segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A xilogravura e o Brasil nos quadrinhos de Jô Oliveira

de
Jo Oliveira joolive@gmail.com
para
Luiz Carlos Carlos Nogueira
data
16 de outubro de 2011 10:14
assunto
A xilogravura e o Brasil nos quadrinhos de Jô Oliveira | RioComicon 2011
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Postado por em Notícias | 0 comentáriosout 11, 2011

Ilustrador, quadrinista e professor, Jô Oliveira vem produzindo quadrinhos e ilustrando álbuns infantis há mais de 35 anos. Seus álbuns, geralmente baseados em momentos da nossa história ou adaptações literárias, já abordaram o sertão nordestino e a lenda das amazonas que deram origem ao nome da região e do rio; a incrível saga de Hans Staden e a improvável história de Canudos; a vida dos índios kuarup e uma versão de Alice no país das Maravilhas. Formado em Artes Gráficas pela Escola de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e em Programação Visual pela Escola Húngara de Artes, de Budapeste, e tem mais de 20 livros publicados no Brasil, Itália, Grécia, Espanha, Argentina e Dinamarca, como A guerra do reino divino (Pasquim, 1976, 1. ed.; Hedra, 2001, 2. ed.), L' uomo di Canudos (Cepim, Itália, 1979; Hooby & Work, Itália, 1996), Hans Staden (Conrad, 2005), As amazonas (Cortez, 2010) e João Calais (FTD, 2010).


Seu traço remete à xilogravura, expressão artística muito presente em sua terra natal – ele nasceu na Ilha de Itamaracá, Pernambuco, em 1944 –, sobretudo nos folhetos de cordel, que, junto com os quadrinhos, foram a base de sua alfabetização. “O trabalho de J. Borges e de vários outros xilógrafos populares me encantam”, conta Jô nesta entrevista, que também aprecia gravuristas como o mexicano José Guadalupe Posada e o italiano Giacomo Patri.

No momento, Jô dedica-se a uma empreitada de fôlego: a adaptação de Grande sertão: veredas, o clássico de Guimarães Rosa, considerado por muitos a maior obra de nossa literatura. No Rio Comicon 2011, Jô Oliveira participa do encontro com outros dois importantes nomes de nossos quadrinhos e artes visuais, Luiz Gê e Edgar Vasques, na mesa “Meu Brasil brasileiro”, na sexta-feira, 21 de outubro, às 14h.


Leia a seguir a entrevista com o quadrinista, onde ele fala sobre seu trabalho, os mestres e as mudanças que vê no mercado de HQs hoje em dia, em outros assuntos. (Bruno Dorigatti)


Por que quadrinhos? O que o levou a produzir as suas próprias histórias?

Jô Oliveira. Fui alfabetizado folheando quadrinhos e cordel. Como sempre amei desenhar, as imagens dos quadrinhos me hipnotizavam. Por outro lado, as histórias dos cordéis me levaram para a cultura popular. Gosto também de fazer quadrinhos com temas históricos e adaptações literárias.


Quais foram seus mestres, suas referências?

Jô Oliveira. As gravuras das capas dos cordéis foram sem dúvida o meu ponto de partida. Eu precisava de uma referência que me ligasse ao Nordeste, à minha infância. Depois ampliei as referências estudando a gravura medieval e imagens populares de outros países. Mas eu gosto de todas expressões visuais figurativas de bom gosto e de qualidade. Coleciono livros sobre os grandes mestre da ilustração universal.

Quais as maiores dificuldades em contar histórias dessa maneira?

Jô Oliveira. Acho que sempre foi a falta de editoras interessadas no tipo de trabalho que eu gosto de fazer.


Por que a predileção em recontar momentos da história do Brasil através das HQs?

Jô Oliveira. Sempre vi os quadrinhos como uma ferramenta para instigar os jovens a se interessar por História e por Literatura. Aliás, sempre disse que o grande público do quadrinho brasileiro está na sala de aula. Além de ser um instrumento para despertar o interesse pela leitura, a HQ na escola estará criando um público que vai consumir quadrinhos no futuro. Também é porque gosto muito de literatura e de história.


A xilogravura parece ser uma forte influência em seu trabalho. Qual sua relação com ela?

Jô Oliveira. Sou apaixonado pela xilogravura. O trabalho de J. Borges e de vários outros xilógrafos populares me encantam. Também gosto muito dos gravuristas mexicanos, como José Guadalupe Posada. Do belga Frans Masereel, do norte-americano Lynd Ward e de Giacomo Patri, esse de origem italiana. Eu poderia citar muitos outros.

O que tem lhe chamado a atenção nas HQs que tem lido hoje em dia, do Brasil e do exterior?


Jô Oliveira. Acredito que os quadrinhos agora conquistaram o respeito e conquistaram uma liberdade jamais pensada. Agora há lugar para todo tipo de tendência e é isto me chama a atenção.


Trabalha ou pensa em trabalhar em alguma história no momento? Poderia nos adiantar algo?


Jô Oliveira. No momento estou mergulhado num grande trabalho. Estou ilustrando Grande sertão: veredas para a Editora Globo. Em seguida, farei a adaptação do livro Palmeirim de Inglaterra, uma história de cavalaria escrita no século XVI e que será narrada em cordel por dois escritores, meus amigos. Vai sair pela FTD.


Como vê o mercado para quadrinhos hoje, em relação a quando o senhor começou a publicar, nos anos 1970?


Jô Oliveira. Bem diferente. Hoje há editoras que só publicam quadrinhos e também editoras que só publicavam livros e agora aderiram aos quadrinhos.

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