sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Dinheiro público para a revolução social - Por Gregorio Vivanco Lopes (*)










É grande a rejeição que o MST vem encontrando por parte dos trabalhadores rurais, quando se trata de doutriná-los para formar o “exército de Stédile” (na expressão de Lula), com vistas a produzir levantes em favor da revolução social marxista.
Nem mesmo os ventos fortemente soprados de Roma em favor do líder do MST foram capazes de arrastar nossos meritórios e sagazes homens do campo. Sempre há os oportunistas, à procura de obter vantagens, mas deixar-se levar por sectarismos anticapitalistas é outra questão bem diferente.
Na procura de alternativas para esse impasse, a esquerda tem lançado com “bombos y platillos” — como dizem pitorescamente nossos vizinhos hispano-americanos — ou seja, com grande estardalhaço, uma espécie de MST urbano, visando criar nas cidades a agitação que não encontra eco no campo.
O novo factoide atende pela sigla MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e, como seu símile interiorano, não quer ter personalidade jurídica. Assim, ele pode mais facilmente receber dos governos, através de associações interpostas, os milhões de reais que enchem suas arcas, sem necessidade de prestar contas a ninguém.
Seu líder máximo, tirado de um dia para outro da cartola e elevado pela propaganda midiática do anonimato aos galarins da publicidade, chama-se Guilherme Boulos.
A respeito desse conjunto artificial, mas perigoso pelos apoios de que goza em altas esferas eclesiásticas e leigas, o diário “O Estado de S. Paulo” apresenta, em editorial de 2 de dezembro último, alguns dados interessantes que vale a pena considerar.
*    *    *
Desde que o PT chegou ao governo federal, o poder público vem financiando “movimentos sociais”, sempre prontos para tumultuar o cotidiano dos brasileiros e o funcionamento das instituições.

Nascido no fim dos anos 1990 a partir das fileiras do MST, o MTST visa “formar militantes e acumular forças no sentido de construir uma nova sociedade”, segundo o site da organização.

Só a Associação de Moradores do Acampamento Esperança de Um Novo Milênio, vinculada ao MTST, recebeu mais de R$ 81 milhões do “Programa Minha Casa, Minha Vida — Entidades” no estado de São Paulo, o equivalente a quase cinco vezes mais que a segunda colocada entre as entidades beneficiadas pelo programa federal. Na lista aparece ainda o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra Leste 1, com repasses de quase R$ 8 milhões.

Trata-se, pois, de um movimento “obviamente financiado pelo Estado para solapar e, se possível, derrubar os alicerces democráticos desse mesmo Estado”, diz o editorial. Ora, não cabe ao Estado, com o dinheiro dos impostos, “financiar movimentos que atuam fora da lei”.

O MTST prega, por exemplo, a “luta contra o capital e o Estado que representa os interesses capitalistas” e diz abertamente que uma de suas formas prediletas de atuação é o bloqueio de rodovias.

O que tem esse bloqueio a ver com proporcionar teto a quem não o possui? Absolutamente nada. Mas tem muito a ver com a revolução marxista mundial. E o MTST não o esconde: “Ao bloquearmos uma via importante estamos gerando um imenso prejuízo aos capitalistas. [...] Imaginem todas as principais vias paradas! E paradas não por horas, mas por dias! Conseguiríamos impor uma grande derrota ao capital e avançar na transformação que queremos. Este é um grande objetivo do MTST”.

O movimento de Boulos acrescentou a suas formas de atuação, também a invasão de escolas, tendo coordenado algumas das invasões de escolas estaduais ocorridas em dezembro último.

Se tivermos em vista os apoios eclesiásticos e civis em prol da constituição de uma rede de movimentos ditos “sociais” — MTST, MST, Excluídos, CIMI (junto aos índios) etc. — todos empenhados em doutrinar a população pobre, a fim de engajá-la na revolução social anticatólica, compreenderemos melhor para onde querem que rume o Brasil.

(*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM




Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A borracha e os incompetentes e ladrões - Por João Bosco Leal (*)

 

 

Desde seu descobrimento, o Brasil passou por diversos ciclos, como o do pau-brasil, do açúcar, do café, do algodão, do cacau e o da borracha, cujo leite, extraído de uma árvore, proporcionou muitas descobertas e aumentou muito as possibilidades de sua utilização pelos seres humanos.

Só depois de todo esse processo de aprendizagem e do surgimento da possibilidade de lucros com sua colheita é que surgiram as pequenas trilhas nas matas virgens utilizadas pelos seringueiros em busca de árvores que já produzissem, como as ainda existentes no Acre e não Amazonas.

Da utilização dessas trilhas surgiram diversas outras aprendizagens, como a de que o homem, quando caminhando por uma delas encontrava uma pequena nascente ou mesmo um leito d'água. Os que nelas paravam para saciar sua sede aprenderam que jamais poderiam, nessa ocasião, aproveitar sua parada para também urinar próximo daquela nascente, pois nossa urina contém sal e logo o local estaria sendo pisoteado por animais selvagens que ali viriam em busca desse sal e, com seu pisoteio, acabariam com a nascente, impedindo assim, que o próximo que ali passasse pudesse daquela água beber.

Mas aprendizados que só são extraídos pela convivência direta com a natureza, como este, levaram décadas, séculos para serem do conhecimento humano e, ainda assim, somente daqueles que com esses locais convivem e, até hoje, novas utilizações para a borracha extraída daquela seringueira são descobertas, seja utilizando-a pura ou misturada a outros produtos.

Por isso, pela utilização cada vez maior desse produto e diante das dificuldades e riscos da colheita na natureza - com árvores distantes umas das outras e a consequente baixa produção e lucratividade -, os homens passaram a plantar as serigueiras em áreas contínuas, como uma lavoura de grãos, buscando uma maior produção para o fornecimento a grandes indústrias de pneus e outros produtos.

O que ocorreu com a borracha é o que ocorre com todas as descobertas realizadas pelos seres humanos. Assim que descobrem uma utilização para aquele novo produto ou objeto, buscam um modo de expandir sua produção para que todos possam utilizá-lo e, assim, possa ser comercialmente explorado.

A exploração comerrcial de qualquer produto gera empregos, impostos e divisas para o país. Com seu salário aquele que obteve emprego fará novas aquisições, gerando novos empregos e mais impostos. A arrecadação de impostos possibilita ao governo criar escolas, hospitais, melhorando a saúde e o nível educacional e cultural da população que, mais preparada, terá mais idéias, criará mais comércio e indústrias, gerando ainda mais empregos, produção e impostos que, em excesso, poderá ser exportada e seus rendimentos possibilitarão a importação do que o país necessita por não produzir, ou por produzir em quantidade insuficiente.

Com a arrecadação, o governo precisa construir toda a infraestrutura necessária para continuar crescendo, como a maior geração de energia que permita aumentar ainda mais a produção e a criação de novos empregos, além de uma maior e melhor malha viária, que possibilite o transporte desse excedente de produção até os portos e aeroportos, para que seja exportado.


O raciocínio que trás do ciclo da borracha até o comércio exterior de um país, passando pela saúde e educação de seu povo, além da infraestrutura necessária para que este país continue crescendo me parece simples, mas pelo visto não é o que pensam os PeTistas, os Marxistas e Socialistas que tomaram o controle geral do país nos últimos treze anos, pois cada vez mais estamos piorando em todos estes setores.

Ou os brasileiros tiram do poder os incompetentes que estão saqueando e destruindo tudo o que já havia sido construído, ou em um período muito curto passaremos da oitava economia mundial, para um país de terceiro mundo.

João Bosco Leal*

*Jornalista, escritor e empresário

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

CRUZADAS EM TORNO DE PATMOS - Por Jacinto Flecha



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Na época longínqua em que me sobrava tempo para passatempos, transitei muito pelos labirintos de palavras cruzadas, enquanto meus colegas discutiam futebol. Seria mais condizente com a realidade afirmar que perdiam o tempo nessas discussões, tão intermináveis quanto inúteis e insuportáveis. O deles e o meu eram passatempos, mas estou interessado em saber qual dos dois proporcionava maior progresso cultural. Fazendo uma avaliação retrospectiva lá e cá, devo concluir que o resultado pesa largamente em favor das minhas opções. Não me refiro a desproporções tipo gigante versus pigmeus, estou apenas aludindo à qualidade do que uns e outros aprendemos. Com um pequeno exemplo, estou certo de remover também as suas dúvidas.

         Apenas para assegurar que você e eu estamos percorrendo os mesmos caminhos, lembro-lhe que em palavras cruzadas você anota primeiro as palavras “fáceis”, ou seja, as que você conhece bem e cabem no espaço correspondente. Concluída esta primeira fase nas horizontais, depois nas verticais (estas já ficaram facilitadas), sobram palavras incompletas, com porcentagem maior ou menor de letras preenchidas. Você reexamina então os enunciados das palavras incompletas, tentando completá-las. Na terceira fase, geralmente sobram poucas palavras, às quais você dedicará maior esforço. Geralmente são palavras desconhecidas, ou os dados conhecidos não permitem arriscar. Vamos a um exemplo, com o qual já entro no meu tema de hoje.

         Para a última fase, sobrou a palavra correspondente ao enunciado ilha grega, na situação seguinte: PA_ _OS. Se você desconhece nomes das milhares de ilhas gregas, nem se preocupou com a palavra na primeira fase. Já na situação atual, as duas letras faltantes podem estar entre 529 duplas possíveis com as 23 letras do alfabeto. Se você sabe, por exemplo, que São João Evangelista escreveu o Apocalipse na ilha de PATMOS, estará resolvido o seu passatempo do dia, embora seja sempre possível outra ilha desconhecida (para mim, pelo menos) com letras diferentes de TM.

         O grau de facilidade para alcançar a solução pode variar muito, em função da cultura adquirida. Quando o esforço cultural se limitou a assuntos importantíssimos – por exemplo, os dribles e gols futebolísticos do momento, as celebridades musicais fabricadas pela mídia, os profundos temas filosóficos dos botequins e novelas, as piadas de pocilga – o tempo para resolver as cruzadas terá proporção com o que não foi dedicado à verdadeira cultura.

Esse confinamento “cultural” me faz lembrar um conto de Malba Tahan sobre o sábio da efelogia. Era um ex-prisioneiro político que encontrara na cela um único exemplar de enciclopédia, correspondente à letra F. Sobrava-lhe tempo, e dedicou grande parte dele a ler e reler esse volume. Depois de cumprir a pena e refazer amigos, exibia sua cultura “vastíssima”, no entanto limitada a palavras raras sobre as quais dissertava; e cuja inicial era sempre F. Há sumidades assim, limitadas ao F de futebol; e ao silêncio forçado e envergonhado, quando o assunto é outro.

         Patmos é uma ilha pequena do Mar Egeu, de pouca importância cultural e econômica. Sua importância resulta de ter vivido lá São João Evangelista, exilado após sair milagrosamente vivo e ileso de uma caldeira com óleo fervente. Dedicou ali parte do seu tempo livre para redigir o Apocalipse. Só este fato já me basta para venerar à distância essa ilha.Veja bem que não falta importância histórica e cultural em ilhas gregas maiores ou menores. Por exemplo, nosso vocabulário é abundante em referências a algumas dessas ilhas ou suas cidades: Lacônico (Lacônia), espartano (Esparta), beócio (Beócia), arcádia (Arcádia), lésbico (Lesbos), cretino (Creta), sibarita (Síbaris), Rodes (Colosso), coríntio, Corinthians (Corinto, viu!?). Uma cidade por lá se chama Jacinto, mas é melhor você e eu não nos preocuparmos com ela...

         Não vou insistir nas minhas avaliações sobre discussões futebolísticas, já bem definidas e definitivas, mas quero avaliar se as palavras cruzadas influem na formação cultural de uma pessoa. Sempre me foi ensinado que esse passatempo é instrutivo. Mas se eu tomo um exemplo como esse de Patmos, devo pelo menos rebaixar alguns graus na sua utilidade. De fato eu consigo completar a palavra, quando ela aparece nas cruzadas. Mas terá havido algum acréscimo de conhecimento real e valioso à minha cultura, depois que consegui formá-la com segurança? Basta eu saber que existe uma ilha grega com esse nome? É claro que serviu-me para rememorar uma palavra meio perdida nos labirintos da memória, mas eu já conhecia a palavra e algo mais sobre ela, tanto que pude incluir com segurança as duas letras faltantes. O conhecimento veio antes de resolver o problema, não veio por tê-lo resolvido.

         Mais um detalhe importante. Quando completo todas as palavras, limito-me a declarar vitória. Salvo em casos muito excepcionais, não procuro esclarecimento adicional sobre palavras desconhecidas que surgiram, e o próprio passatempo não me fornece mais dados. Basta isso para dizer que aprendi mais algumas palavras? Não me parece, pois a verdadeira cultura vai muito além disso.

         Outros aspectos remetem a considerações sobre a moderna tecnologia da informação, mas o limite de espaço me leva a adiá-las para uma próxima crônica.

(*) Jacinto Flecha é médico e colaborador da Abim














Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)



quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

Uma análise das mazelas humanas, observadas dos exercícios das minhas profissões.















Luiz Carlos Nogueira











Hoje eu estava desmanchando papéis, velhos documentos que consistiram de análises contábeis, orientações e pareceres jurídicos, etc. que precisavam ser destruídos por consequência da minha aposentadoria, depois de transcorrido o tempo da minha responsabilidade legal em face dos seus conteúdos.

A destruição desses documentos teria que ser feita por incineração, ou por meio de um triturador. A incineração traz o inconveniente da fumaça que produz e o uso do triturador exige a retirada de grampos, clipes, o que torna a operação um pouco mais difícil, até pela quantidade pequena que o triturador pode suportar. Por conta disso imaginei que se usasse um tambor com água (com tampa, para evitar a ação dos mosquitos), no qual coloquei os documentos retirados das pastas de arquivos, sem ter que separá-los para guardar ainda alguns outros pela ordem de importância, já que o prazo transcorrido me deu essa condição, ou seja, para destruí-los todos, por lotes e de uma só vez.

Durante o processo de destruição desses papéis, meus pensamentos me remeteram ao passado, e me dei conta das várias situações nas quais estive frente às questões das torpezas humanas, ou seja, no tempo em que fui bancário, contador, auditor contábil e advogado, quase não me lembrei das raríssimas vezes em que fui procurado por um cliente ou mesmo por um dono de empresa, para obter minhas orientações de como fazer determinada coisa, corretamente e dentro do que prescrevia as legislações pertinentes. A maioria das vezes, pretendiam que eu procedesse de forma não recomendável, ou tentavam obter algum parecer, alguma orientação que no íntimo sabiam que eram erradas, mas que se eventualmente eu sinalizasse alguma possibilidade de fazê-las ou executá-las, com risco de serem descobertas futuramente, o que sempre um dia isso acontece, invocariam a isenção da sua culpa sob o argumento que só fizeram ou procederam dessa ou daquela forma, porque desconhecendo a legalidade ou o procedimento correto, obtiveram a minha orientação e meu aval profissional.

Numa ocasião em que eu era contador geral de uma empresa, que foi vendida e o seu novo presidente chamou-me para fazer uma alteração nos seus registros contábeis, que no futuro trariam consequências graves, porque não havia como não aparecer perante o fisco e a bolsa de valores — tive que me demitir no mesmo momento.

Outras vezes, eu acabava discutindo e rejeitando severamente algumas práticas que seriam forçosamente descobertas pelas auditorias,  nos cruzamentos de informações e de dados, embora isso fosse menos mau do que se fossem detectadas pelo fisco. Quando isso acontecia, era motivo de minha preocupação, dormia mal com receio de ser demitido, pois tinha família para sustentar e com filhos cursando faculdades.


Com este artigo, não quero assumir ares de suprema honestidade, mas apenas dizer que os profissionais de quaisquer áreas, podem (e devem) fazer uma opção de como procederem na vida — qual seja, de não trabalharem deliberadamente de forma errada ou fora das normas profissionais ou legais. Essa escolha não facilitará suas vidas, pelo contrário, poderá até dificultá-las para ganhar dinheiro fácil, porém, jamais sofrerão condenações em processos como estamos assistindo acontecer no Brasil, dos: mensalões, petrolões, eletrolões, beenedeezões e todos os demais “ões” do mesmo gênero criminoso.


E é oportuno citar as palavras de Hannah Arendt[i], que nos dá, na realidade, a entender que as investidas humanas na tentativa de obter proveito próprio, traz ínsitamente a busca pelo poder que corrompe : “O poder corrompe, de fato, quando os fracos se unem para destruir o forte, mas não antes. A vontade de poder, denunciada ou glorificada pelos pensadores modernos de Hobbes a Nietzsche, longe de ser uma característica do forte, é, como a cobiça e a inveja, um dos vícios do fraco, talvez o seu mais perigoso vício.”

Assim, a busca de sempre obter vantagens, por pequenas que sejam, conduz o ser humano à procura de poder, especialmente na política. E se eventualmente um indivíduo que cultiva essa natureza, consegue galgar o governo de um país, e depois começa a promover atos que destroem sua credibilidade e causam insegurança ou medo na população, acaba se isolando e tronando-se um tiranete, que só consegue promover a destruição desse país, porquanto faz de tudo para aumentar seu poder e se manter nele a qualquer custo, não importando como e nem com o quê.

Aliás, esse tipo de político que exerce a tirania, penso eu, que na verdade trata-se de psicopata, como bem descreve Andrew Lobaczewski[ii] em seu livro “Ponerologia: Psicopatas no Poder, do qual extraí do texto a seguir, contido no  prefácio do prof. Olavo de Carvalho:

“[...] alguns estudantes de medicina na Polônia, na Hungria e na Checoslováquia começaram a notar que havia algo de muito estranho no ar. Eles haviam lutado na resistência antinazista junto com seus colegas, e isto havia consolidado laços de amizade e solidariedade que, esperavam, durariam para sempre. Aos poucos, após a instauração do regime comunista, novos professores e funcionários, enviados pelos governantes, estavam alterando profundamente o ambiente moral nas universidades daqueles países. Um jovem psiquiatra escreveu:

(…) sentíamos que algo estranho tinha invadido nossas mentes e algo valioso estava se esvaindo de forma irreparável. O mundo da realidade psicológica e dos valores morais parecia suspenso em um nevoeiro gelado. Nosso sentimento humano e nossa solidariedade estudantil perderam seus significados, como também aconteceu com o patriotismo e nossos velhos critérios estabelecidos. Então, nos perguntamos uns aos outros, “isso está acontecendo com você também?”.


Impossibilitados de reagir, eles começaram a trocar ideias, perguntando como poderiam se defender da devastação psicológica geral. Aos poucos essas conversações evoluíram para o plano de um estudo psiquiátrico da elite dirigente comunista e da sua influência psíquica sobre a população.

O estudo prosseguiu em segredo, durante décadas, sem poder jamais ser publicado. Aos poucos os membros da equipe foram envelhecendo e morrendo (nem sempre de causas naturais), até que o último deles, o psiquiatra polonês Andrej (Andrew) Lobaczewski (1921-2007), reuniu as notas de seus colegas e compôs o livro que veio a sair pela primeira vez no Canadá, em 2006, e que agora a Vide Editorial, de Campinas, está a publicar em tradução  brasileira de Adelice Godoy: “Ponerologia: Psicopatas no Poder”, do qual extraí o parágrafo acima.

“Poneros”, em grego, significa “o mal”. O mal, porque o traço dominante no caráter dos novos dirigentes, que davam o modelo de conduta para o resto da sociedade, era inequivocamente a psicopatia. O psicopata não é um psicótico, um doente mental. Só lhe falta uma coisa: os sentimentos morais, especialmente a compaixão e a culpa. Não que ele desconheça esses sentimentos. Conhece-os perfeitamente, mas os vivencia de maneira puramente intelectual, como informações a ser usadas, sem participação pessoal e íntima. Quanto maior a sua frieza moral, maior a sua habilidade de manipular as emoções dos outros, usando-as para os seus próprios fins, que, nessas condições, só podem ser malignos e criminosos. Justamente porque não sentem compaixão nem culpa, os psicopatas sabem despertá-las nos outros como quem toca um piano e produz o acorde que lhe convém.

Não é preciso nenhum estudo especial para saber que, invariavelmente, o discurso comunista, pró-comunista ou esquerdista é cem por cento baseado na exploração da compaixão e da culpa. Isso é da experiência comum.

Mas o que o dr. Lobaczewski e seus colaboradores descobriram foi muito além desse ponto. Eles descobriram, em primeiro lugar, que só uma classe de psicopatas tem a agressividade mental suficiente para se impor a toda uma sociedade por esses meios. Segundo: descobriram que, quando os psicopatas dominam, a insensitividade moral se espalha por toda a sociedade, roendo o tecido das relações humanas e fazendo da vida um inferno. Terceiro: descobriram que isso acontece não porque a psicopatia seja contagiosa, mas porque aquelas mentes menos ativas que, meio às tontas, vão se adaptando às novas regras e valores, se tornam presas de uma sintomatologia claramente histérica, ou histeriforme. O histérico não diz o que sente, mas passa a sentir aquilo que disse – e, na medida em que aquilo que disse é a cópia de fórmulas prontas espalhadas na atmosfera como gases onipresentes, qualquer empenho de chamá-lo de volta às suas percepções reais abala de tal modo a sua segurança psicológica emprestada, que acaba sendo recebido como uma ameaça, uma agressão, um insulto.

É assim que um grupo relativamente pequeno de líderes  psicopáticos  destrói a alma de uma nação.”























[i] Arendt, Hannah, A Condição Humana; traduzido de : The Human Condition, por  Roberto Raposo, 10ª Ed.- Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005. Pág. 215.

[ii] Lobaczewski, Andrew,  Ponerologia: Psicopatas no Poder ; tradução de Adelice Godoy – Campinas, SP: Vide Editorial, 2014. Págs. 6-7.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Barnabé, o crédulo - Por Gregório Vivanco Lopes



07-12-2015



Barnabé, o crédulo

Gregorio Vivanco Lopes  




Sempre apreciei muito o Barnabé. É fora de dúvida que ele tem qualidades. É reto, despretensioso, de trato agradável. Mas o coitado tem um defeito incorrigível, tão incorrigível que acabou por fazê-lo ficar de miolo mole.

O defeito do Barnabé é que ele acredita piamente em tudo quanto dizem os intelectuais da última moda, aos quais uma literatura pseudo-filosófica e certos cadernos da mídia concedem grande audiência. E o mais triste é que o pobre Barnabé procura seriamente aplicar na vida concreta as fantasias elucubradas por esse gênero de sonhadores utópicos que a esquerda costuma produzir a rodo.

A última enrascada em que Barnabé se meteu foi acreditar que os animais têm direitos iguais aos dos homens. Mais ainda, que os animais são iguais aos homens. Eu não sei em que leituras ele se meteu, nem que palestras ouviu, mas o certo é que ficou convencido da propalada igualdade. E, como é seu vezo, logo se aplicou em transferir para a prática a utopia mirabolante.
Para cúmulo dos males, ele tinha um cachorro de estimação, um fox terrier branco e engraçadinho, que atendia pelo nome de Pimpão. Não é que o pobre Barnabé concedeu estatuto de igualdade ao Pimpão!

Às refeições, lá estava a cadeira do cãozinho, que deveria sentar-se educadamente, com o guardanapo ao pescoço, tendo à sua frente o prato e os talheres. Na hora de dormir, o Pimpão tinha seu quarto e sua cama, com lençóis limpos e um cobertor de reserva para o caso de esfriar à noite. Uma pia bem baixa, com lugar para o sabonete e a escova de dentes, foi especialmente encomendada.

Tudo estava perfeito, e Barnabé contentíssimo. Mas a dificuldade surgiu: o terrier não se compenetrava de que era igual aos homens e não agia de acordo com a etiqueta. Aí começaram as agruras do Barnabé: como fazer para tornar eficaz essa igualdade com um cabeçudo como o Pimpão, que timbrava em agir como cachorro, e não como homem?

Barnabé começou então a dar tratos à bola em busca de uma saída para um problema tão inesperado. Ele era inteligente, não propriamente intuitivo, muito menos esperto, mas raciocinante.

Foi então –– em meio a essas sessões escaldantes de raciocínio apertado, em que o cérebro fervia de tanto trabalhar –– que a solução pulou de dentro da cabeça de Barnabé, como lançada por uma mola. Nem o estalo de Vieira pode-se comparar a tanta lucidez repentina:

— Eureka! Achei! Pimpão e eu somos iguais. Se ele não quer se portar como um igual em relação a mim, eu vou me portar como um igual em relação a ele.

E eis o pobre Barnabé andando de quatro, comendo no prato de ferro do terrier, forçando sua coluna vertebral para caber dentro da casinha do cachorro; e –– coitado! –– latindo quando alguém se aproximava.

     A última vez que o visitei no manicômio, os médicos me asseguraram que a situação dele é reversível, e que ele tem cura. É questão de tempo, e sobretudo de não permitir mais que ele leia qualquer literatura pseudo-filosófica ou as seções “culturais” de certa mídia.

(*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM
  




Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Brasil, uma nova Venezuela - Por João Bosco Leal*


A educação de um povo é, certamente, a única maneira de fazer com que um país cresça social, política e economicamente.
Um dos exemplos mais recentes é o da Coréia do Sul, que na década de 60, apenas 50 anos atrás, era um país atrasado e economicamente insignificante, mas resolveu investir maciçamente na educação de seu povo e o resultado é que, atualmente, é um dos maiores exportadores de veículos e de produtos eletrônicos do mundo.
Em contrapartida, vemos países com regimes autoritários, dirigidos por pessoas que fazem de tudo para se manter no poder e normalmente saqueiam sua nação em proveito próprio e dos seus, deixando o povo sem saúde, segurança e, principalmente, sem educação para que, sem cultura, continuem se satisfazendo com o muito pouco que estes governos lhes fornecem.
Recebendo educação, a população vai cada vez mais entendendo essas diferenças e passa a escolher melhor, tanto o regime político a que querem se submeter como também seus mandatários, democraticamente eleitos pelo povo.
É com a educação que nossas mentes vão se abrindo para novas experiências, e começamos a enxergar o que existe à nossa volta e o que poderia existir, seja imaginando coisas ou observando as experiências de outras pessoas ou povos.
Com ela passamos a entender a necessidade de lutar contra as injustiças, sejam quais forem, pois ninguém será plenamente feliz enquanto milhões sofrem por motivos diversos. Em nosso próprio país, pessoas passam fome, sede, não possuem teto ou um agasalho, vivem sem acesso à educação e, por isso, se submetem a migalhas fornecidas por coronéis da política que nada mais querem do que sua permanência no poder.
É inacreditável como o brasileiro reclama do governo, dele espera tudo, mas não participa politicamente de nada, não se candidata a nenhum cargo, seja para o de líder de bairro ou de síndico do prédio. Sem a participação política - ao menos em protestos públicos sobre o que está reclamando - nada será mudado.
São os políticos que aí estão que fazem as leis, que anualmente votam o orçamento de quanto da arrecadação total do governo será gasto, no ano seguinte, em saúde, educação, habitação, infraestrutura, etc., e com seus salários, verbas de gabinetes, seus asseclas e suas mordomias.
Assim, sempre faltará dinheiro para a educação e saúde, mas haverá para a propaganda pessoal e para projetos espetaculares, de bilhões de dólares, financiados pelo BNDES, inclusive em outros países, desde que administrados por "companheiros" ideológicos dos que hoje estão no poder.
Como fazer de conta que tudo está bem se isso não é verdade? Como admitir que, depois de décadas de investimentos milionários, nossos irmãos nordestinos continuem sem água, se todos os estados da região possuem acesso ao mar e há anos a tecnologia de dessalinização da água é uma realidade e irriga milhões de hectares de terras em diversos países?
Em Cancún, conheci até uma fábrica de cerveja fabricada com a água do mar e toda a população lá existente, além dos mais de 6.000 turistas diários que visitam a ilha, só possuem essa água para beber e para sua higiene pessoal.
Sem ao menos a educação básica da população mais humilde e a politização da população mais instruída, continuaremos, por décadas, vendo estados como o Maranhão dominados por uma única família que, para ter se tornado milionária - e dessa forma se manter -, deixou sem cultura e na miséria toda a população de um estado.
Ou nos politizamos e elegemos somente verdadeiros patriotas ou, mais rápido do que se imagina, o Brasil será uma nova Venezuela.
 *Jornalista, escritor e empresário