocar a culpa de seu erro, muita vezes totalmente previsível, que seria facilmente evitado se tivesse tido a humildade de simplesmente perguntar a alguém o que achava, antes de agir.


Milhares de pessoas já passaram na vida por experiências semelhantes, ou até idênticas, ao que estaríamos pretendendo fazer, e nos dariam, com o maior prazer, e sem custo algum, informações sobre o que, como e quando fizeram algo, e o resultado obtido, seja em qual área for.


Mas a arrogância de muitas pessoas as impede de perguntar algo que, para outros, talvez fosse um assunto corriqueiro, pelo qual já passou, e provavelmente poderiam ajudar, orientar. São aqueles que normalmente pensam sabem de tudo, sobre tudo e, mesmo sem as experiências vividas pelos outros, sem haver aprendido, estão sempre querendo ensinar.


Pessoas assim erram bastante e sofrem muito, além de fazer sofrer os seus, mas dificilmente aprendem, pois sempre procuram colocar a culpa de seus erros e fracassos em outro e, assim, não se enxergam como culpados por nada, são sempre vítimas de um erro, de uma incapacidade alheia, que o prejudicou e, pior, quase sempre também entendem que isso foi proposital.


E existem, aos milhares, os pais que sempre estão prontos para acudir, resolver, ou buscar soluções para os problemas criados e as consequências agora enfrentadas por seus filhinhos piorando a situação, atrapalhando, ao invés de ajudar, o crescimento, o amadurecimento do filho que, com os pais sempre socorrendo, continuarão sendo irresponsáveis em suas escolhas.


Existem muitos ditados, citações e exemplos de que é caindo que se aprende a levantar, mas na imensa maioria dessas vezes, a queda poderia ter sido evitada, com informações obtidas de quem já passou por aquela estrada, e sabe exatamente onde existe um buraco, um atoleiro, e qual desvio tomar.


21 de março de 2011 por João Bosco Leal Veja os comentários » Total caracteres: 3738

Publicado por: Liberdade ; Pedro da Veiga

Fonte: Blog do João Bosco Leal – clique aqui para conferir