Ah, você tem este livro! Empresta?! Por Jamil Salloum Jr.
Ela
entra minha casa e logo os vê. É uma das primeiras coisas que enxerga.
- Ah, posso dar uma olhadinha?
Um leve tremor perpassa meu ser.
- Claro, fique à vontade!
Ela, a visita, se precipita, então, para a estante dos livros. Prevejo a
catástrofe.
- Ah, você tem este livro! Empresta?!
Impacto. O mundo gira, aperto as mãos nervosamente,
sapateio de leve. Uma imagem de ciclone de livros me envolve, guinchando por
socorro.
Não sei o que fazer. Egoísmo ou altruísmo,
eis a questão. - Claro, pode levar e não se preocupe!
Ela leva o livro. Eu o vejo ir. E ele não volta.
Nunca.
------ . ------ Face à desditosa experiência supra, tantas vezes
vivida, e que ceifou parte da minha biblioteca (sempre fui mão aberta),
elaborei algumas contramedidas que podem ser aplicadas, e ainda em estudo.
a) Registrar nome, endereço, telefone e-mail do
solicitante, mais título da obra (já tentado e ineficiente. Indeferido.)
b) Inverter todos os livros na estante, deixando o
refilo (miolo) à mostra, ao invés da lombada. Teoria: não se visualizando os
títulos, diminui-se a curiosidade. (em teste)
c) Acrescentar em cada livro um chip rastreador,
com a propriedade de desferir à distância descargas elétricas punitivas no
leitor, como castigo para não-devolução. (interessante)
d) Dispor a biblioteca em um bunker secreto no
subsolo, com entrada mediante leitura ótica de retina. (a ser considerado)
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