quarta-feira, 16 de maio de 2012

O ARTHASHASTRA DE KAUTILYA










Luiz Carlos Nogueira






O Arthashastra é um tratado político da Índia, que se tornou um clássico, escrito em sânscrito, por volta dos anos 321 e 300 a.C,  cuja autoria se atribui ao estadista e filósofo daquele país — Kautilya (que viveu no século III a.C, ou 1.800 anos antes de Nicolau Maquiavél), também chamado Chankya ou Vishnugupta.  Segundo os especialistas, Kautilya significaria: tortuoso, perverso e foi tido como “o Maquiavél da Índia”, pois suas idéias antecipavam às do autor de “O Príncipe”.

Na verdade livro já foi traduzido com o título de "Manual sobre as Receitas Governamentais", e também como "Princípios da Política", que reúnem 150 capítulos, em quinze livros.

A obra apresenta uma visão de um Estado totalitário, que promovia as altas cobranças de impostos, exercendo acerba fiscalização a fim de obter a maior receita possível, para sustentar as altas remunerações do seu corpo de burocratas.

A referida obra foi traduzida e apresentada por Sérgio Bath, para a Editora Universidade de Brasília, copyright de 1994. Segundo esse tradutor, trata-se de: "um guia absolutamente prático e instrumental, que não teoriza nem desenvolve sobre premissas de filosofia política, mas ensina a organizar e a administrar a máquina estatal com notável frieza e objetividade".

Como nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida por qualquer meio, seja este eletrônico, mecânico, fotocópia ou qualquer outro tipo de gravação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora, limito-me apenas, a título de informação aos leitores interessados, indicar os títulos dos assuntos nela tratados:

  • Livro primeiro
    • Capítulo 4 - A finalidade das ciências produtivas e da punição
    • Capítulo 7 - Os limites dos sentidos
    • Capítulo 8 - A nomeação dos ministros
    • Capítulo 11 - A instituição de informantes
    • Capítulo 13 - A proteção dentro do próprio estado
    • Capítulo 15 - As sessões do conselho de estado
    • Capítulo 16 - A missão dos embaixadores
    • Capítulo 17 - A proteção dos príncipes
    • Capítulo 19 - Os deveres dos monarcas
    • Capítulo 20 - Os deveres dos soberanos com relação ao seu harém

  • Livro segundo
    • Capítulo 7 - O ofício do contador
    • Capítulo 8 - Descobrindo desvios de tributos por funcionários corruptos
    • Capítulo 9 - O exame da conduta dos servidores públicos
    • Capítulo 16-O superintendente do comércio
    • Capítulo 21-O superintendente aduaneiro
    • Capítulo 27 -O superintendente das prostitutas
    • Capítulo 31 -O superintendente dos elefantes

  • Livro terceiro
    • Capítulo 2 - O matrimônio e seus deveres. A propriedade da esposa e as compensações devidas
    • Capítulo 3 - Os deveres da esposa
    • Capítulo 18 - A difamação
    • Capítulo 19 - A agressão

  • Livro quarto
    • Capítulo 8 - O julgamento e a tortura necessária para obter uma confissão
    • Capítulo 11 - A pena capital, com ou sem tortura
    • Capítulo 12 - Relações sexuais com as meninas

  • Livro quinto
    • Capítulo 4 - A conduta do cortesão

  • Livro sétimo
    • Capítulo 9 - A aquisição de ouro ou de um amigo

  • Livro oitavo
    • Capítulo 2 - Considerações sobre as dificuldades enfrentadas pelo soberano e o seu reino

terça-feira, 15 de maio de 2012

SEM APRENDIZES NÃO HÁ MESTRES - POR HUMBERTO PINHO DA SILVA













Vivo num bairro onde há casita bem cuidada, que pertence a homem que em anos de juventude fora carpinteiro. Artista de valor, reconhecido pela perfeição e trabalho esmerado.

Em tempos não afastados, o bom homem chegou a trabalhar para mim; depois, a idade e a doença, obrigaram-no a recolher-se a casa.

Anteontem, pela fresca da manhã, sai. Necessitava de cuidar de investimento, que para meu mal, pouco rende, já que financeiros e Estado encarregaram-se de o dilapidar.

Por vezes cogito: se não me seria melhor ter gasto o dinheiro em viagens, divertimentos e outros prazeres, do que economizar; mas o mal está feito.

Como ia dizendo: sai. Mal havia dado curtas passadas, deparei com o carpinteiro, que fazia seu passeio matinal.

Saudei-o; ia afastar-me, quando este, carecido de convívio, mete-se à conversa:

- Isto está mau! Muito feio! Não há emprego, mas não falta trabalho! …Se pudesse ganhava boa fortuna na biscatagem!

Como não respondesse, prosseguiu: - Batem-me à porta e pedem-me, pelas almas, que vá consertar o armário ou janela, que empenaram; mas que quer? A minha coluna não permite….

Como lhe dissesse que hoje todos estudam, acrescentou:

- Pois é. No meu tempo não faltavam artistas por aqui, agora não se encontra um! Já não há aprendizes! Quer ver, vizinho: conheço camarada que tem um rapaz, que é negação para os estudos. Então pensou pô-lo a aprender arte. Sabe o que lhe disse o filho?!

Sussurrei um “hem” interrogativo, e o homem continuou:

- Que não quer trabalhar em Portugal, porque tem vergonha dos colegas. Já que não pode ser doutor, vai procurar emprego lá fora, onde ninguém o conheça. Veja!? Ter vergonha de trabalhar! No meu tempo, acabada a Primária, íamos de marmita na mão, para as obras, e as moças p’ra costura. Agora têm vergonha! …

Separamo-nos, com forte aperto de mão, e fiquei a pensar:têm vergonha dos colegas e preferem emigrar…

É direito inalienável que todos tenham as mesmas oportunidades - sempre me bati por essa conquista, - que é cristã e é inerente à democracia, mas ao escutar esse desabafo fiquei apreensivo.

É que sou do tempo em que o trabalho braçal era honra, e os filhos não se envergonhavam de coadjuvar nas tarefas paternas.




HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Segredos de gaveta

14 de maio de 2012
Por (*) João Bosco Leal
Com o veículo parado diante de um semáforo, percebi uma pessoa correndo por uma avenida onde eu entraria assim que o mesmo voltasse para o sinal verde, com as duas mãos na cabeça e dirigindo-se ao centro do cruzamento da rua em que eu estava com a avenida, onde haviam diversos objetos esparramados pelo chão.

O homem começou então a recolher e colocar na calçada tudo o que podia em meio ao movimento de carros que por lá passavam, uns desviando, outros passando por cima de objetos ou buzinando, vi que eram caixas com os mais variados pertences.

Identifiquei um espelho de mão quebrado, algumas canetas, papéis voando em meio a cada um dos veículos que por lá passavam, uma escova e um secador de cabelos, um boné, camisetas, blusas, enfim, uma variedade de coisas que me deixavam intrigado sobre o que teria ocorrido.

Algumas caixas pretas de plástico estavam quebradas e seus pedaços esparramados pelo chão quando veio outro homem, provavelmente companheiro do primeiro, pois também desceu a avenida correndo do mesmo local de onde viera o outro e com este foi conversando e já ajudando a recolher mais coisas.

O semáforo abriu e enquanto cruzava lentamente a avenida, já mais próximo do local, pude perceber melhor o que ocorrera. Um pequeno caminhão levava uma mudança e quando fez a curva saindo da rua onde eu estava para entrar na avenida, de sua carroceria caíram dois gaveteiros de plástico que se quebraram ao bater no chão.

Imediatamente lembrei-me de um conto que havia lido há muito tempo onde um morador de um edifício fazia sua mudança de um apartamento para outro no mesmo prédio e pouco a pouco levava pessoalmente seus pertences. As roupas eram transportadas nos próprios cabides, caixas levavam panelas pratos e talheres, pequenos objetos e tudo o que pudesse levar com os próprios braços ou no carrinho de compras do prédio.

Em uma dessas vezes entrou no elevador já cheio de pessoas carregando uma gaveta de seu criado mudo com tudo o que tinha dentro dela, mas que sequer tinha olhado o que era.

Segurando-a com as duas mãos, notou que as pessoas olhavam para a gaveta com tanta curiosidade que também dirigiu para ela o seu olhar. Viam ali expostas muitas de suas coisas de uso pessoal, como um cortador e uma lixa de unha, um chaveiro antigo, um estojo de fio dental, uma tesoura de unhas, uma caneta, bilhetes que nem lembrava mais quem os havia enviado, vários envelopes de preservativos e outros objetos inconfessáveis. Uma situação constrangedora, que não havia mais como ser reparada ou escondida.

Os dois casos me fizeram pensar em como acabamos guardando histórias em gavetas. Quantos papéis, documentos, bilhetes, lembretes, fotos ou diversos outros objetos guardamos em nossas gavetas e nunca mais vemos? Quantas vezes ao abrir uma gaveta nos surpreendemos, com objetos que nos fazem lembrar coisas passadas que já haviam sido apagadas de nossa mente ou nos mostram algo que sequer lembrávamos possuir? Quantos segredos podem ser revelados em uma gaveta de criado mudo?

As gavetas são como um arquivo morto de nossas vidas. De tempos em tempos é necessário reabri-las e delas retirar o que não serve mais, que não necessitamos ou que já não será usado.
Nelas encontramos coisas que gostaríamos ou não de lembrar e objetos que mesmo não nos sendo úteis, servirão para outras pessoas que deles necessitam. Uma ótima oportunidade de realizarmos atos de caridade, tão necessários na vida de todos.

Abra suas gavetas e reveja sua história, jogando fora as coisas sem valor, doando o que outros necessitam e lá deixando só o que realmente merece ser lembrado e guardado. 



(*) João Bosco Leal - jornalista, reg. MTE nº 1019/MS, escritor, articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Um país que estimula o alcoolismo - Por Alamar Régis Carvalho

De: Alamar Régis Carvalho
Para: Luiz Carlos Nogueira
Assunto: Um país que estimula o alcoolismo
Luiz Carlos: O Brasil adora estimular o alcoolismo. Assassinos bêbados ao volante nunca são punidos como assassinos. Fala-se em cachaça, como se falasse de uma coisa boa para o ser humano.
ATENÇÃO - Eu não tenho o menor interesse em mandar SPAM para ninguém. Se o seu nome constar do meu banco de dados e não for do seu desejo, por favor, peça-me que retirarei imediatamente.Só mando email para quem quer receber os meus emails.


Pode parecer uma apelação, este título que coloco nesta matéria, mas, diante da realidade que vivemos em nosso país, peço que você analise com isenção o que escrevo aqui e diga se é apelação.

É impressionante a cultura que o Brasil tem de incentivar o alcoolismo, apesar da desgraça que ele proporciona todos os dias, tragédias atrás de tragédias, lares enlutados, famílias destruídas e tanta tristeza, mostrada diariamente pelos telejornais da televisão e pela imprensa em geral.

Recentemente eu vi o Jornal Nacional mostrar a Presidente Dilma, em visita aos Estados Unidos, diante do Presidente Barack Obama, apresentando um produto brasileiro, em um momento em que o mundo tem voltado as atenções para o nosso país.

Que produto era aquele?

A CACHAÇA!!!!!

Gente, que me desculpe, mas eu não sei se sou eu que tenho um parafuso fouxo, se sou eu o desajustado ou se é o país que está mesmo num processo de inversão de valores, na exposição do ridículo.

Pelo amor de Deus, diante de tanta coisa boa que este Brasil produz, diante de tanta coisa útil que pode exportar para o mundo, como pode a nossa Presidente da República dar ênfase logo para a praga da cachaça?















É como se dissesse: Nós temos produto para embriagar as pessoas de todos os países e promover muitas desgraças nos lares.

Imaginemos a cena, com o Evo Morales sentado na Casa Branca, ao lado do mais poderoso homem do mundo, anunciando a cocaína, o produto orgulho do seu país?

Aí os hipócritas de plantão, na contramão da sensatez, vêm querer interpelar:

- Peraí, Alamar, agora você já está apelando. Comparar cocaína com cachaça é o fim da picada.

Éhhhh, gente, os defensores do alcoolismo assim como os defensores do cigarro, têm essa mania de considerar esses vícios, terríveis, como drogas lícitas e até leves.

Lícitas? Leves?

É claro que a cocaína é uma desgraça também, mas o que é que causa mais desgraças e tragédias, conforme apontam todas as estatísticas, a cocaína ou o alcoolismo? Não tem nem comparação, a diferença é enorme. Vejam quantos milhares de brasileiros morrem por ano, em decorrência do alcoolismo e veja quantos morrem por causa da porcaria da cocaína.

É preciso que a sociedade repense esse tratamento maluco que ela dá a esse vício terrível.

Aí fica esse festival sem vergonha de cinismo social:

  • Eu gosto de tomar minha cachacinha, antes do almoço.
  • Adoro minha cervejinha nos finais de semana.
  • Não dispenso um wiskyzinho com os amigos.
Aí você visita certas residências e, qual é a parte da casa que as pessoas mais têm prazer em apresentar para os amigos?

O barzinho!!! E fazem questão de apresentar garrafa por garrafa, com um orgulho enorme, em dizer que aquela do rótulo dourado é 12 anos, ou outro é importado da Alemanha... etc. etc. etc...

E depois vêm as tragediazinhas, os bêbadozinhos dirigindo os seus carrinhos, atropelando e matando as suas vitimazinhas, para depois contratarem um advogadozinho para, descaradamente, negar que ele estava bêbado, na prática da vergonhosa mentira jurídica que faz com que juízes ridículos e insensatos punam apenas com cestas básicas, livrando verdadeiros criminosos e assassinos da cadeia.

Como são brandas as penas para assassinos bêbados.

Que país mais sem vergonha, o nosso!

Vocês já viram que coisa mais ridícula a lei brasileira, em relação ao bafômetro?

Pra começar, é um instrumento que governo nenhum, federal, estadual ou municipal faz a menor questão de investir. Não dá dividendos políticos e não traz arrecadação.

Bando de canalhas. Só investem, e como investem, em caríssimas instalações de câmeras para multar veículos, na vergonhosa mania de extorsão da população brasileira, com essa ridícula indústria das multas, onde muitos ganham por fora.

Ainda vem com a cara de pau mais cínica do mundo, querer justificar que o objetivo é “educar o trânsito”, como se os mais graves e mais trágicos problemas de trânsito fossem os estacionamentos sem pagar a praga da zona azul, o dirigir um pouco acima da velocidade determinada, a falta do uso do cinto e outros detalhezinhos mais. A sigla SET, em São Paulo, por exemplo, significa “Sistema de Extorsão no Trânsito”.

Ora, praga, a grande maioria dos índices de acidentes de trânsito ocorre exatamente por conta da embriaguês alcoólica. 

Por que esse detalhe não é punido com o rigor que deveria ser?

 














Ainda vem uma legislação, que, no auge da burrice nacional,determina que ninguém é obrigado a soprar no bafômetro, sob a argumentação de que ninguém é obrigado a construir provas contra si mesmo, em mais uma vergonhosa e estúpida demonstração de que o país adora mesmo proteger o alcoolismo.

Se houvesse bom senso e dignidade na lei, o que já teriam feito?

Inverter a razão do sopro ao bafômetro: Em vez da necessidade de soprá-lo para provar que estava embriagado, pelo contrário, as autoridades deveriam determinar que a pessoa, acusada de estar bêbada ao volante, deveria soprar para provar que NÃO estava bêbada e que não havia álcool no seu sangue.

Por que não fazem isto?

Todo motorista envolvido em acidente, que de fato não estivesse embriagado, faria questão, por interesse próprio, de procurar o policial e pedir o bafômetro para soprar, porque aquele laudo serviria para a sua defesa, e não prova contra si próprio, pelo menos quanto ao aspecto do alcoolismo ao volante.

Está na cara que todo indivíduo que se nega a soprar um bafômetro, com certeza absoluta está implicitamente confessando que estava dirigindo bêbado mesmo, pois, em caso contrário, jamais se recusaria a tal procedimento, se de fato não tivesse bebido.

Você, que acompanha a televisão, já deve ter se cansado de ver, nos telejornais, inúmeras tragédias de assassinos que matam dirigindo bêbados e todas as reportagens invariavelmente dão o nome do criminoso, nome da cidade, data do acidente e nome da vítima. Vou lhe dar uma sugestão, embora não seja nada agradável da gente fazer e dá um trabalhão danado, mas que serve para observar a realidade dos fatos.

Pegue um caderno, ou mesmo o seu computador, e anote esses dados. Vá anotando, vá colecionando os casos e, depois de um ano, mais ou menos, você terá algumas centenas de casos registrados.

Depois comece a pesquisar, caso a caso, como ficou, já que temos hoje a internet, que é excelente para este tipo de coisa.

Sinto em lhe dizer que você vai sentir uma amargura enorme e uma decepção terrível com o seu país, pois constatará que quase todos estarão fora da cadeia. Deu pra ler direito? Eu disse e repito que você vai perceber que quase todos estão fora da cadeia, não é só a maioria não, é quase todos!

O bêbado ainda debocha, na cara do repórter e do policial. Ele sabe que nada vai acontecer com ele.

É quando vai saber que a famosa ação do “o advogado nega”, muito comum no Brasil, fez com que a praga da JU$TI$$A brasileira se limitasse a condenar com cestas básicas, a usar o tal argumento do “é réu primário”, do “tem residência fixa”, do “pode responder em liberdade” e sempre a aplicação do descarado jeitinho brasileiro.

Em contra partida, vai ver casos como aquele da Dona Luiza Rodrigues Pereira, aquela velhinha de 74 anos, de Vianópolis, interior de Goiás, aposentada, que ganha apenas um salário mínimo, ser colocada atrás das grades, porque não teve condições de pagar pensão alimentícia para netos, (foto ao lado). Assim como outros estão presos porque roubaram 250 gramas de margarina num supermercado; outro preso, para atender aos interesses dos bancos, acusado de infiel depositário, etc... Esses não têm chances de responder em liberdade, não tem chance de pagar com cestas básicas e não tem juiz que leve em consideração quando “o advogado nega”

Até quando a magistratura brasileira vai viver fingindo ingenuidade, a não entender uma coisa desta? 

Por que os legisladores brasileiros não mudam a lei que vige no País?

Por que aos finais de semanas, os senhores deputados e senadores também se reúnem para o wiskyzinho com os amigos e saem, também, eles, as suas peruas esposas e os seus filhos, dirigindo bêbados.

A cultura da proteção ao alcoolismo vem de muito tempo, no Brasil e no mundo.

A própria Bíblia já ensina que encher a cara e fazer besteiras é algo normal e que ninguém deve dar tanta importância, como o exemplo de Noé, que totalmente bêbado, resolve ficar nu diante da esposa dos seus filhos e ainda amaldiçoa um deles, que resolveu reclamar por tamanho ridículo, e ainda era protegido de Deus, mesmo agindo daquela forma.

Durante muito tempo os pais, no extremo do ridículo, faziam questão de incentivar que o seu filho, homem, tomasse bebida alcoólica, para “provar”, para os outros, que era macho. Por incrível que pareça existem registros de pais que colocam um pouco de cachaça na mamadeira do bebê, morrendo de rir, afirmando para os outros “este aqui é homem, no duro”.

Numa festa, quando alguém está bêbado, todo mundo morre de rir, acha engraçado.

Quando alguém conta que pegou um porre, em determinado momento, todo mundo que está ao lado fica escutando o relato, ri muito, como um monte de hienas irracionais, acha bonito aquilo e vê o fato como algo interessante, sem problema nenhum.

O jovem adora dizer “tomei todas que tinha lá”, e todos os outros adolescentes, ao seu redor, morrem de rir, porque o vêem como se fosse um herói, quando na verdade é um herói do ridículo e da imbecilidade.

Conheço vários casos de amigas que, quando namoravam, sabiam que o cara era alcoólatra, era viciado, e, mesmo alertadas do que poderia advir no futuro, enganando a elas mesmas diziam:

- “Ah, você também exagera em tudo. Ele só bebe socialmente. Eu o amo, é o homem da minha vida e eu sei muito bem o que quero pra mim”.

Hoje estão entrando na porrada, na prática comum das agressões domésticas que a embriaguês proporciona, e não têm coragem nem de dar parte numa delegacia de polícia, invocando a Lei Maria da Penha, porque são imbecis que dizem “Não quero acabar o meu casamento”. Grandes coisas.

E ainda tem o outro sério problema, que é a carência íntima, já que o desempenho sexual já foi pra cucuia também, há muito tempo.

Mas mantém a cultura masoquista de preferir viver num inferno, a sua vida inteira, pra poder continuar ostentando para as outras, que tem um marido. O que tem, muitas vezes, é um verdadeiro animal dentro de casa, mas chama de marido.

Têm outras que se pegam em bobagens religiosas:

- “O que Deus juntou, o homem não deve separar”.

Misericórdia! Que Deus é esse seu, que te junta com uma praga dessa, peste? Deixe de ser burra.

Têm outras que, também na expressão do ridículo, dizem:

- “Me disseram que eu tenho compromisso com ele, de outras encarnações, e que eu tenho que suportar, porque este é o meu carma”

É outra idiota que não sabe o que está dizendo. Faz a merda dela aqui, sabia que o bicho era um alcoólatra, desde os tempos de namoro, sempre soube das desgraças que o alcoolismo faz nos lares, casou com a praga porque quis, agora vem dizer que é coisa de origem reencarnatória. É besta demais, né?

Você sabia que uma fábrica de cachaça tem uma facilidade enorme para conseguir verbas de incentivo do BNDES?

Sabia que se a solicitação da verba for para construir um hospital ou um estabelecimento de ensino, as dificuldades são enormes e as exigências burocráticas praticamente leoninas?

Eu tinha um conhecido antigo, em Belém, o meu amigo Josino, que era um pau dágua de marca maior, daquele tipo que era encontrado bêbado, constantemente, deitado na via pública, todo vomitado e até cachorro lambendo a sua boca. Já morreu, de tanta cachaça, coitado.
Só que ele não admitira, de forma alguma, ser chamado de alcoólatra porque dizia “eu bebo SOCIALMENTE.
Quando alguém diz que bebe socialmente, está querendo passar atestado de trouxa para os amigos ou pra ela mesma?      
Misericórdia.
Para concluir devo informar aos amigos que são empresários e comerciantes que, se o seu negócio não estiver muito bom, no Brasil, mude de ramo, monte uma fábrica de cachaça, que é um excelente negócio e tem muita facilidade de conseguir incentivos do BNDES, com carência e tudo para começar a pagar.
É uma vergonha o país onde a gente vive.
O que dirão as civilizações do futuro, quando lêem nos livros de história que o Brasil fazia isto?
                                
Abração.



        Alamar Régis Carvalho
Analista de sistemas, escritor e AINSF Dinastia
              alamarregis@redevisao.net
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Alamar Régis Carvalho - Analista de Sistemas, Escritor, AINSF Dinastia - São Paulo, SP
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quarta-feira, 2 de maio de 2012

BEIJOS NA BOCA - POR HUMBERTO PINHO DA SILVA -









Escreve Ana Colaço no “ Destak” de 15 de Março, que a filhinha de nove anos, ao ser interrogada, durante o jantar, sobre o que deu na escola, respondeu espevitadamente, transbordante de inocência: “ Dei três beijos na boca”.

Com igual inocência responderam as garotinhas do Jardim-de-infância de Góis *, há quatro anos, quando alguém lhes inqueriu: “O que é namorar?”

Eis as respostas: “Tirar a roupa” (4 anos); “Dar beijinhos na boca” (5 anos);” Fazer sexo” (5 anos)”; “ As meninas para não ficarem grávidas têm que usar supositórios (5 anos); e outras definições do mesmo cariz.

Estas garotinhas encontravam-se muito longe da puberdade e ainda não frequentavam o 1º ciclo escolar; daqui se conclui, que as meninas (os) repetiram o que ouviram e presenciaram no meio familiar ou observaram em filmes, telenovelas e “conselheiros” da TV.

A filha da jornalista Ana Colaço, de nove anos, deu três beijos na boca, e, segundo a mesma, correu bem.

Três beijos inocentes, sem malícia, porque se o não fosse, a menininha não o teria revelado espontaneamente, mas fê-lo seguindo o exemplo, penso eu, que viu em telenovelas; as outras, a do infantário, com quase metade da idade, deram à repórter, respostas mais avançadas.

Em lugar de explicarem, que namorar é: ter um amigo, agradar, partilhar, andar de mãos dadas, disseram, que: era tirar a roupa e fazer sexo.

É o conceito que a media transmite e incute, sem escrúpulo, do mesmo jeito como a imprensa estampa nas páginas de “Relax” fotos e textos vergonhosos. que deviam indignar os leitores, já que não incomodam os directores, que buscam o lucro à custa da perversidade de crianças e adolescentes.

Perante a indiferença de uns, e a ambição de outros, como querem que a sociedade seja mais justa, moralmente mais são, se as crianças, mesmo dentro de casa, corrompem-se em contacto com esses exemplos nefastos?!

* - “O Varzeense” 29/02/O8



HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal