segunda-feira, 6 de maio de 2013

MARÍLIA E DIRCEU OU COMO A POLÍTICA DESTRUIU UM GRANDE AMOR







Por Humberto Pinho da Silva



Das obras divulgadas no inicio do séc. XX, destaca-se, no Brasil, o “Tesouro da Juventude”. Enciclopédia juvenil que serviu de base à educação dos nossos avós.

Ora no vol. X, ao abordar a “ Inconfidência Mineira”, declara: Nunca mais (o poeta) tornou a ver sua Marília. Triste sempre, era assaltado às vezes por acessos de fúria. Chorava, gritava, maltratava-se, feria-se com as unhas e com os dentes. Enlouquecera. Pouco tempo viveu depois da sua desgraça, e foi enterrado na Sé de Moçambique.

Os nossos avós e pais viveram e morreram convencidos dessa verdade. Imaginavam que o poeta, nascido em Portugal, falecera em aridas terras africanas, choroso e suspirando pela menina que conhecera em Minas. Puro engano!

Tomaz Gonzaga esteve desterrado em Moçambique e, ano depois de ter chegado, casou com D. Juliana de Sousa Mascarenhas, filha de mercadores de escravos.

Do enlace nasceram dois filhos – Ana e Alexandre Mascarenhas Gonzaga.

Advogou, enriqueceu, vindo a morrer em 1810 como Juiz de Alfandega de Moçambique.

E Marília?! Que foi feito da menina de quinze anos que se apaixonou pelo homem que tinha quase o dobro da sua idade?

Não há informações precisas, mas sabe-se é que após o poeta haver partido para Moçambique, Maria Doroteia (Marília) foi clandestina a África e encontrou-se com (Dirceu) Tomaz Gonzaga. Ficou grávida. Enfrentou preconceitos da época e veio a falecer de ataque cardíaco aos 88 anos, fiel ao primeiro e único amor.

E que destino teve o filho dos apaixonados - se realmente houve filho, - do encontro africano? Desconheço. Apenas posso esclarecer que Maria Doroteia faleceu em 1853 e está sepultada em Ouro Preto. Em 21 de Abril de 1955 foi transladada para o Museu da Inconfidência.

Só “Marília” foi fiel, o que não admira, pois “Dirceu” tinha já um filho de senhora chamada Laura, e “Marília” veio a sofrer imenso ao descobrir essa paixão clandestina.

Desses amores, entre Dirceu e Marília ficaram-nos belas e românticas “liras” dedicadas a “Marília” - Maria Dorothea Joaquina de Seixas Brandão.




Igreja onde foi baptizado Tomaz Gonzaga (Miragaia - Porto) - Desenho a bico de pena por Pinho da Silva (pai do autor)




Tomaz Gonzaga nasceu em Miragaia, Porto, a 11 de Agosto de 1744, filho de João Bernardo Gonzaga e Tomásia Isabel Clarque Gonzaga.

Ano depois morre-lhe a mãe. O pai contrai segundas núpcias e embarca para Pernambuco com o filho – tinha 7 anos.

Estuda em S. Salvador, no Colégio dos Jesuítas e recebe lições de Manuel Maciel.

Com 17 anos, em 1762, matricula-se na Universidade de Coimbra. Concluído o curso é nomeado Juiz de Fora, em Beja; quatro anos depois ocupa o cargo de Ouvidor dos Defuntos e Ausentes em Vila Rica (Ouro Preto). Nessa cidade conhece Marília (Maria Doroteia). Apesar da oposição da família da noiva, marcam casamento para 1789. Tomaz era Desembargador da Relação da Baia.

Desentendimentos com Cunha Menezes (Governador) e amizade com os “inconfidentes” levaram-no à prisão, na Fortaleza da Ilha das Cobras. Confiscam-lhe os bens e desterram-no para Moçambique, onde faleceu.

Daqui se infere, inequivocamente, que “Marília” amava realmente o poeta e dedicou-se de alma e coração ao seu grande e único amor. Já de “Dirceu”…. há duvidas….muitas duvidas.

Será que Tomaz Gonzaga, apesar de estar matrimoniado em Moçambique, manteve – em segredo, – a paixão por Maria Doroteia, a menina de Ouro Preto?

Quem pode responder?








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